Entrevista com o vice-governador de SC, Eduardo Moreira

01.04.2013

 

“O político que está na vida pública e não almeja ocupar o cargo de governador , tem que ir pra casa”

Eduardo Pinho Moreira, vice-governador de SC

 

 

“Não existe nada que seja impossível na política”

 

Vice-governador e presidente estadual do PMDB, Eduardo Pinho Moreira não define ações do partido para 2014, mas já projeta o que deve ser realizado. No dia 21 de março, o partido reuniu prefeitos, vices e vereadores para informar sobre programas, mas as eleições também foram tratadas. O deputado federal Mauro Mariani e o prefeito de Balneário Camboriú, Edson Piriquito, puxaram o coro dos que defendem que o PMDB deve ter candidatura própria no próximo ano. Nesta entrevista à ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC, concedida pouco antes de viajar em férias para a Europa, Moreira ressaltou a lealdade ao governador Raimundo Colombo, não rejeita uma chapa com PSD, PMDB, PSDB e PP e ainda revela que sonha em ser governador com seu próprio mandato.

 

PeloEstado] - Como foi o encontro com os líderes do PMDB no estado?

Eduardo Moreira - O saldo foi positivo. O encontro teve a finalidade de levar conhecimento técnico aos prefeitos, vices e vereadores. Como a burocracia federal é muito intensa, foi mostrado para os novos gestores peemedebistas como se cadastrar, como buscar recursos federais e integrar os programas para liberação de verbas aos municípios, já que a grande parte dos tributos e impostos fica em Brasília. Naturalmente, também discutimos a parte política e as posições legítimas dos companheiros, que variam entre candidatura própria ao governo do Estado e composições com outros partidos. Essa discussão vai ocorrer no tempo certo. Houve muita lucidez de alguns companheiros, caso do (deputado federal)Mauro Mariani, que defende uma corrente (de candidatura própria). Mas 2014 será definido em 2014. Atualmente, o PMDB é governo. Nós ganhamos a eleição em 2010 e estamos administrando e governando junto com Raimundo Colombo. O partido ocupa espaços no âmbito administrativo e neste momento o que temos que garantir é a governabilidade para o mandato ser um sucesso e a população de Santa Catarina ser beneficiada.

 

[PE] - Como reage a críticas ao governo, como a do prefeito Edson Piriquito?

EM - Algumas são justas e outras, não. O Piriquito (prefeito de Balneário Camboriú) reclama da saúde, que quer mais recursos para hospital, mas se esqueceu de reclamar do governo federal. Só reclamou do governo estadual. A grande crise da saúde no Brasil é culpa do governo federal, que não remunera de maneira adequada os profissionais do SUS. Esse é um dos problemas de Balneário Camboriú, que é um município forte. O Piriquito é muito impetuoso e está buscando fazer o melhor que pode para o município, mas não é assim que se faz. Já sobre as falas que tratam da eleição de 2014, vai acontecer tudo no momento certo, que não é agora. O PMDB vai saber muito bem escolher o seu

Caminho.

 

[PE] - Como a base do partido lida com a permanência no governo e a candidatura própria?

EM - Em 2010, o PMDB tinha o Luiz Henrique da Silveira como governador e havia um pré-candidato, que era eu. Nós fizemos uma composição inteligente, que nos deu a vitória no primeiro turno. Eu era candidato ao governo até o mês de junho, mas na convenção o partido tomou a decisão, de forma soberana, pela composição. Outros casos ocorreram. Por exemplo, o Paulo Afonso Vieira e o Luiz Henrique disputaram a vaga para concorrer ao Senado e o Luiz Henrique ganhou. O Edison Andrino disputou para concorrer ao governo e o partido escolheu indicar o vice. A decisão sempre será partidária e vai esquentar a partir do ano que vem, o que é normal. Em 2013 temos que dar mais ênfase à parte administrativa. Não podemos esquecer que os prefeitos recém-empossados precisam de parceria com o governo do Estado e tudo isso tem que ser muito bem construído. Por isso, entendemos que as posições são antagônicas. Provavelmente, hoje, o maior líder político de Santa Catarina é o senador Luiz Henrique. E o que ele defende? A reedição da coligação do PMDB com o Raimundo Colombo. As opiniões fortes e importantes serão manifestadas, mas a decisão mesmo sairá só no ano que vem.

                                                                                                                                              

[PE] - Como está a relação com Raimundo Colombo?

EM - Excelente. Da melhor qualidade. Raimundo e eu nos damos super bem. Conversamos praticamente todos os dias. Qual é a preocupação do Raimundo Colombo e do Eduardo Moreira? É de tratar bem Santa Catarina. Somos políticos experientes e dedicados à administração pública há tantos anos, que temos uma bandeira. Queremos terminar o governo em 31 de dezembro de 2014 com muitas realizações e com muitos investimentos para o estado. Esse é o nosso foco. Mas, somos políticos e temos partidos diferentes. Em 2014, vamos buscar o mesmo caminho. Se estivermos juntos, que bom, é mais uma jornada que teremos. Se não, cada um terá pela frente o caminho que seu partido escolheu.

Governador Raimundo Colombo e Eduardo Moreira

 

[PE] - Poderia dar uma nota para o mandato até aqui?

EM -Quero dar a nota no final da administração e chegar muito perto de dez. Estamos em fase de muitos lançamentos na saúde, na infraestrutura, na segurança pública, na educação, na assistência social. Nunca existiu na história de Santa Catarina um investimento tão maciço e tão vultoso. Não se pode colher antes do tempo, porque ainda não está pronto. É preciso colher na época oportuna, que será em 2014.

 

[PE] - Tem conversado com o vice-presidente da República, Michel Temer?

EM - Converso bastante com ele. Estive há pouco tempo com ele e com o presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp, e eles têm um orgulho danado do PMDB catarinense. De todos os estados brasileiros, o melhor desempenho nas eleições de 2012 foi do PMDB de Santa Catarina. Eles têm orgulho e fazem referência a esse feito. Apesar de sermos o maior partido do Brasil, ocupamos a vaga de vice-presidente, o que é nobre, mas não estamos na cabeça. Em Santa Catarina é o mesmo. Administramos oito anos e agora coligamos. Tudo com um só objetivo: transformar Santa Catarina no melhor estado do Brasil.

 

[PE] - O senhor foi governador por oito meses em 2006. Ainda nutre o sonho de ter seu próprio mandato?

EM - O político que está na vida pública e não almeja ocupar o cargo de governador, tem que ir para casa (risos). Descartado, o sonho não está. Sei das dificuldades e que posso contribuir como governador, como vice e em qualquer outra função pública, mas é claro que a expectativa de um dia chegar ao governo não acabou ainda.

 

[PE] - E as eleições para o PMDB catarinense?

EM - Encontrar o denominador comum e a conciliação sempre é o melhor caminho. O ideal de buscar conciliar, encontrar o consenso e construir uma chapa única deve ser perseguido. Mas, caso isso não ocorra, não seria a primeira vez que haveria disputa pela presidência do PMDB de Santa Catarina. Muito pelo contrário. O partido tem tradição de disputas internas. Porém, vamos buscar o consenso.

 

[PE] - E a possibilidade de uma chapa para 2014 com PSD, PMDB, PSDB e PP?

EM - As possibilidades são infinitas. Antigamente, tínhamos o MDB e a Arena. Depois, PMDB e PDS. Em seguida, os partidos foram se segmentando e crescendo. Então, é um processo complexo e difícil. Enquanto tivermos essa grande quantidade de partidos no Brasil, tudo é possível. Sou favorável a diminuir consideravelmente o número de partidos políticos. Temos grupos ideológicos e com posições firmes na cena política brasileira. Tirando como exemplo as eleições municipais de 2012 aqui em Santa Catarina, tivemos coligações de todos os tipos. Hoje em dia, não existe nada que seja impossível na política.

 

 

Andréa Leonora e Nícola Martins

Florianópolis, 01 de abril de 2013.

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