Entrevista com o presidente do Badesc, João Paulo Kleinübing

29.04.2013

 

 

“O Badesc não empresta dinheiro. Ele gera desenvolvimento e qualidade de vida em Santa Catarina.”

 

João Paulo Kleinübing, presidente do Badesc

Desafio: garantir agilidade

 

Filho do ex-governador Vilson Pedro Kleinübing, falecido em 1998 quando atuava como senador, o atual presidente do Badesc - Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina - cresceu acompanhando o mundo político catarinense. Por esse motivo, sua escolha pela administração pública não surpreendeu ninguém. Desde o final de fevereiro, ocupa o atual cargo e, com a aprovação pela Assembleia Legislativa do programa Cidades Juro Zero, auxiliará prefeitos em início de mandato na realização de obras e na compra de equipamentos. Nessa entrevista exclusiva concedida em seu gabinete à ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC, o ex-prefeito de Blumenau fala sobre os desafios que enfrentará na presidência do Badesc, os programas que o banco oferece para os setores público e privado e, também, sobre o aprendizado que seu pai deixou: “Meu pai foi um apaixonado por Santa Catarina”. Sobre seu futuro político, é enfático: “Por enquanto, sou presidente do Badesc”.

 

[PeloEstado] - O senhor já se inteirou dos afazeres do novo cargo?

João Paulo Kleinübing -Já. O banco tem história de boas gestões e de presença constante no desenvolvimento catarinense. O corpo técnico é qualificado e comprometido. Isso facilitou o trabalho de conhecer e me inteirar dos principais desafios.

 

[PE] - Quais são esses os desafios?

JPK -São duas grandes missões. Uma, voltada aos recursos para o setor privado, alavancando o crescimento do estado. O Badesc não empresta dinheiro. Ele gera desenvolvimento e qualidade de vida em Santa Catarina. O financiamento é o meio. Realizamos o trabalho com o setor privado, motivando e oferecendo crédito ao empreendedor. O Programa Juro Zeropara empreendedores, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, é um sucesso. Superamos R$ 34 milhões aplicados em mais de 12 mil operações. A nossa operação média, em 2012, ficou em torno de R$ 1 milhão  e tivemos um grande resultado no setor privado, liberando R$ 200 milhões. Nesse ano, a meta é ultrapassar isso. O catarinense é empreendedor e a missão do banco é acreditar na nossa gente.

 

[PE] - E a segunda missão?

JPK -É voltada ao setor público, que sempre foi foco importante do Badesc, com programas como Badesc Cidades. No dia seguinte à minha posse, o governador fez o lançamento do Cidades Juro Zero, que tem o objetivo de oferecer recursos aos municípios sem o pagamento de juros. É uma forma de o governo oferecer participação do Estado aos prefeitos que estão iniciando sua caminhada. Isso se soma ao fato de que estamos finalizando a operacionalização do Pacto pelas Cidades, com aproximadamente R$ 540 milhões que serão captados junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e que, por solicitação do banco, serão aplicados nos municípios a partir do Badesc. Nosso desafio é, junto com os municípios, gerir os recursos. Porém, existe um desafio comum entre os setores público e privado: a garantia de agilidade. Muitas vezes se tem a imagem de que o financiamento em uma instituição como a nossa é difícil e burocratizado. Historicamente, o Badesc sempre foi ágil. Eu mesmo, como prefeito de Blumenau, fui cliente do Badesc. Com esse aumento de recurso, buscaremos manter esse histórico de agilidade e desburocratização.

 

[PE] - A população conhece o trabalho do banco?

JPK -Conhece, mas ainda há campo para se apresentar mais, ser mais pró-ativo e mostrar que o Badesc está perto e pode atender às necessidades dos empreendedores de forma rápida. Percebemos isso pelo volume de operações do Juro Zero, que ajudou na popularização. Fazer 14 mil operações, em parceria com as OSCIPs (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) de microcrédito, é uma prova. Hoje, os empreendedores sabem da possibilidade de parceria e passaram a conhecer a nossa instituição.

 

[PE] - Por que, em 2012, o banco emprestou mais para o setor privado do que para o público?

JPK - A agência aproveitou linhas vantajosas que existiam, com juros de até 2,5% ao ano e houve uma tomada maior de crédito. A agência também se apresentou mais, oferecendo essa linha e, juntamente com o espírito empreendedor, conseguimos ter resultado significativo no setor privado. Queremos, neste ano, manter o número do ano passado ou até mesmo superar os R$ 200 milhões em financiamento ao setor privado. Percentualmente, a diferença entre o setor público e o privado foi pequena, praticamente meio a meio, já que aconteceram financiamentos de R$ 196 milhões ao setor público. Historicamente, o setor público fica nesta casa, o setor privado é que estava bem abaixo disso. Não houve retirada do setor público para empréstimo ao privado. 

 

[PE] - Já há procura pelo Cidades Juro Zero?

JPK -A demanda é grande, até mesmo pela condição de juro zero e por ser início de mandato. Esse recurso oferecido, com a agilidade que propomos, certamente será um dos primeiros recursos ao qual o prefeito terá acesso em seu primeiro ano. A demanda principal é por obras de pavimentação, mas há uma busca muito grande, em especial pelos prefeitos que iniciam seus mandatos, para aquisição de máquinas e equipamentos, principalmente de municípios com grande extensão de terra e forte agricultura, onde a renovação do pátio de máquinas é importante. O Badesc irá financiar a aquisição dessas máquinas. Para os municípios novos (Balneário Rincão e Pescaria Brava) também estamos buscando fazer uma condição diferenciada.

 

[PE] - Qual o critério utilizado pelo banco?

JPK -É baseado no retorno de ICMS, que é a garantia da operação. Há uma exceção aos municípios novos, que não tinham índice no ano passado. E, o restante, é buscando atender às necessidades que cada prefeito tem nesse início de mandato. Existe um quadro de retorno de ICMS para cada município e a operação mínima é de R$ 500 mil, podendo chegar a R$ 20 milhões em municípios maiores. Já estamos recebendo as primeiras propostas e projetos. Os prefeitos estão preparando e encaminhando a documentação às câmaras de vereadores para criarem leis para autorização de financiamento. Enquanto a Assembleia Legislativa discutia, os prefeitos recebiam as orientações sobre o programa.

 

[PE] - O senhor se reuniu com quantos prefeitos?

JPK -Já perdi a conta. Alguns não tratam especificamente comigo, mas a procura é grande e intensa. Praticamente todos os municípios, de alguma forma, já sabem do projeto e têm interesse. Cheguei a receber dez prefeitos em um mesmo dia.

 

[PE] - E o Badesc Fácil?

JPK -Essa é uma grande inovação dentro da perspectiva da agilidade. É o primeiro programa de crédito do Brasil totalmente informatizado, onde o empresário não fala com ninguém. Ele entra no site, preenche o cadastro e o próprio sistema já avisa sobre a aprovação ou não. A operação máxima é de R$ 100 mil. O empresário encaminha por correspondência a documentação comprobatória e, assim que for feita a conferência, o recurso estará na conta indicada em 48 horas. É um programa que ainda tem muito a crescer, porque tem a parceria dos contadores e economistas, que se credenciam para fazerem o preenchimento dos dados e nos dão suporte para atingir o objetivo.

 

[PE] - Sobre política, o senhor concorrerá à Câmara federal em 2014?

JPK -Por enquanto, sou presidente do Badesc e esse é meu único foco. Sempre fui contra político que está em uma posição pensando na próxima. Hoje estou aqui, com o objetivo de fazer o melhor para o meu estado. Tenho o desejo, naturalmente, de disputar a eleição de 2014, mas meu desafio agora é fazer um bom trabalho no Badesc.

 

[PE] - No fim do ano passado, foi dito que o senhor não teria interesse em presidir o Badesc pela pouca visibilidade. Isso procede?

JPK - Qualquer missão é nobre, desde que feita com empenho e afinco. É isso que estou fazendo. Estou aqui, quero fazer um bom trabalho e esse é meu objetivo principal.

 

[PE] - Qual o principal aprendizado político que seu pai o deixou?

JPK - Ele me inspirou a me dedicar com afinco e determinação a tudo o que estou fazendo. Meu pai foi uma pessoa extraordinária, um apaixonado por Santa Catarina. Alguém que fez da vida pública a sua missão de vida, sem nunca se preocupar consigo próprio. Esse espírito de doação que ele sempre teve é a grande inspiração que tenho.

 

[PE] - E como pai?

JPK - Hoje, na condição de pai, eu o entendo mais. Aprendi com ele que o grande patrimônio que deixamos para nossos filhos é a nossa história. É a construção de uma boa história. Esse foi o patrimônio que ele me deixou e é isso que quero deixar para as minhas duas filhas.

 

 

Andréa Leonora e Nícola Martins                                                                                                                                                         

Florianópolis, 29 de abril de 2013.

 

 

 

Visualizar todos