Pelo Estado Entrevista: Dalmo de Oliveira

24.09.2012

“Queremos aproximar os serviços de saúde do cidadão”

Nasceu em Joinville, é formado em Medicina (UFSC/1978), fez dois anos de residência médica em Medicina Interna no Hospital de Clínicas de Curitiba (PR). Ao longo de sua trajetória profissional, foi membro de associações profissionais de residentes e de médicos, entre eles a Sociedade Joinvillense de Medicina e o Sindicato dos Médicos de Santa Catarina. Foi diretor da Unimed, presidente da Federação das Unimeds de Santa Catarina e, mais tarde, assumiu a gestão da Seguros Unimed. Em janeiro de 2011, assumiu como secretário de Estado da Saúde. Nessa entrevista exclusiva à reportagem da Central de Diários/ADI-SC/ CNR-SC falou um pouco de suas angústias e de seus planos para a pasta, detalhando o Pacto por Santa Catarina - Saúde.

Pelo Estado Entrevista Secretário de Estado da Saúde, Dalmo Claro de Oliveira

 

[PeloEstado] - Em termos de gestão, qual é a prin­cipal diferença entre pri­vado e público na área da Saúde?

Dalmo - Tem um princípio bá­sico do Direito Administrativo que diz que na administração pública só se pode fazer aquilo que é expressamente permitido, enquanto na iniciativa privada é permitido fazer tudo o que não é proibido. Há uma diferença muito grande entre as duas de­finições. Na prática, os trâmi­tes são muito mais demorados e complexos na área pública e isso realmente angustia um pouco. Sabemos o que é preciso ser feito, gostaríamos de fazer com mais agilidade, mas a bu­rocracia emperra. Entretanto, é necessário que seja assim, é da lei, e a gente cumpre.

[PE] - Hoje a Secretaria de Estado da Saúde está como o senhor gostaria?

Dalmo - Não! Muito distante do que eu gostaria. Trabalha­mos com déficit de pessoal em todas as áreas, desde o admi­nistrativo até o operacional dos hospitais. Às vezes até temos re­cursos humanos, mas não com a adequação que precisamos. Em muitos setores não temos salários adequados para atrair e contratar profissionais com as competências necessárias. Ou­tra dificuldade está em implan­tar critérios de meritocracia, para poder premiar aqueles pro­fissionais que merecem. Na ini­ciativa privada isso é possível e estimula muito a produtividade.

[PE] - O Pacto por Santa Catarina – Saúde, lança­do na semana passada, pode ajudar a reduzir o espaço entre o que se tem hoje e o ideal?

Dalmo - São coisas diferentes. A análise que eu fiz foi sobre questões administrativas e de gestão. O Pacto vai dotar o nos­so estado de mais instalações, mais adequadas, e ofertas de serviços em maior quantidade e com mais qualidade. Nós va­mos aumentar a oferta, em nos­sos hospitais próprios, em qua­se mil leitos. Vamos criar 177 novos leitos de UTI e 57 novas salas de cirurgia. A população terá mais serviços na Saúde.

[PE] - Quanto será investi­do e com que objetivos?

Dalmo - É um volume mui­to grande de recursos. São R$ 500,5 milhões! Nunca antes tivemos em Santa Catarina a oportunidade de aplicar tan­tos recursos e num período tão curto, de dois a quatro anos. Aí, sim. Quando esses investimen­tos estiverem concluídos, Santa Catarina será um estado dife­renciado em atendimento de Saúde. Até porque, na Atenção Básica, por exemplo, já temos uma situação muito boa, assim como em serviços especializa­dos, como SAMU, Hemotera­pia e Transplantes, para citar apenas três, nosso nível é de excelência.

Nossos objetivos são garantir maior resolutividade nos atendimentos hospitalares de média e alta complexidade, aproximar a oferta dos serviços de saúde do cidadão e implan­tar uma rede de policlínicas re­gionais aptas a oferecer serviços também de alta resolutividade.

[PE] - Na ocasião do lança­mento do Pacto da Saúde o senhor falou que as áreas de média e alta complexi­dade eram as mais deficitá­rias. Quais os planos para reverter esse quadro?

Dalmo - Aí está o nosso cal­canhar de Aquiles. Temos uma deficiência por falta de infraestrutura que comporte esses serviços. Acredito que esses investimentos vão nos aproximar bastante de uma situação considerada ideal.

[PE] - Se por um lado a in­fraestrutura estará perto do ideal, em termos de re­cursos humanos o déficit será ainda maior?

Dalmo - Esse é um problema que vamos ter lá na frente. Quando tivermos condições de oferecer o serviço, teremos que ter também os profissio­nais necessários.

[PE] - O plano prevê 21 Po­liclínicas cobrindo raios de 100 quilômetros. A inten­ção é acabar com a chama­da “ambulancioterapia”?

Dalmo - Ambulancioterapia é um termo jocoso. É um neolo­gismo não adequado que fala da necessidade de deslocamento, feito de ambulância, para trata­mento médico em outras cida­des, principalmente na Capital. Isso sempre vai existir. Casos para tratamentos muito espe­cíficos e de baixa frequência.

Mas é preciso reconhecer que a maior parte dos deslocamen­tos em ambulâncias é de casos que poderiam, ou melhor, que deveriam ser resolvidos, e agora serão, em suas próprias regiões. Não tem sentido o cidadão se deslocar do Oeste para uma ci­rurgia de média complexidade em Florianópolis. O que se ob­jetiva com as Policlínicas e com a ampliação e aprimoramento dos hospitais de referência das regiões e microrregiões, é que lá mesmo os nossos cidadãos possam receber o atendimento mais adequado.

[PE] - A Secretaria da Saú­de buscou ouvir os muni­cípios para então definir a aplicação dos recursos?

Dalmo - Durante todo esse período, desde o início do atual governo, realizamos visitas em todas as regiões, o que nos deu um quadro exato da situação. A partir daí, estabelecemos alguns critérios para investimentos. Os municípios foram ouvidos, sim, para apontar onde as policlíni­cas precisam ser instaladas ou, nas regiões onde já existem, para ser aprimoradas.

Andréa Leonora

Florianópolis, 24 de setembro de 2012

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