Entrevista da Semana: Valdir Cobalchini, Secretaria Infraestrutura

06.09.2012

“SC tem que ter um crescimento harmonioso”

Valdir Cobalchini

Nasceu em São Lourenço do Oeste e é formado em Direito. Foi secretário Desenvolvimento Regional de Caçador e secretário de Coordenação e Articulação (Casa Civil), no governo de Luiz Henrique da Silveira. Nas eleições de 2010, foi o deputado com a maior votação entre os candidatos de seu partido, o PMDB. Entretanto, deixou o assento no Legislativo para assumir o cargo de secretário da Infraestrutura, em janeiro de 2011. Cobalchini recebeu a reportagem da ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC em seu gabinete para falar um pouco sobre o trabalho que vem realizando.

 

"Não ficamos aqui nos lamentando, “ah, não tem recursos, e agora o que vamos fazer? 
Só dizer “não” às demandas seria muito cômodo, mas optamos por buscar alternativas."


[PeloEstado] - A Secretaria de Infraestrutura está hoje muito maior do que no início desse governo?

 

Valdir Cobalchini - Quando nós assumimos a secretaria, fizemos o óbvio: um diagnóstico da situação da nossa malha viária, identificando os problemas e buscando soluções. Radiografamos 100% das nossas rodovias e fizemos um projeto de revitalização das nossas rodovias. Ao mesmo tempo, também buscamos saber o porquê de tantos acidentes, o que coloca Santa Catarina, proporcionalmente, entre os mais violentos do Brasil.

[PE] - Levantamento feito pelo Batalhão de Polícia Militar Rodoviária?

VC - Isso mesmo. Com esse trabalho, identificamos os chamados pontos críticos, onde ocorrem mais acidentes. A partir daí, elaboramos um programa para correção desses pontos a fim de evitar a repetição de acidentes. Paralelamente, fomos ver onde estavam os gargalos, rodovias construídas há várias décadas e que não receberam mais investimentos. Algumas não têm acostamentos ou pontos de escape, outras têm curvas muito acentuadas e outras, ainda, ficaram espremidas pelo crescimento urbano às suas margens, gerando graves problemas de falta de mobilidade. Esse novo estudo nos deu condições para construir projetos em busca de rodovias mais modernas, mais estruturantes e seguras, fugindo das travessias urbanas por meio de contornos rodoviários.

[PE] - E os recursos?

VC - Cada passo foi acompanhado pela busca de recursos. Começamos com o programa BID IV (Banco Interamericano de Desenvolvimento). No ano passado, conseguimos que o Ministério do Planejamento priorizasse os encaminhamentos para o BID IV, autorizasse e encaminhasse para a STN (Secretaria do Tesouro Nacional). Paralelamente, trabalhamos numa outra frente, no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a revitalização das rodovias e iluminação dos pontos críticos. Hoje o Estado recebe um incremento importante também por conta da boa vontade do governo federal. Com esses recursos, é possível pensar em modernizar, em tornar o estado mais competitivo, em melhorar as condições de logística. Mas tudo tem que ser muito bem demonstrado em cada órgão em que vamos pedir recursos. É necessário mostrar coerência nos planos.

[PE] - O senhor está se referindo basicamente às rodovias. O que foi feito nas demais áreas?

VC - Nós aproximamos os portos da Secretaria, porque estão entre as competências da pasta. Não chegavam a estar relegados ao segundo plano, mas também não estavam presentes na nossa agenda diária. Era algo eventual. Agora nos aproximamos de todos os portos, inclusive dos privados. Porque é difícil para a autoridade portuária tratar diretamente com a SEP (Secretaria de Portos), com a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) ou com autoridades federais, lá em Brasília. E a Secretaria de Infraestrutura tem essa representação institucional e deve apoiar. Os portos são muito importantes para o estado. Agora estamos na fase de projetos para que os portos também estejam inseridos nos investimentos do Estado, e não só da SEP, como vinha acontecido.

[PE] - Aeroportos também estão na pauta?

VC - Da mesma forma, busca­mos nos aproximar dos aero­portos. Construímos os aero­portos de Jaguaruna, de Lages, de São Joaquim. Mas agora estamos envolvidos num pla­nejamento que envolve os ae­roportos regionais, trabalhan­do cenários futuros. E estamos fazendo algo inédito. O Estado tem a delegação da Secretaria de Aviação Civil (SAC) da Pre­sidência da República para a gestão dos aeroportos. Nós sub­delegamos essa gestão aos municípios. E agora há um modelo novo, que a SAC inaugurou com Santa Catarina. São os primeiros dois convênios do Brasil que abrem a possibilidade de o Es­tado terceirizar a gestão, o que vai acontecer já em Jaguaruna e em Correia Pinto. O Estado continuará fiscalizando, monitorando, realizando investimentos estratégicos para a viabilidade dos aeroportos.

[PE] - O movimento econômico das regiões é considerado em cada ação?

VC - Sim. Temos que entender que a economia é mais dinâmica, que há um modal importante para o desenvolvimento regional. Por isso, estamos investindo pesadamente nos aeroportos. Exemplo disso é o aeroporto de Chapecó que passou por obras essenciais, o que exigiu seu fechamento por 70 dias e toda aquela região se ressentiu. Mas é necessário investir e queremos nos antecipar aos problemas. Estamos planejando a construção de um novo terminal e de um novo acesso, obras que vão colocar o aeroporto de Chapecó como um dos mais importantes não só de Santa Catarina, mas do Sul do Brasil. Consolidamos uma aproximação com a Infraero, com a SAC, com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Nós recebíamos aqui notificações, mas não conversávamos com os órgãos de controle. Hoje o ambiente é de diálogo permanente não só com esses órgãos, mas com o DNIT, com os ministérios dos Transportes, das Cidades, do Turismo. Inauguramos uma relação diferente do governo estadual com o governo federal. E sempre com a participação do Fórum Parlamentar Catarinense.

[PE] - Por que o destaque ao Fórum Parlamentar?

VC - Nós temos procurado envolver sempre os nossos senadores e deputados federais. Isso nos levou a conquistar, dentro do Orçamento da União 2012, várias, várias emendas para a Secretaria de Infraestrutura. Isso desonera o Estado, aumenta a nossa capacidade de investimento. É um trabalho que vamos manter e intensificar.

[PE] - A Secretaria cresceu em volume de atividades. O orçamento acompanhou?

VC - O que nós fizemos foi potencializar o nosso orçamento. O Estado, seja para a Infraestrutura ou qualquer outra, se contar unicamente com a fonte 100, que é o Tesouro do Estado, vai ter muita dificuldade. Nós buscamos alternativas à fonte 100. Não ficamos aqui nos lamentando, “ah, não tem recursos, e agora o que vamos fazer?”. Só dizer não às demandas seria muito cômodo, mas optamos por buscar alternativas, como usar a Lei Rouanet para captar recursos para a recuperação da ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. Muitos duvidaram que fosse possível e agora estamos buscando a participação de grandes empresas, estatais e privadas, para compor o recurso necessário para a restauração.

[PE] - A relação com as entidades empresariais tem sido valorizada?

VC - Sem dúvida. Temos tido muito contato com entidades que exercem forte representação, como a Fiesc (Federação das Indústrias), a Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística), as polícias rodoviárias Estadual e Federal, além de entidades dos principais municípios de Santa Catarina, que têm nos municiado com informações, algo fundamental para conhecermos melhor a realidade das cidades e das regiões. Com isso as decisões são mais acertadas, seguindo rígidos critérios de prioridade. E atendem o macro, as questões estratégicas.

[PE] - O esforço é para recuperar o tempo perdido?

VC - Não seria possível pensar nesse conjunto há dez anos. O governador Luiz Henrique (da Silveira/PMDB, hoje senador) implementou um programa que serviu como etapa para o que estamos vivendo agora, que foi levar pelo menos um acesso a cada um dos municípios do estado. Não era possível pensar em uma rodovia estruturada se 60 cidades sequer tinham acesso? Não estamos olhando pelo retrovisor. A nossa gestão olha para frente. Mas o que estamos fazendo agora só é possível pelo que foi feito no passado.

[PE] - Quando a população começa a perceber essas ações?

VC - Já temos obras em andamento e existem muitas outras sendo licitadas. Há algumas começando ainda em 2012. Aliás, 2012, 2013 e 2014 serão anos de intensa atividade, de muitas obras. E aqui entra uma preocupação. Nós estamos, fisicamente, em Florianópolis, mas temos que ter a capacidade de ver além, de enxergar os extremos do nosso estado e identificar quais são as ações importantes para o desenvolvimento de Santa Catarina. O estado tem que ter um crescimento harmonioso. É preciso potencializar alguns investimentos, em algumas regiões mais deprimidas economicamente para que possam ascender e, com isso, melhorar a vida local, contribuindo para o todo do estado. Temos índices de primeiro mundo em algumas áreas e em algumas regiões, mas, infelizmente, também ainda temos índices comparáveis aos estados do nordeste. Quem está aqui, sentado numa cadeira de secretário de Estado, tem que levar isso muito a sério. Tem que ter esse foco.­­­­

Andréa Leonora

Florianópolis, 10 de setembro de 2012

Pelo Estado Entrevista

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