Entrevista com o Superintendente Regional Caixa - SC, Jacemar de Souza

27.05.2013

 

"O interior de SC tem uma grande força econômica"

 

Jacemar de Souza, Superintendente Regional Caixa - SC
 
 
"Nos últimos três anos, dobramos o número de agências no estado."
 
 
Funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal, assumiu a superintendência catarinense do banco em 2012, após passar por superintendências regionais. Nos últimos anos, a Caixa reabriu agências que foram fechadas na década de 90. Para o superintendente, a importância dessas agências - reabertas principalmente no interior do estado - vai ao encontro das necessidades da economia catarinense, cada vez mais regionalizada. Nessa entrevista exclusiva concedida à ADI-SC/CNR-SC/Central de Diários, Jacemar de Souza fala sobre o Feirão de Imóveis da Caixa, dos programas do governo federal, além de ressaltar o orgulho que sente da instituição: “Quando a Caixa participa de algum programa, ou se coloca a cumprir uma meta do governo federal, o funcionário vê que está fazendo a diferença para o futuro do país.”

 
[PeloEstado] - Qual a principal demanda dos clientes?
Jacemar de Souza - As principais demandas ainda são habitação e poupança. Nos últimos anos, a Caixa tem ampliado os outros negócios, como empréstimos para pessoas físicas e, principalmente, o consignado, que tiveram crescimento considerável. No ano passado, o crédito a pessoas físicas no Brasil teve crescimento de 18%. Na Caixa, esse crescimento foi de 47%. Santa Catarina segue a tendência nacional. Também houve incremento de crédito para micro e pequenas empresas. Aos poucos, começam a surgir outras demandas importantes, como os programas do governo federal, que são a Rede de Proteção Social e envolvem programas como o Bolsa Família. A nova classe média surgida nos últimos anos e as pessoas que saíram da extrema pobreza têm estreita relação com a Caixa. Mesmo Santa Catarina sendo um estado com índice social muito bom, uma parte da população ainda tem ligação com a Caixa.
 
[PE] - Como foi o crescimento da Caixa no estado?
JS - Tivemos um crescimento importante, reabrindo agências que haviam sido fechadas na década de 90. Reabrimos em São João Batista, Pinhalzinho, Dionísio Cerqueira e vários outros municípios onde a Caixa estava operando somente por meio das casas lotéricas. Nos últimos três anos, dobramos o número de agências em Santa Catarina.
 
[PE] - O interior catarinense é importante para o banco?
JS - Muito. A Caixa, hoje, tem cinco superintendências regionais, em: Chapecó, Blumenau, Criciúma, Joinville e Florianópolis. O interior tem uma grande força econômica, que também é importante para a Caixa. A economia catarinense está bem distribuída em todas as partes do estado com suas vocações regionais. 
 
[PE] - Algum destaque?
JS - O setor de habitação tem destaque na Grande Florianópolis. Se olharmos o setor empresarial, o Vale do Itajaí é maior. Olhando para o Oeste, a habitação rural é o destaque, importante para manter o homem no campo. Falamos muito que o estado tem processo de litoralização, com pessoas saindo do interior e vindo morar no litoral, mas quando a Caixa faz de 15 mil a 20 mil unidades habitacionais rurais, mantém o homem no campo e dá qualidade de vida a ele. O Oeste, por exemplo, tem crescido muito. Basta olharmos a quantidade de voos que há no aeroporto de Chapecó e o tumulto causado quando houve o fechamento. Isso mostra o dinamismo daquela região. 
 
[PE] - O boato sobre o fim do Bolsa Família atingiu Santa Catarina?
JS - Esse boato ficou muito restrito à região Nordeste, chegando um pouco ao Rio de Janeiro e a alguns municípios de Minas Gerais. A investigação sobre os motivos do boato está sendo feita pelo Ministério da Justiça. Somos uma empresa 100% pública. O brasileiro passa na Caixa e todos são nossos clientes, seja para fazer o número do PIS em busca do primeiro emprego ou para requerer sua aposentadoria e retirar o seu Fundo de Garantia.
 
[PE] - O Bolsa Família é um programa paternalista?
JS - São mais de 13 milhões de famílias brasileiras que recebem o Bolsa Família, carro-chefe dos programas de transferência de renda. Ouvimos muito falar que é um programa paternalista e que as pessoas entram e não querem mais sair. Porém, percebemos  justamente o contrário. Começam a surgir pesquisas, até acadêmicas, que apontam que a grande maioria que recebe o programa devolve o cartão ao banco quando o programa não lhes é mais necessário. 
 
[PE] - O crédito imobiliário em Santa Catarina segue a tendência nacional?
JS - Santa Catarina é um espelho do que acontece no Brasil. No início dos anos 2000, financiávamos, no Brasil, entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões ao ano. E em 2012 financiamos R$ 100 bilhões. Proporcionalmente, o grande volume também é perceptível no estado.
 
[PE] - Há estudo sobre déficit habitacional no estado?
JS - Existem estudos do IBGE e da Fundação João Pinheiro que remetem a algo em torno de 130 mil unidades habitacionais de déficit, atualmente, no estado. Santa Catarina tem o menor déficit habitacional do Brasil. Temos parceria de longa data com a Cohab-SC em questões de habitação rural e estamos alinhando outros convênios. 
 
[PE] - E o Minha Casa, Minha Vida?
JS - Hoje, para a chamada Faixa 1 – famílias com renda até R$ 1,5 mil – existe muito subsídio e há orçamento na União. A Caixa contrata a construtora, que compra o terreno e constrói a unidade habitacional para uma lista de famílias cadastradas na prefeitura,  seguindo uma série de requisitos. Em Florianópolis, especificamente, não há contrato assinado para Faixa 1, porque uma unidade habitacional custa R$ 64 mil. Agora, a prefeitura anuncia a compra de um terreno para 96 unidades para essa faixa. Uma medida muito importante, porque o valor dos terrenos em Florianópolis e região é muito alto. De uma maneira geral, em  Santa Catarina existe boa vontade dos prefeitos, mas em alguns lugares a maior dificuldade é a falta de terrenos.

[PE] - Como funciona o Feirão da Caixa?
JS - Em Florianópolis, foram para o Feirão construtoras e projetos validados pela Caixa. Os compradores têm certeza que todos os trâmites legais foram cumpridos e a procedência desses imóveis é confiável. Pelo estado, o feirão terá a característica regional. Com o boom habitacional no Brasil, surgiram investimentos e a cultura de comprar o imóvel pronto, independentemente da origem. No Feirão, apenas imóveis avaliados são oferecidos.
 
[PE] - Como a Caixa busca aumentar a clientela?
JS - Ampliando a rede e melhorando as condições de atendimento. Nossas agências estão há um bom tempo fora do ranking negativo feito pelo Banco Central. Além de todos os serviços oferecidos por um banco comercial, a Caixa também tem a gama de serviços solicitados pelo governo federal: seguro-desemprego, fundo de garantia, Bolsa Família, entre outros. E temos poucas reclamações. No ano passado surgiu o Caixa Melhor Crédito, uma ação para redução de juros. Isso atraiu uma grande parcela da população ao banco, o que foi sentido também em Santa Catarina, com o crescimento no número de clientes. 
 
[PE] - Como funcionou o Melhor Crédito?
JS - Acompanhamos o governo federal dizendo que o spread bancário e as taxas de juros eram altos e que deveríamos fazer um movimento para reduzir. O volume de crédito brasileiro cresceu com taxa alta e prazo reduzido. Já era hora de reduzir a taxa e aumentar o prazo para dar um novo fôlego à economia. No primeiro momento, houve reação contrária de bancos e até economistas, ressaltando que haveria inadimplência. E isso não aconteceu. A inadimplência manteve-se no mesmo nível. Esse programa veio para ficar.
 
[PE] - Como é a relação com os municípios catarinenses?
JS - Na grande maioria dos municípios onde a Caixa tem agência, ela também é responsável pela folha de pagamento dos servidores. Temos excelente relação com as administrações. Logo que os novos prefeitos foram eleitos, houve um convite para reunião com a Caixa para apresentação de programas, porque mais de 80% dos recursos dos ministérios aos municípios são repassadas por meio da Caixa. A partir desse ano, todos os municípios com mais de 100 mil habitantes têm um funcionário específico da Caixa atuando na prefeitura, dando toda assistência necessária. Os pequenos municípios também recebem nossa assistência, com treinamentos constantes a técnicos indicados pelas prefeituras.
 
[PE] - Percebe-se que o senhor tem muito orgulho do banco.
JS - É isso mesmo. Se você falar com um empregado da Caixa, ele vai dizer que tem muito orgulho de trabalhar nessa empresa. Quando a Caixa participa de algum programa ou se coloca a cumprir uma meta do governo federal, o funcionário vê que está fazendo a diferença para o futuro do país. Esse é um momento de orgulho dos colaboradores.
 
 
 
Andréa Leonora e Nícola Martins     
Florianópolis, 27 de maio de 2013
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