Entrevista com o presidente do Conselho Regional de Administração, Antonio Carlos de Souza

11.02.2013

 

“Buscamos uma matriz unificada para os cursos de Administração”

Antonio Carlos de Souza - Presidente do CRA

 

Buscando a valorização dos administradores

 

Administrador de Empresas, Antonio Carlos de Souza é o atual presidente do Conselho Regional de Administração de Santa Catarina (CRA-SC). Trabalha como consultor de aproximadamente 160 empresas distribuídas na região Sul e no estado de São Paulo e é professor doutor da UNOESC desde 1992, onde ministra as disciplinas de Custos e Finanças. Atuou como presidente e vice-presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Videira (ACIAV) de 2007 a 2010 e hoje é membro do Conselho Deliberativo da entidade. Atualmente, é vice-reitor da UNOESC. Participou do Programa CEO do Futuro, promovido pela Fundação Instituto de Administração (FIA) e pela revista Você S/A. Foi delegado  regional e vice-presidente do CRA antes de assumir a missão de presidir a entidade. Nesta entrevista à ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC, Antonio Carlos de Souza fala sobre os desafios da profissão no estado e como a entidade atua no controle do exercício ilegal da profissão de administrador.

 

[PeloEstado] - Qual a função do CRA?

Antonio Carlos de Souza- O Conselho Regional de Administração é um órgão consultivo, orientador, disciplinador e fiscalizador do exercício da profissão do administrador. É uma autarquia com autonomia técnica, administrativa e financeira, que apoia, auxilia e defende os direitos dos administradores.

 

[PE] - Como está o mercado para os novos administradores?

Antonio Carlos- As pesquisas apontam que a maioria segue no mercado de trabalho correlativo a sua formação, ou seja, no corpo administrativo das empresas ou nas funções administrativas vinculadas à gestão da empresa. Alguns deles realizam atividades não relacionadas, o que é um equívoco profissional. Todavia, sabemos que existe um estreitamento provocado pela estrutura piramidal das empresas e que, por isso, a ocupação em cargos diretivos, como gerentes, diretores, supervisores, vice-presidente e presidente ainda é pouco ocupada por administradores. Contudo, sabe-se que quando isso acontece, esses profissionais  se destacam e promovem diferenciais competitivos para as empresas, justamente pela formação em Administração. As instituições catarinenses produzem ótimos profissionais, só que nem todas as empresas aproveitam para colocar a pessoa certa no lugar certo.

 

[PE] - Como fazer os cursos de graduação serem mais eficientes?

Antonio Carlos -Existe quase uma centena de cursos de Administração em Santa Catarina, além dos cursos de tecnologia na área, sendo que o curso de Administração representa 21% do total de estudantes universitários no Brasil. O que buscamos é a constante valorização da profissão. Também buscamos uma matriz unificada para os cursos de Administração, com a mesma carga horária, distribuída de acordo com as diversas disciplinas, o que poderia garantir uma unidade conceitual. Queremos preservar as características econômicas e culturais de cada região de Santa Catarina, mas também garantir a possibilidade de integração estadual, buscando formar profissionais empreendedores e competitivos. Trata-se de um desafio inovador, mas possível. Muitas vezes, presenciamos uma visão comercial na oferta de cursos com período menor que cinco anos, período que considero necessário para o desenvolvimento de uma matriz com formação efetiva. Está comprovado que a permanência no regime presencial, em sala de aula, aliado às atividades de pesquisa de campo, aulas práticas, estudo de casos, jogos empresariais, aulas laboratoriais, visita a empresas e outras dinâmicas pedagógicas exigem tempo. Além disso, o acadêmico costuma entrar muito novo nos cursos, portanto, torna-se importante amadurecer e ter vivências dentro da academia, o que só enriquece a formação.

 

[PE] - Ainda existe exercício ilegal da profissão?

Antonio Carlos - Sim, percebemos em todas as áreas, inclusive no serviço público, apesar de discutirmos e promovermos fiscalização em editais de empresas públicas ou instâncias governamentais, que abrem vagas com funções inerentes à profissão de administradores. Nas empresas privadas também encontramos outros profissionais, que não são administradores registrados, atuando. Sendo assim, nossa fiscalização, inicialmente, visa orientar e prevenir, junto às empresas e, posteriormente, autuar pelo descumprimento da legislação da profissão.

 

[PE] - Como atuar contra essa prática?

Antonio Carlos- A fiscalização visa orientar e prevenir as empresas quanto ao não cumprimento da legislação, em relação às atividades inerentes aos administradores. Qualquer profissional que atue nessa área, que não seja administrador ou que, mesmo como bacharel em Administração, não esteja registrado, está atuando de forma ilegal, e a empresa, através de seu gestor que permite essa ilegalidade, será responsabilizada. O raciocínio é simples: nas empresas o profissional responsável pela contabilidade é o contador. Quem atua como assessor ou procurador jurídico é um advogado e assim por diante. Então, por que não cumprir a legislação? Acredito que a empresa ganha muito contratando administradores para funções de gestão administrativa. Ou seja, além da fiscalização, necessitamos da conscientização das empresas para utilizarem o talento dos administradores, algo que as líderes do mercado mundial já descobriram.

 

[PE] - Há profissionalização das esferas administrativas?

Antonio Carlos - Quando uma empresa é bem organizada administrativamente, por meio de bons gestores, garante a sua sobrevivência, promove o desenvolvimento econômico e social do seu município, da sua região, reduzindo as diferenças sociais, promovendo a inclusão social, a qualidade de vida e a preservação dos recursos naturais, pois temos um compromisso ético perante a sociedade. Defendemos a profissão para que os administradores catarinenses tenham a garantia de que estarão atuando nas áreas para as quais tiveram formação adequada, e para que nenhum outro profissional possa, de forma irregular, exercer este direito que é do administrador.

 

[PE] - Como o CRA pode ser mais eficiente?

Antonio Carlos- Nossa meta é trabalhar na constante transparência, informando aos administradores registrados ou não, sobre nossa atuação, sobre o trabalho de fiscalização, promovendo debates, congressos, seminários, entre outros. As diretorias de Administração e Finanças, Fiscalização e Relações Institucionais e Eventos terão como meta, respectivamente: Gestão, Orientação e Promoção. Atuaremos junto às instituições de ensino superior, às empresas, aos administradores registrados e em parceria com o Governo do Estado e com os municípios.

 

[PE] - Qual o principal desafio do senhor na presidência?

Antonio Carlos- É manter uma política voltada ao cumprimento da nossa função, aproximando cada vez mais o CRA-SC da sociedade, dos cursos de graduação em Administração e Tecnologias da área administrativa e, principalmente, dos profissionais registrados, que atuam nas empresas como colaboradores ou empreendedores. Queremos oferecer mais benefícios, por meio de convênios, e defender os administradores catarinenses, para promover o crescimento social e econômico do Estado.

 

Nícola Martins

Florianópolis, 11 de fevereiro de 2013.

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