[Pelo Estado] Entrevista Coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado João Paulo Kleinübing

19.06.2017

“Meu trabalho é manter a união da bancada de SC”

Graduado em Administração (ESAG/UDESC) e em História (UFSC), foi eleito deputado estadual em 2002. Na Assembleia Legislativa, presidiu as duas mais importantes comissões permanentes, a de Finanças e Tributação e a de Constituição e Justiça. Foi prefeito de Blumenau, eleito em 2004 e reeleito em 2008. Após as enchentes de 2008, liderou a recuperação da cidade que, já em 2012, foi eleita a melhor para se viver em Santa Catarina. Também foi membro do Conselho de Administração da Celesc e presidente do Badesc e da Eletrosul. Em 2014, foi eleito deputado federal por Santa Catarina, com 132.349 votos. Mas já no ano seguinte se licenciou da função de deputado para assumir, a convite do governador Raimundo Colombo, a Secretaria de Estado da Saúde. Retornou à Câmara Federal de forma definitiva em janeiro de 2017 e, no dia 1º de abril, assumiu a coordenação do Fórum Parlamentar Catarinense. Foi nessa condição que João Paulo Kleinübing concedeu entrevista exclusiva à reportagem da Coluna Pelo Estado. Ele falou de sua atuação à Frente da bancada catarinense no Congresso Nacional, sobre o momento do país, de seus planos na política e da inspiração que seu pai, o governador Vilson Pedro Kleinübing, falecido em 1998, exerce em sua vida.

 

PeloEstado] - De que forma o senhor está conduzindo o Fórum Parlamentar Catarinense?

João Paulo Kleinübing - Ao longo dos últimos anos, o nosso Fórum parlamentar tem abraçado alguns temas específicos, de interesse geral do estado. A bancada tem traba­lhado de forma conjunta e muito unida, e temos tido excelentes re­sultados. A exemplo do que obtive­mos no ano passado, com as habili­tações dos novos serviços de saúde, que representam R$ 60 milhões por ano para Santa Catarina. Foi uma forte ação da bancada e que eu tive a oportunidade de participar na ou­tra ponta, como secretário estadual de Saúde. Foi realmente uma gran­de ação. E para esse ano teremos as emendas conjuntas de bancada para saúde, para educação e outras áreas. O nosso Fórum tem se nota­bilizado pela unidade e meu traba­lho é manter a união da bancada de Santa Catarina, além do foco nos temas de interesse dos catarinenses. Não tenho a intenção de imprimir grandes mudanças na condução do Fórum. Pelo contrário, é preciso re­conhecer o trabalho e todo o esforço feito por todos os nossos senadores e deputados federais.

[PE] - Como vocês lidam com te­mas críticos e ao mesmo tempo crô­nicos, uma vez que não são enca­minhadas as soluções com o ritmo desejado?

Kleinübing - É cansativo, mas avançamos pouco a pouco. No caso das rodovias, por exemplo, a BR-101 ainda não está concluída e esta­mos acompanhando a concessão do trecho Sul. É importante destacar que foi uma ação do Fórum parla­mentar Catarinense, junto com a comunidade da região, que fez com que o pedágio instalado em São João do Sul fosse vinculado à con­cessão de Santa Catarina e não à do Rio Grande do Sul, o que vai repre­sentar um valor muito menor do pe­dágio. É uma vitória muito impor­tante para os usuários do trecho. E estamos trabalhando para concluir essa concessão a fim de dar entra­da nos processos referentes às BRs 470 e 280. O próprio Ministério dos Transportes tem um compromisso com a nossa bancada de ainda an­tes do recesso de julho nós fazermos as primeiras reuniões para discutir o modelo dessas concessões.

O grande desafio do Fórum ainda está nessa área, de infraes­trutura e logística, áreas essenciais para Santa Catarina continuar crescendo. Estamos acompanhan­do a concessão do aeroporto de Florianópolis, que foi uma vitória e logo deve ter o contrato assinado, e também as soluções necessárias para o de Navegantes. O Fórum está atento anda ao Porto de Ita­jaí, garantindo investimentos para esse porto importantíssimo para nosso estado.

[PE] - Há novidades também no que diz respeito a ferrovias?

Kleinübing - Estamos acompa­nhando esse trabalho. Temos uma questão singular aí: a Valec (En­genharia, Construções e Ferrovias S.A.) fazendo um projeto e a ANTT (Agência Nacional de Transpor­tes Terrestres) fazendo outro. Um para a Ferrovia Litorânea e outro para a do Frango, ou Oeste-Leste. E isso tem implicações com as pró­prias rodovias. Uma solução para o Morro dos Cavalos, na Palhoça, deve contemplar tanto a rodovia quanto um futuro trecho ferrovi­ário, por exemplo. Estamos acom­panhando de perto essas questões e também outros assuntos.

[PE] - Pode citar alguns?

Kleinübing - Atuamos firmemen­te para o ordenamento da pesca, um assunto muito importante para Santa Catarina, estado res­ponsável pela metade da produção nacional de pescados. Já nos posi­cionamos contrários à transferên­cia da Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura para o Ministério da Indústria e Comércio, porque acreditamos que é uma medida que traz prejuízos para a atividade no país. Consegui­mos, já com o Ministério do Meio Ambiente, a revisão de proibições sobre a pesca de algumas espécies, algo que está gerando descartes e, por consequência, prejuízos. O se­tor de pesca representa hoje o sus­tento de pelo menos 30 mil famílias em Santa Catarina, diretamente.

Mas, atualmente, além de in­fraestrurura e pesca, que apro­fundei um pouco mais, o Fórum Parlamentar Catarinense tem tra­balhado também na questão da saúde. Tivemos a conquista das novas habilitações em serviços hos­pitalares no ano passado e agora queremos avançar nas dos servi­ços de atenção básica. Estamos atentos aos hospitais filantrópicos, pauta recorrente em nossa banca­da. Outro assunto que mobilizou o Fórum, já desde 2016, foi a defini­ção dos limites do Parque Nacional da Serra de São Joaquim. Conse­guimos preservar o Eco Museu de Lauro Müller, que é o que a comu­nidade queria. Aguardamos a po­sição da presidência da República sobre o assunto. E agora estamos envolvidos em reuniões a fim de viabilizar recursos para a recupe­ração dos municípios catarinenses que foram atingidos com as mais recentes intempéries climáticas.

[PE] - As diferenças ideológicas e partidárias da própria bancada atrapalham?

Kleinübing - Não entram em conta em momento algum. O Fórum mo­biliza a todos independentemente das questões partidárias ou de po­sicionamento político em relação ao governo. Aqui nós estamos tra­tando do interesse maior, que é o Estado de Santa Catarina. E isso está fazendo toda a diferença. Esse senso de unidade é reconhecido por todos dentro do Congresso e dentro do Executivo. É o que nos tem ajudado a avançar em tantos assuntos.

[PE] - O senhor está na coordena­ção do Fórum em um momento de­licado do país. Como isso se reflete em seu trabalho?

Kleinübing - O momento é extre­mamente difícil e de forte eferve­cência, mas não podemos perder de vista o foco no resultado em favor do nosso cidadão. Isso vale tanto para o Fórum quanto, indi­vidualmente, para cada parlamen­tar. Cada um tem a sua posição, só que, no meio de todo esse tur­bilhão, temos que encontrar cami­nhos e soluções para que o estado não pare de crescer e as demandas continuem sendo atendidas.

[PE] - Recentemente houve uma vitória importante sobre a distri­buição do Imposto sobre Serviços (ISS). Que papel teve o Fórum?

Kleinübing - Essa era uma ques­tão que o Fórum Parlamentar Catarinense já vinha trabalhando havia bastante tempo. A Fecam (Federação Catarinense de Muni­cípios) esteve em reunião conosco e o assunto foi tratado na Marcha dos Prefeitos. A nossa bancada era a única 100% presente no dia da votação e votou unanimemente pela derrubada do veto presiden­cial, o que permitirá uma melhor distribuição desses recursos. A Fe­cam estima uma receita de R$ 220 milhões anuais para os municípios catarinenses, que estavam sendo perdidos pela centralização do ISS gerado nas operações de cartões de crédito e débito, de arrendamento mercantil e de serviços de saúde. Tudo ficava concentrado em mu­nicípios paulistas que são sede das principais operadoras desses servi­ços. Já nos colocamos à disposição da Fecam para viabilizar informa­ções junto ao Ministério da Fazen­da, ou qualquer outro órgão, que permitam os municípios a começa­rem essa arrecadação.

[PE] - Quais os seus planos pesso­ais para 2018?

Kleinübing - Eu tenho por prática não discutir eleição de forma ante­cipada. A próxima eleição ocorrerá quase no final do ano que vem e até lá temos muito trabalho. Não sa­bemos nem que modelo de eleição estará valendo, pois faltam defini­ções. Tenho que focar no trabalho.

 

 

"Meu pai foi um homem extraordinário, um político marcante na história de Santa Catarina, e me deixou muitas lições, em especial no que diz respeito à correção e à responsabilidade no trabalho. Há muitos ensinamentos dele que eu procuro incorporar no meu cotidiano. E aí eu tenho um grande desafio: que as minhas filhas possam ouvir de mim o que ouço do meu pai quando ando por
Santa Catarina."


Deputado João Paulo Kleinübing, ao final da entrevista, falando de seu pai, Vilson Kleinübing, que foi deputado federal (1983/1987), prefeito de Blumenau (1989/1990), governador do Estado (1991/1994) e senador da República, de 1995 a 1998, ano em que faleceu, vítima de câncer de pulmão. Na foto, João Paulo e o irmão Eduardo, ainda crianças.

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