Pelo Estado Entrevista: Ademir Arnon

03.08.2012

“A ACI é intransigente na defesa da democracia”

À frente da réplica do prelo no qual foi editado o primeiro número do jornal “O Catharinense”, na Laguna de 1831, Ademir Arnon, presidente da Associação Catarinense de Imprensa (ACI), reforça a importância de se manter vivas a memória e a história. Mas, com os dois pés na modernidade, está à frente do projeto de instalação do Museu da Comunicação, planejado nos moldes dos museus da Língua Portuguesa e do Futebol, de São Paulo. Nessa entrevista exclusiva à reportagem da ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC, Arnon fala das comemorações pelos 80 anos da entidade e dos planos para o futuro da ACI.

[PeloEstado] - ACI 80 anos. Fale um pouco da trajetória da associação e do que está sendo organizado para co­memorar a data.

 

Ademir Arnon - A Associa­ção Catarinense de Imprensa, a ACI, foi fundada em 31 de julho de 1932 por Altino Flores. É a entidade máter da Comunica­ção catarinense e uma das mais antigas do Brasil. Quando a ACI foi fundada, tinha caráter não só associativo, mas cumpria também o papel reivindicatório que o sindicato passou a exercer a partir da década de 50. Curio­samente, já nasceu com um espírito pluralista. Não se ocu­pava apenas com jornalistas, mas também com profissionais de outras áreas da Comunica­ção. Outro detalhe interessante da história da ACI é que ela é e sempre foi filiada à Associação Brasileira de Imprensa, a ABI, com sede no Rio de Janeiro, e sempre teve e tem relações in­ternacionais, com associados es­trangeiros ou correspondentes internacionais. Na maior parte, os associados da ACI eram a eli­te intelectual de Santa Catarina. Tanto que o Altino Flores tam­bém fundou a Associação Cata­rinense de Letras. Os grandes nomes da literatura catarinense sempre estiveram vinculados à nossa associação.

[PeloEstado] - O senhor falou que a ACI cumpria um papel reivindicatório. Como isso se dava?

AA - A ACI sempre teve, desde sua primeira formação, a defesa intransigente das liberdades de Imprensa e de expressão, das liberdades democráticas. Isso é uma marca muito forte, ainda mais se considerarmos que nes­ses 80 anos a Associação atra­vessou várias fases do país, al­gumas de ditadura. Nosso foco é defender o profissional de Co­municação, sem abrir mão da de­fesa das garantias democráticas.

[PE] - Qual a programa­ção para comemorar os 80 anos da ACI?

AA - A programação começou no dia 27 de julho, com home­nagens a Jerônimo Coelho, fun­dador da Imprensa, na Capital e, dias mais tarde, em Laguna, onde tudo começou. Também vale lembrar que a Associação e a Maçonaria catarinense têm o mesmo patrono, que é o Je­rônimo Coelho. Por isso esses dois atos são realizados sempre em conjunto. Até o dia 15 de de­zembro, quando ocorre o even­to de encerramento das come­morações, teremos uma série de atividades, não só de confra­ternização, mas também even­tos significativos, como o do dia 23 de agosto, quando vamos realizar, na Capital, o Simpósio Judiciário e Imprensa e, no dia 9 de novembro, em Chapecó, o Seminário Convergência pela Democracia. Teremos edições do Pautas e Panelas, quando reunimos profissionais da Co­municação para um bate-papo gourmet, e o grande evento comemorativo aos 80 anos da ACI está marcado para o dia 7 de agosto (terça-feira). Trata-se da Sessão Solene na Assembleia Legislativa em Homenagem aos “80 Anos de Fundação da Asso­ciação Catarinense de Imprensa e ao seu fundador, Jornalista Altino Flores”.

[PE] - Também está pre­vista a entrega de prê­mios, não é?

AA - Sim. No dia 8 de agosto será entregue o Prêmio Dakir Polidoro de Imprensa, em Sessão Solene na Câmara de Vereadores da Capital, em ho­menagem aos profissionais que se destacaram nos meios rádio, tv, jornal, além das categorias repórter-fotográfico e repórter cinematográfico. No dia 11 de agosto, acontece o 5º Encontro da Imprensa de Santa Cata­rina em Chapecó, com home­nagens aos profissionais da Imprensa com 50 anos de ati­vidade na área. Teremos ainda o lançamento do livro ACI 80 anos - A voz da Comunicação Catarinense, do Moacir Perei­ra, que será realizado no Rio de Janeiro, na sede da ABI. Um de­talhe: teremos eventos em todas as regionais: Chapecó, Criciú­ma, Laguna, Joinville e Itajaí. Aliás, posso adiantar que temos planos para instituir mais duas regionais, provavelmente para o Meio Oeste e Planalto.

[PE] - Que outros projetos estão na pauta da ACI?

AA - O nosso grande desafio é consolidar o Museu da Comuni­cação, que deve ser um museu moderno, que vai se constituir num projeto de Parceria Públi­co Privada, o que vai garantir acesso gratuito à população. A primeira parte é a restauração do espaço que vai abrigar o mu­seu, prédio que pertence ao go­verno do Estado. Foi feita uma cessão pública e o edifício agora vai abrigar o museu e a ACI. Vai ser feita também a ampliação do prédio. Os projetos já estão prontos e, como o prédio é tom­bado, resultaram de uma par­ceria entre a ACI e a Fundação Catarinense de Cultura, a FCC. O edital para essas obras será lançado muito em breve.

[PE] - Que diferencial terá o Museu da Comunicação?

AA - Será um espaço interati­vo, moderno, dinâmico, afina­do com os conceitos mais mo­dernos que têm sido aplicados mundialmente em museus. Queremos resgatar não só os 80 anos de atividades da ACI, mas da Imprensa catarinense como um todo, desde a fundação do primeiro jornal, O Catharinen­se, em 1831. A ideia é evitar que seja meramente um espaço para exposição de peças antigas. Que­remos algo no estilo do Museu da Língua Portuguesa e do Mu­seu do Futebol, ambos em São Paulo, com muita tecnologia.

[PE] - Terá algum outro ser­viço associado ao museu?

AA - Queremos instalar ali um espaço cultural, para lançamen­to de livros, para exposição de artes, que se converta em caixa de ressonância da Comunicação e da Cultura de Santa Catarina. Teremos um amplo auditório para realização de cursos de qualificação e aprimoramento, e um espaço gourmet para con­fraternizações e eventos. Quere­mos que seja a Casa do Jornalis­ta, como a ACI é conhecida.

[PE] - A ACI também oferece cursos para os profissionais da área. Qual o objetivo?

AA - Nosso objetivo é oferecer condições para que o profissio­nal possa se aprimorar perma­nentemente. Para isso, temos parcerias com universidades e institutos, públicos e privados, para proporcionar cursos aces­síveis em termos de cursos e de interesse dos profissionais da área. Com o espaço que tere­mos no Museu da Comunica­ção, devemos intensificar esse trabalho. Vale lembrar que será criada a Associação Amigos do Museu da Comunicação, reu­nindo pessoas e empresas que darão suporte ao trabalho que queremos realizar ali. É bom que se diga que todas as vezes em que apresentei a ideia do museu houve uma grande re­ceptividade e entusiasmo. A sociedade catarinense está es­perando por isso.

[PE] - Comparando com o que conhece do Brasil e do mundo, como está a im­prensa catarinense hoje?

AA - Estamos muito bem. Há dois anos eu tive o prazer de, jun­to com a ADI-SC, visitar gran­des centros de comunicação na Itália. Percebemos que temos muito a avançar, mas ficou evi­dente que são muitos os nossos méritos. Em relação ao Brasil, a imprensa catarinense está mui­to bem. Os nossos jornais, os jornais regionais, não deixam a desejar em termos gráficos ou editoriais. E aí a ADI-SC teve um papel fundamental no sen­tido de promover essa qualifi­cação. Contribui para isso o fato de o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Santa Ca­tarina ser bastante elevado em relação à média nacional e o de termos leitores diferenciados. Além disso, a mídia regional fala o que interessa à população local. Defendo que os jornais regionais, principalmente os diários, devem permanecer pre­ocupados em trazer em suas pá­ginas assuntos regionais. Assim o leitor continuará sendo fiel.

[PE] - ACI tem foco no inte­rior catarinense?

AA - A ACI tinha uma presen­ça muito tímida no interior. Há uma década começamos a atuar mais fortemente nos municí­pios para além da Capital. Para mim, na Comunicação não exis­te interior, especialmente com o advento da internet. Tanto que o segundo maior polo de Comu­nicação do estado é Chapecó, superando Joinville e atrás ape­nas da Capital. Mas, pela carên­cia que os profissionais das regi­ões reportam, nos fizemos mais presentes com a realização de palestras, eventos e cursos nas mais diversas regiões. Nós nos descentralizamos.

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