Entrevista com o secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Beto Martins

05.08.2013

Nosso Turismo crescerá consideravelmente

 

“Sou bicho político. Ainda tenho dúvidas sobre o projeto a seguir, mas serei candidato em 2014.”

 

Secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esporte desde março deste ano, Beto Martins, como gosta de ser chamado, não foge de perguntas e é franco nas respostas. Nesta entrevista exclusiva, concedida em seu gabinete à CNR-SC/ADI-SC/Central de Diários, o ex-prefeito de Imbituba (2005 a 2012) fala sobre os desafios enfrentados em uma pasta que engloba três vertentes importantes, dos projetos que pretende realizar, do que falta para o estado e detalha seus planos políticos para 2014. Cantor nas horas vagas, diz que sente falta de praticar esportes e da vida provinciana que tinha em Imbituba, quando jogava futebol com os amigos. “Na verdade, o futebol é a desculpa para o churrasco”, admite entre risos.

 

[PeloEstado] - Como foi criada a campanha publicitária sobre Turismo que está no ar desde o mês de junho?

Beto Martins -Quando assumi a Secretaria, havia duas agências de publicidade e propaganda atuando. Uma era responsável pelas ações da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte e a outra, pela Santur. Entendi que as duas estavam desconectadas e buscamos unificar discurso e objetivo. No início deste ano, em função dos problemas de Segurança Pública, ficamos muito preocupados com a imagem do estado. Os reflexos disso não aconteceriam naquela temporada, porque ela já estava acontecendo. Ninguém passa Natal, Réveillon ou Carnaval definindo em cima da hora. Entendo que a atitude do Estado foi correta em não fazer acordo com criminosos. Mesmo não havendo problemas com turistas, as imagens divulgadas não foram boas para nós. Outro objetivo dessa campanha é a divulgação de nossos atrativos. Não podemos fazer campanha para atrair turistas só no fim do ano. Esse é um processo contínuo. Também há o foco regional, em demonstrar os referenciais turísticos dos vários cantos do estado. O turista que compra um pacote para visitar Santa Catarina e permanece somente em São Joaquim, Garopaba ou Joinville, não preenche todo esse tempo. É essencial lembrar que temos serra e mar a uma distância de 100 quilômetros, que ele pode estar no maior parque temático da América Latina e a 40 quilômetros de uma cidade com festas reconhecidas mundialmente.

 

[PE] - O que esperar?

BM -Esperamos uma venda substancial de pacotes turísticos com o Estado como indutor do fluxo. Milhões de brasileiros estão conhecendo nosso potencial e ficando com vontade de nos conhecer.

Acredito que nosso fluxo turístico crescerá consideravelmente.

 

[PE] - O Mercosul receberá a campanha?

BM -Nosso trabalho está em outra vertente. Neste ano também realizamos algo que estava desconstruído: planejamento. Quando assumi, chamei nossa equipe e definimos que será realizado um agendamento semestral de ações. Isso é importante, porque otimiza o trabalho. A Santur sabe, hoje, em que feira estará presente em dezembro. Isso permite que se discuta com os municípios interessados, em participar e ajudar no processo, e até mesmo com as agências. Vamos apresentar nosso potencial em muitas feiras. 

 

[PE] - Qual o objetivo de realizar mudanças na Fundação Catarinense de Cultura?

BM -Elas estão acontecendo em todos os lugares. A própria Fundação de Esportes (Fesporte) também teve mudanças. É o ciclo natural da política. Minha estada na FCC é interina. A Cultura do estado é maior do que muitas pessoas dentro e fora do governo imaginam. A FCC é museus, casas de espetáculos, casas históricas, biblioteca pública... Estamos buscando um nome para presidir a Fundação, uma pessoa capaz de atender o anseio de agentes culturais, e não ações político-partidárias.

 

[PE] - Como é sua relação com os setores culturais?

BM -Estamos fazendo muito debate e muita conversa para encontrarmos solução. Queriam a democratização do acesso aos recursos e fizemos um edital de mais de R$ 7,2 milhões para Cultura. O edital teve 980 inscrições, mas lamento dizer que metade dos projetos não passará na habilitação por condições elementares, como autenticação de documentos. O edital está claro. Um fato que aceitei é o modelo. Muito se pediu para ser criado o prêmio, porque em Cultura deve-se levar em conta a propriedade intelectual do projeto em detrimento à burocracia. Essa ideia eu já encampei e a Diretoria Jurídica está estudando a viabilidade.

 

[PE] - E o Esporte?

BM -Diferentemente do que alguns falam, nosso Esporte é modelo para o Brasil. Ouvi isso de membros do próprio Ministério do Esporte. Participei dos Jogos Escolares Catarinenses, em São Miguel do Oeste, em evento com mais de dois mil estudantes. Custearemos os atletas que irão para os Jogos Brasileiros e para o mundial. Isso é uma gota no oceano. São 450 eventos realizados pela Fesporte. O que falta é visibilidade a esse trabalho. Os Jogos Abertos de Santa Catarina estão com pouca visibilidade. Pretendemos mudar isso, investindo forte em promoção. Não para promover o governo do Estado, mas o Esporte catarinense. Se eu quero que uma criança de 10 anos se inspire, eu preciso construir ídolos.

 

[PE] - Falta bairrismo?

BM -Se eu estiver aqui na Secretaria, com minha agenda lotada, e alguém avisar que passará na televisão um atleta de Imbituba, que é minha cidade, eu vou ligar a televisão para assistir. É questão de bairrismo ou patriotismo. Falta é emoção.

 

[PE] - Vai ser criado o Pacto do Esporte, dentro do Pacto por Santa Catarina?

BM -O governador disse que a Fundação precisa trabalhar a base. O Pacto também terá investimento em infraestrutura, mas não é o principal foco. Queremos criar um sistema efetivo de inclusão social por meio do Esporte e de descoberta do talento na idade mais tenra. Teremos monitores que detectarão, nos municípios, o surgimento de talentos. Ainda estamos estruturando o programa e não há data de lançamento.

 

[PE] - Sobre política, cessaram os boatos de que o senhor iria para o PP...

BM -Até fico impressionado, porque essa fofoca andou longe. Vivemos um momento de especulação. Tudo isso se resume a apenas um fato: o sistema político-partidário brasileiro não tem identidade. A reforma política é essencial para que se volte a ter ideologia. Hoje, se escolhe partido político por várias razões, menos por suas propostas ou identidade. Eu e tantos outros políticos estamos sendo sondados. Não há mais ideal, só busca por político que esteja mais próximo do sucesso. Tenho 20 anos de PSDB e toda a minha carreira política foi dentro do PSDB. Não troquei de partido quando estivemos dentro ou fora de governos. Não fui PSDB somente quando o Fernando Henrique Cardoso era o presidente, mas sou PSDB nesses 12 anos em que estamos distantes do governo federal. Discuto e discordo de alguns pontos e procedimentos dentro do partido, e tenho o direito de discordar. Mas, em nenhum momento nutri o desejo de me desfiliar, apenas me preocupei com a instabilidade interna do partido. Isso nunca passou de um desabafo.

 

[PE] - E em 2014?

BM -Sou bicho político. Sou um ser político. Nunca chegará o dia em que a política virará, para mim, apenas um caminho profissional. Nem o dia em que precisarei da política para ter emprego. Se isso acontecer, eu terei abandonado meus sonhos, ideais e convicções. Serei candidato. Ainda tenho dúvidas sobre o projeto a seguir, mas pretendo em até 60 dias construir um planejamento para 2014. Por enquanto, tenho me dedicado a ser um ótimo secretário. As pessoas que me conhecem sabem que não trabalho visando votos na eleição. Aqui, na Secretaria, as decisões acontecem com cunho profissional.

 

[PE] - Ainda tem tempo para surfar?

BM -Infelizmente não. Confesso que já engordei mais de três quilos por falta de atividade física. Em Imbituba, jogava tênis e brincava de surfar. Não sou surfista profissional, surfo de pranchão, com ondas gordas e de formação lenta, para dar tempo de subir e não levar uma vaca (risos).

 

[PE] - Sente falta de ser prefeito de Imbituba?

BM -Vivia uma vida provinciana que é gostosa demais. O prefeito chega em casa às 19 horas, coloca um calção, vai jogar futebol com os amigos e depois fica para o churrasco. Na verdade, o futebol é a desculpa para o churrasco e a conversa. Hoje é mais difícil, já que tenho percorrido muitos lugares do estado. Quero conhecer Santa Catarina. Tornamo-nos muito mais produtivos quando conhecemos as necessidades de perto. Essa agenda maluca, no bom sentido, não tem me permitido momentos de lazer e, principalmente, emagrecer.

 

 

Andréa Leonora e Nícola Martins

Florianópolis, 5 de agosto de 2013.

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