Entrevista com o novo presidente da Alesc, Joares Ponticelli

04.02.2013

 

“Meu desafio é não decepcionar ”

 

 

Desde 1999 como deputado estadual, Joares Ponticelli  chegou na última sexta-feira ao cargo mais importante no Legislativo catarinense, a presidência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Formado em Matemática pela Universidade do Sul de Santa Catarina, ele permanecerá no cargo durante o ano de 2013, já que, por acordo realizado, o PMDB comandará a Alesc em 2014, com o deputado Romildo Titon. Natural de Pouso Redondo, Ponticelli foi cedo para Tubarão, no Sul do Estado, onde construiu sua carreira política dentro do Partido Progressista (PP). Foi vereador do município e, atualmente, preside o PP no estado. No ano de 2012 também foi presidente da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), onde viajou o Brasil conhecendo as várias vertentes da função que agora ocupa. Nesta entrevista exclusiva à reportagem da ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC, Joares Ponticelli fala sobre o desafio de comandar a Assembleia Legislativa, o acordo com a base governista para que fosse presidente e sobre seu futuro político, que já está traçado.

 

[PeloEstado] - O que o levou a buscar a presidência da Alesc?

Joares Ponticelli - É a concretização de um sonho e objetivo maior de um parlamentar que integra a Alesc há 14 anos. Sou um defensor contundente do Poder Legislativo, pois vejo nele o grande sustentáculo da democracia. Empreendi meus mandatos com muita dedicação e ocupei diversas funções na casa, razão pela qual me considero preparado para coordenar as atividades na oferta de condições para que os 40 deputados estaduais possam atuar cada vez mais fortemente na defesa dos interesses da gente catarinense.

 

[PE] - Qual sua principal missão e desafio?

Ponticelli - A principal missão será a coordenação das atividades administrativas da Assembleia Legislativa com todos os seus agentes, desde os deputados ao mais humilde dos servidores. O importante é deixá-los motivados e comprometidos com o cumprimento do nosso papel, que é o de dar as respostas que a sociedade precisa, já que ela, a sociedade, é quem nos paga. Meu desafio é não decepcionar àqueles que me permitiram chegar até aqui, como deputado e, principalmente, agora, como presidente da Alesc.

 

[PE] - Qual a diferença do Joares de 1999 para o de 2013?

Ponticelli - Basta comparar minhas fotografias de 1999 e de hoje para ver como mudei (risos). Os cabelos estão mais brancos e raros, além das rugas que começaram a aparecer. Isso representa também o amadurecimento e crescimento. Cheguei aqui (na Assembleia Legislativa de Santa Catarina) muito jovem e com pouca experiência. Com muito orgulho, fui agricultor, garçom e empacotador de caixa. Ingressei no Magistério, onde construí minha carreira profissional. Fui vereador por apenas dois anos em Tubarão e, de repente, virei deputado estadual. Dediquei muito da minha vida ao aprendizado. Esta casa é uma grande escola. Errei bastante, mas também aprendi e cresci muito. Já falei mais do que ouvi, cometi excessos, mas sempre procurei honrar meus eleitores cumprindo a missão que as urnas me deram. O tempo e a convivência com os legítimos representantes do povo catarinense me ensinaram muito e me fizeram crescer. Sou muito grato a cada um dos quais convivi neste período. Cada um deles contribuiu para me fazer sentir melhor hoje do que quando aqui cheguei, há 14 anos.

 

[PE] - O acordo com o PMDB aconteceu em que circunstâncias?

Ponticelli - O parlamento é um poder independente e autônomo, que deve caminhar com as próprias pernas. O PMDB detém a maior bancada da assembleia legislativa, que deve e é respeitada. Historicamente, fomos adversários nos embates estaduais, mas na Alesc estamos compartilhando os espaços há vários anos. As bandeiras partidárias são desfraldadas nas eleições. Aqui, é necessária a junção de forças e composições para que todos tenham condições de trabalhar e de cumprir seus compromissos. Nesta casa, ninguém é chefe de ninguém. Eu e o deputado Romindo Titon vamos compartilhar o mandato com muita transparência em favor de um parlamento de todos os parlamentares, deixando as questões partidárias para serem discutidas no seu tempo, as eleições.

 

[PE] -  A divisão do mandato é benéfica?

Ponticelli - Com certeza. Ao longo desses 14 anos que integro a Alesc vivi as duas experiências. A assembleia melhorou muito nesses últimos anos, desde a construção do processo de consenso, capitaneado pelo grande deputado Julio Garcia (hoje conselheiro do Tribunal de Contas e presidente da Alesc por duas vezes). No consenso e no compartilhamento do poder todos têm, verdadeiramente, vez e voz, diferente dos processos de disputa interna, onde há vencidos e vencedores. Como bem disse o deputado Dado Cherem (PSDB): “Se alguns ganham, alguns perdem. E, aí, todos perdem”. E repito que aqui ninguém tem patrão. Presidente tem que ser presidente de todos. Foi isso que fez também o deputado Gelson Merísio, cujas boas iniciativas terão continuidade.

 

[PE] - Como a Alesc pode estar mais perto dos   municípios?

Ponticelli - Ampliando as parcerias, a transparência, a presença e a comunicação. Quanto mais a assembleia se abrir e se mostrar à população, melhor. Vamos ampliar os acertos – que são muitos – e corrigir os erros cometidos ao longo da história. Somos 40 homens e mulheres que recebemos a legítima delegação de representar e legislar em nome de mais de seis milhões de catarinenses. Não estamos aqui por acaso nem por nomeação. Cada um de nós chegou aqui com muito esforço e com uma história que precisa ser respeitada, mas estaremos muito abertos às sugestões e críticas necessárias ao nosso aperfeiçoamento e cumprimento dos nossos compromissos.

 

[PE] - Sobre política, qual será o seu futuro?

Ponticelli - Só tenho uma certeza e decisão: não serei mais candidato a deputado estadual. Sou muito grato ao meu partido e aos meus eleitores. Fui eleito em 1998 com 24.557 votos. Reeleito em 2002 com 34.378 votos. Mais uma vez reeleito em 2006 com 36.179 votos e novamente em 2010 com 49.624 votos. Cheguei graças aos meus pares à presidência. Portanto, minha missão está cumprida. Se o meu partido e a coligação que integrarmos permitir, pretendo disputar um cargo na majoritária. Se não for possível, serei candidato a deputado federal.

 

[PE] - Como o PP se prepara para a eleição de 2014?

Ponticelli - Estamos preparando uma grande nominata de candidatos a deputados estaduais e federais. Elegemos 46 prefeitos, 52 vices e 492 vereadores. Nosso partido é forte, organizado e está muito motivado em todo o estado. Integramos a base de apoio do governo de Raimundo Colombo e queremos participar de um projeto que possa contribuir com a construção de uma Santa Catarina cada vez mais forte e mais próspera.

 

Nícola Martins

02 de Fevereiro de 2013

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