Entrevista com o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável, Paulo Bornhausen

18.02.2013

“Estamos na vitrine para o mundo inteiro”

Paulo Bornhausen - Secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável

 

"A vinda da BMW mostra que Santa Catarina está em condições de enfrentar qualquer desafio" 

 

 

Quatro vezes eleito deputado federal por Santa Catarina, Paulo Bornhausen abdicou de mais um mandato em Brasília para ficar em Santa Catarina durante o mandato do governador Raimundo Colombo e comandar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável. Seu maior desafio no comando da pasta, desde o início, era trazer para o estado uma empresa automobilística, sonho que está muito perto de se tornar realidade. Nas próximas semanas será assinado o contrato entre o Estado e a empresa alemã BMW, que construirá sua sede brasileira no município de Araquari, gerando cerca de 5 mil empregos nos próximos anos. Nesta entrevista exclusiva concedida à reportagem da ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC, Paulo Bornhausen fala sobre a vinda da empresa alemã para Santa Catarina, o desenvolvimento econômico do estado, os programas Juro Zero e Geração TEC e a viagem que acaba de fazer aos Estados Unidos, onde visitou uma das fábricas da BMW.

 

[PeloEstado] - Como foi a viagem aos Estados Unidos?

Paulo Bornhausen - A visita à fábrica da BMW da Carolina do Sul nos deu a exata dimensão da transformação que ocorrerá na região Norte de Santa Catarina com a instalação aqui. Em 1992, quando a fábrica foi instalada, foram criados dois mil empregos diretos. Hoje já são quase oito mil. Na época, a cidade contava com 34 empresas internacionais instaladas. Hoje, tem 108. E o investimento total nesses 18 anos chega a US$ 6 bilhões. Na Câmara de Comércio local, colhemos as melhores impressões possíveis. Disseram-nos que antes da BMW chegar à cidade, existiam funcionários. Hoje, existem parceiros, colaboradores. Melhoraram as relações trabalhistas e o nível salarial. É incrível a transformação, a tecnologia aplicada, a qualidade da mão de obra local.

 

[PE] - Outras novidades podem surgir?

Paulo Bornhausen -Fizemos contatos com autoridades do governo local e com empresários da cidade. Eles poderão nos ajudar no acompanhamento do desenvolvimento do projeto da BMW aqui em Santa Catarina. Quero, inclusive, convidar alguns deles para virem aqui e fazerem contatos com a sociedade e a imprensa catarinense. É uma oportunidade para entendermos ainda melhor a grande dimensão e os novos horizontes que vão ser abertos para a economia catarinense. 

 

[PE] - A vinda da BMW foi sua maior conquista à frente da secretaria?

Paulo Bornhausen -A vinda da BMW é uma conquista de todo o Governo do Estado e, principalmente, do povo catarinense. Tive a honra de ser designado, pelo governador Raimundo Colombo, o coordenador do projeto. Montamos uma equipe pequena, mas altamente qualificada, com gente das secretarias de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável e da Fazenda, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, da Procuradoria Geral do Estado e da Secretaria Executiva de Assuntos Internacionais. Aliás, o secretário Alexandre Fernandes (de Assuntos Internacionais)dividiu comigo a responsabilidade pelo projeto.

 

[PE] - Como funcionou esse processo de decisão?

Paulo Bornhausen -Tudo começou no dia 12 de maio de 2011, quando o jornal Valor Econômico publicou que a montadora planejava uma unidade no Brasil. Na época, o governador Raimundo Colombo estava em viagem à Europa. Fomos, então, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira e eu, conversar com o presidente da empresa no Brasil. Lá, eu disse: “Viemos aqui porque escolhemos a BMW para ser a montadora que vai se instalar em Santa Catarina”. Jörg Henning Dornbusch, então presidente da empresa no Brasil, não escondeu a surpresa e, com bom humor, respondeu: “Vamos fazer um programa de negociação”.  E cada lado montou seu time. O governador escalou-me, juntamente com o secretário Alexandre Fernandes. Ainda em maio, quando embarcamos para a Alemanha, conversarmos com os três executivos da montadora que lideraram as negociações. Começava um período alucinante de trabalho. A visita foi retribuída em junho por membros da direção mundial da BMW. Os alemães queriam decidir até novembro e um projeto de R$ 1 bilhão demanda milhares de providências. Desde então, são mantidos contatos diários por conference calls, telefonemas, reuniões e missões.

 

[PE] - Após a assinatura do contrato, quais são os próximos passos?

Paulo Bornhausen -Da parte da empresa, o início da construção da fábrica. E a nós, do Governo do Estado, atender no que nos for requisitado e fazer cumprir os compromissos assumidos.

 

[PE] - Que tipo de benefício uma empresa como a BMW traz ao Estado?

Paulo Bornhausen -Além de um selo internacional de qualidade, criação de um polo de ciência e tecnologia e empregos de qualidade, a vinda da BMW vai mostrar que Santa Catarina está em condições de enfrentar qualquer desafio.

 

[PE] - Mais uma grande empresa está prevista para o estado nos próximos anos?

Paulo Bornhausen -Temos recebido consultas informais e algumas visitas exploratórias de empresas e grupos do setor interessados em explorar as possibilidades de Santa Catarina. Estamos na vitrine para o mundo inteiro.

 

[PE] - Como Juro Zero e Geração TEC ajudam no desenvolvimento de Santa Catarina?

Paulo Bornhausen -Com o Juro Zero, a determinação do governador Raimundo Colombo é apoiarmos a base da economia catarinense. Agora, em janeiro, ultrapassamos a marca de 10 mil operações, com quase 29 milhões de reais emprestados a microempreendedores individuais (MEIs)de todo o estado. Esses recursos promovem uma movimentação extraordinária na economia. Os MEIs alimentam a cadeia produtiva, comprando mais e forçando seus fornecedores a produzirem mais. E ainda geram emprego, porque cada MEI pode contratar um funcionário. O Geração TEC é um programa de suporte à meta de elevarmos Santa Catarina a Estado Máximo de Inovação. Estamos formando um contingente de profissionais altamente qualificados na área de tecnologia e de tecnologia da informação. Esse programa, aliás, chamou muito a atenção da BMW, que é uma empresa da fronteira do conhecimento de altíssimo nível de inovação tecnológica.

 

[PE] - Qual o desafio do senhor para 2013 à frente da secretaria?

Paulo Bornhausen -Quando assumi a SDS, em 2011, o governador me pediu um plano para criarmos a Nova Economia catarinense. Este plano é o SC@2022, com quatro grandes programas e 19 projetos, além da definição de áreas estratégicas que darão à nossa economia esse caráter do novo. O meu desafio, desde então, e estamos conseguindo, é cumprir a determinação do governador e executar o SC@2022.

 

[PE] - Sobre política, qual seu futuro político?

Paulo Bornhausen -Eleição é para 2014. Agora, e até lá, é trabalho.

 

Nícola Martins

Florianópolis, 18 de fevereiro de 2013.

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