Pelo Estado Entrevista Cleverson Siewert

28.01.2013

 

“A troca de experiências entre gestões pública e privada é muito importante”

Presidente da CELESC,  Cleverson Siewert

 

Engenheiro Civil formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e com pós graduação na modalidade MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Cleverson Siewert iniciou a carreira atuando em empresas privadas, mas sua principal atividade há dez anos é a gestão pública. Foi secretário executivo de Fundos do Estado, diretor do Tesouro Estadual e chegou ao posto de secretário da Fazenda de Santa Catarina em 2010, quando ficou no cargo por nove meses. Atua nas Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) há dois anos, primeiro como diretor técnico e desde a última semana como presidente, substituindo Antonio Gavazzoni, que foi para a Secretaria da Fazenda. Em entrevista exclusiva à ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC, Siewert fala sobre seus planos para a Celesc, os desafios que a empresa enfrenta, o caso do vazamento de óleo em Florianópolis e sobre redução na tarifa de energia dos catarinenses em virtude do Plano Nacional de Concessões, o qual considera “uma medida impositiva” e que foi realizada “sem nenhum tipo de conversa”.

 

 

[PeloEstado] - Qual o principal desafio?

Cleverson Siewert - A Celesc passa por um momento de transformação. Em três pontos focarei minha gestão: para que a Celesc seja financeiramente forte, adequada na prestação dos seus serviços e transparente nas ações e decisões. O maior desafio é o da modicidade tarifária. A cada quatro anos, a empresa passa por um processo de revisão tarifária. A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica)captura os ganhos ao longo desses anos e devolve ao consumidor, ou seja, a cada quatro anos temos mais consumidores, maior sistema e menos receita. O custeio da Celesc é o mesmo de dez anos atrás, sendo que de 2003 para cá tivemos cerca de 65% de inflação e 40% de crescimento de sistema.

 

[PE] - Como os superar?

Siewert - Seguiremos o Plano Diretor que construímos nos últimos seis meses entre funcionários, acionistas, sindicatos e a própria sociedade. Ele traz metas para enxergarmos a empresa em 2030. Seguindo ele, com certeza venceremos esses desafios. Dois pontos são fundamentais. O primeiro é a automação, que acontece nas áreas técnica e comercial. Na área técnica, nos últimos 15 anos automatizamos toda área de alta tensão, que são as grandes subestações e grandes linhas de transmissão. Qualquer problema, nos é mostrado imediatamente e conseguimos tomar as medidas cabíveis. O próximo passo é automatizar a rede de média tensão, que é enxergada por toda a sociedade nas ruas e nos postes, instalando equipamentos que detectam problemas instantaneamente, nos dando possibilidade de remanejar carga e religar a energia elétrica de forma mais rápida. Na área comercial, precisamos melhorar a comunicação com os clientes. Hoje, temos 64 posições de atendimento em call centere ampliaremos para 200 a partir de 2013. Não só isso, aumentaremos os canais, inclusive via internet. Teremos mais possibilidades de falar e ouvir os consumidores, permitindo atendimento mais adequado. Melhoraremos também a medição, realizando telemedições.

 

[PE] - A segurança ainda é um problema?

Siewert - Em 1950, 40% da população brasileira e catarinense era atendida com energia elétrica. Hoje, 99% da população é atendida, já que 1% representa novos consumidores. Desse grupo, 80% está satisfeita com o serviço. Energia elétrica é um produto perigoso se não tratado adequadamente. Ao mesmo tempo em que crescem as redes, cresce o número de acidentes. Santa Catarina tem cerca de oito mortes por ano,  oito vidas que perdemos. Vamos reforçar o trabalho de segurança dos trabalhadores e da sociedade, já que 50% dos acidentes são gerados de maneira passiva ao sistema, ou seja, pela população em geral. Quatro ações são as que mais causam mortes: soltar pipa, ligação clandestina, conserto de antena de televisão e manutenção predial.

 

[PE] - Como foi o acordo com o Governo Federal no Plano Nacional de Concessões?

Siewert - A Celesc Distribuição aderiu ao plano e a Celesc Geração não. O Governo do Estado e a empresa são favoráveis à redução, é claro. A energia brasileira é a terceira mais cara do mundo, mas somos contrários à forma realizada pelo Governo Federal, que foi autoritário. Por conta disso, a Celesc Geração perderia do dia para a noite 80% de sua receita. Qualquer empresa, por melhor gerida que seja, não sobrevive assim. No entanto, a Geração representa 3% do grupo Celesc e é praticamente inexistente para o cenário nacional. O discurso, principalmente do ministro (da Fazenda)Guido Mantega, é muito coerente quando diz que fará pequenas reformas tributárias setoriais, alinhando com os setores e depois tomando medidas. Mas não foi o que aconteceu no setor de energia. Enviaram uma medida impositiva e sem nenhum tipo de
conversa.

 

[PE] - Quando o desconto será percebido pelo consumidor?

Siewert - A partir de março, os catarinenses já verão o desconto de cerca de 20%, 16% com a adesão das estatais e mais 4% com incentivo do Governo Federal. Mas é importante destacar que os impostos continuam sendo cerca de 45% da fatura, o que representa ainda um espaço que o Governo Federal deixou para adequar.

 

[PE] - Existem outros transformadores com o óleo ascarel pelo estado?

Siewert - Assim que soube do problema com o óleo (do vazamento em Florianópolis), a Celesc atuou de maneira efetiva, não sendo omissa, independente da responsabilidade pela área. Atuamos de várias formas: recolhendo o óleo, acondicionando-o de forma adequada, fazendo as análises de água e moluscos e um projeto de remediação daquela área. Aquele ponto é de propriedade da Celesc, mas a posse é da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). É o mesmo procedimento de um contrato de locação. Hoje, a Celesc tem 338 transformadores no estado em 153 subestações. Por ser uma subestação de treinamento, essa em que houve o incidente não estava sendo monitorada. Em todas as outras existe o monitoramento 24 horas por dia e todas estão automatizadas. Qualquer tipo de defeito que possa acontecer, saberemos na hora e deslocaremos a equipe até o local. Que pessoa em sã consciência tocará em um transformador ligado? Muito se fala 

 

Nícola Martins

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