Entrevista Nacional: presidente dos Correios

03.09.2012

“A previsão é investir R$ 4,3 bilhões até 2015”

Wagner Pinheiro de Oliveira é economista formado pela Unicamp, com especialização em Administração e Gestão Financeira pela FGV/SP e em Finanças pela USP, em janeiro de 2011 ele assumiu a presidência dos Correios. Desde então, tem sob seu comando quase 115 mil funcionários efetivos, dos quais 85,71% trabalhando diretamente em atividades operacionais. A movimentação média diária de cartas e encomendas é de 36 milhões de objetos e a rede de atendimento soma quase 40 mil pontos. Nada pode falhar no dia a dia dessa empresa, que em 2011 alcançou R$ 14,6 bilhões de receita. Muito menos nas chamadas megaoperações: ENEM (5,3 milhões de provas distribuídas em 2011), Eleições (258.721 urnas distribuídas em 2010) e Livros Didáticos (163 milhões de livros levados a 135 mil escolas do país). Nessa entrevista exclusiva à rede ADI-BR/Central de Diários, falou sobre o momento da empresa, investimentos que têm sido feitos, planos de expansão e metas de crescimento.

 

Wagner Pinheiro de Oli­veira

 

Como está o processo de modernização da empresa? O que já foi realizado nesse um ano?

Estamos adiantados na questão dos serviços postais eletrônicos e das parcerias comerciais. Por exemplo, estamos expandindo o serviço de digitalização, transporte e entrega de processos do Poder Judiciário. Também estamos finalizando os estudos para a entrada no mercado de telefonia móvel virtual.

Avançamos ainda na modernização dos nossos serviços. Hoje,todos os carteiros de Bauru (SP) já trabalham com ‘smartphone’ para rastreamento de cartas e encomendas em tempo real. Até o final do ano, 2.500 carteiros estarão fazendo isso com o SEDEX 10 e os clientes desse serviço irão receber via SMS notificações sobre o andamento da encomenda.

A intenção é dotar gradualmente todos os nossos 60 mil carteiros dessa ferramenta. Também lançamos o SEDEX 12, ampliando a cobertura do serviço de entrega com hora marcada. Além disso, conseguimos investir muito na estrutura da empresa, o que é necessário para o processo de modernização.

Que investimentos foram feitos desde a sanção da lei 12.490/11 e quais os resultados?

Contratamos 10 mil novos trabalhadores no ano passado. Em 2012 e 2013, estamos contratando mais 9.904. Também investimos R$ 250 milhões na melhoria das unidades operacionais, administrativas e de atendimento e na compra de veículos e equipamentos.

São números que se refletem diretamente na qualidade da prestação de serviço à população. No segundo semestre, queremos investir mais de R$ 350 milhões, dos quais R$ 200 milhões serão destinados à compra de terrenos em São Paulo, Distrito Federal e Bahia para a construção de grandes centros de tratamento.

 

A empresa tem um plano estratégico de longo prazo, o Correios 2020. Quais os objetivos? O caminho está sendo preparado? Quais os investimentos previstos?

O objetivo érevitalizar a empresa, criar novos produtos para melhor atender a população brasileira. Para isso,vamos automatizar nossos centros operacionais e nosso processo de entrega, investir em pessoal e infraestrutura, criar novos serviços e trabalhar na melhoria da gestão corporativa. Estamos adotando, hoje, mecanismos modernos de gestão que já são utilizados pelas maiores empresas de capital aberto do Brasil. A previsão é investirmos, até 2015, R$ 4,3 bilhões.

Quais os novos negócios da ECT?

Nosso planejamento prevê um leque de novos negócios. Entre eles, oferta de telefonia móvel virtual (telefonia celular), fornecimento de mais soluções de comunicação digital, novidades no segmento de encomendas expressas e de logística integrada, além dos primeiros passos para a internacionalização, com abertura de escritórios de prospecção em países que tenham maior fluxo postal com o Brasil.

Atuamos com serviços mais adequados às novas tecnologias: envio de carta e telegrama via internet; digitalização, transporte e entrega de processos do Poder Judiciário; entrega de encomendas de e-commerceeConta Certa (leitura e impressão, no ato, pelo carteiro, de contas de água, luz e gás), apenas para citar alguns. 

As cartas ainda são um bom negócio?

A entrega de carta pessoal não é somente um serviço comercial, mas um atendimento à população. E continua essencial, principalmente para os moradores das pequenas e médias localidades. Do ponto de vista comercial, a receita que temos com os serviços exclusivos (cartas e telegramas) praticamente equivale ao custo de manutenção da estrutura necessária para realizarmos a entrega em todo o Brasil, a preços acessíveis à população.

Estamos em fase de Enem e Eleições. Juntamente com a distribuição de livros didáticos, são grandes operações dos Correios. Quais as exigências para que tudo dê certo? (pessoas mobilizadas, meios de transportes, recursos financeiros...)

Um fator importante, sem dúvida, é a capilaridade da empresa, presente em todo o País. Também é preciso ter estrutura adequada para a prestação desses serviços: frota renovada, equipamentos adequados etc. A mobilização dos Correios é um item fundamental e justamente por isso temos trabalhando intensamente na oferta de melhores condições de trabalho e na qualificação de nosso corpo profissional.

Os Correios foram, e são, importantes no acesso da população mais simples ao sistema bancário. Haverá expansão desse serviço? (Estamos falando com o interior do Brasil, região onde este serviço é muito importante. Se puderem aprofundar com dados do interior...)

Em 10 anos, cerca de 11 milhões de contas foram abertas no Banco Postal, que leva os serviços postais básicos para localidades que muitas vezes não eram atendidas por esse setor. Para se ter uma ideia da utilidade do serviço, 93% desses correntistas declararam ter renda de até 3 salários mínimos; mais da metade declarou ter renda mensal de até um salário mínimo.

Hoje estamos atuando em parceria com o Banco do Brasil. O Banco Postal está em mais de 6 mil agências dos Correios em todo o Brasil e será levado a mais localidades conforme a nossa rede de agências for crescendo e sendo expandida. No ano passado, por exemplo, inauguramos a primeira agência de Correios em uma comunidade pacificada do Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão.

Com tantos serviços feitos por meio eletrônico, a agência física dos Correios vai perdurar?

Irá perdurar e melhorar. Nossa intenção, com todas as mudanças que estamos implantando, é que a agência de Correios seja uma loja de serviços ao cidadão brasileiro, tanto para ofertar uma série de serviços além dos que já ofertamos, como também para proporcionar acesso aos serviços públicos e às políticas do governo.

Falando em agências, está em andamento o processo de licitação para franqueadas. O que vai mudar? Quantas novas agências devem surgir?

Em 30 de setembro, concluímos o processo de licitação de agências franqueadas, uma pendência que se arrastava há quase dez anos. São 1.370 franquias em todo o País: 300 já estão funcionando no novo formato e mais de 900 são consideradas licitações bem sucedidas, que estão em fase de instalação ou com processo em andamento. Para aquelas que não foram licitadas com sucesso, estamos providenciando o atendimento alternativo ao cliente.

A nova rede irá atender melhor à população, com sistema de automação de atendimento online, imóveis compatíveis com a quantidade de guichês, mobiliários e equipamentos adequados, entre outras novidades.

Acabamos de sair dos Jogos Olímpicos 2012 e os Correios investem pesadamente na formação de novos atletas. Pode falar um pouco sobre esse trabalho de inclusão social via esporte? Há planos específicos para os jogos de 2016?

O patrocínio é uma das formas de contribuir com o desenvolvimento do esporte como um todo, como parte da formação do cidadão. Para isso, nós patrocinamos as confederações de tênis, futebol de salão e desportos aquáticos. Os recursos que repassamos a essas confederações são usados para o apoio aos atletas de ponta e também na manutenção de escolinhas. Hoje, temos 10 mil crianças e adolescentes participando dessas escolinhas.

E na área cultural?

Também temos atuado bastante nesta área. Além de reabrir o Museu Nacional dos Correios, em Brasília, destinamos R$ 10 milhões para patrocínio de projetos nas nossas unidades culturais de Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Fortaleza, Juiz de Fora e Brasília. Como empresa pública, é também nosso papel proporcionar ao cidadão acesso à cultura.

Quais os resultados financeiros projetados para 2012?

A receita de vendas estimada é de R$ 15 bilhões e acompanha os resultados positivos que vêm sendo obtidos. Essa é a missão que temos: fortalecer os Correios como empresa pública, para que continuem oferecendo serviços de qualidade, merecendo a confiança da população e sendo um patrimônio lucrativo para o cidadão, que é o proprietário da empresa.

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