[Pelo Estado] Entrevista Diretor de Finanças do Sebrae-SC, Sérgio Fernandes Cardoso

02.05.2016

“O empreendedorismo deve ser encarado com profissionalismo”

"Em momentos difíceis, como esse em que o país passa, é importante apoiarmos políticas públicas que tornem os processos mais dinâmicos e ágeis."

É diretor de Administração e Finanças do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SC) desde 2011. Mas começou a trabalhar na instituição em 1999, onde já ocupou cargos de agente de Articulação e assessor de Relações Institucionais e Políticas Públicas, além de fazer parte da Diretoria Executiva. Formado em Engenharia Mecânica (UFSC), Cardoso é empresário e sócio-diretor da Indústria Metalúrgica de Equipamentos Cerâmicos e Mosaicos, de Tijucas. É o fundador, presidente e diretor da Associação Comercial e Industrial de Tijucas, ACIT, e já recebeu o Prêmio de Referência Nacional pela atuação no projeto Arranjo Produtivo Local (APL) de Calçados Femininos do Vale do Tijucas. Ele concedeu entrevista exclusiva à Coluna Pelo Estado para falar da Semana do Microempreendedor Individual (MEI), que começa nesta segunda-feira (2) com encerramento no sábado (7). “O Sebrae-SC oferece uma série de orientações e capacitações específicas para esse público, visando a excelência na prestação de serviços, incentivando a inovação e o consequente desenvolvimento socioeconômico de Santa Catarina."

[PeloEstado] - O que o Sebrae-SC vai realizar durante a Semana do MEI e quais os objetivos?
Sérgio Fernandes Cardoso -
Pelo oitavo ano consecutivo, o Sebrae-SC realiza, a partir do dia 2 de maio, em diversas cidades do estado, a Semana do MEI, que é voltada para aquele empreendedor que fatura até R$ 60 mil por ano. A programação varia de cidade para cidade, mas é centrada em uma série de oficinas e palestras gratuitas e consultorias personalizadas. Este ano, a Semana do MEI tem três objetivos. O primeiro deles é conscientizar os empresários sobre a importância de manter o pagamento das taxas de contribuição em dia, o segundo é auxiliar os empresários com a declaração anual do MEI e, por último, esclarecer as dúvidas sobre a e-financeira e mostrar ao empresário a importância de manter a conta pessoal separada da conta da empresa. As orientações e as oficinas serão feitas nos pontos de atendimento do Sebrae-SC em todas agências do estado e na tenda de rua montada na Capital.

[PE] - Qual a importância social e econômica desse segmento?
Cardoso -
Vamos analisar sob a perspectiva catarinense. Santa Catarina é um estado muito pequeno e culturalmente empreendedor. As micro e pequenas empresas, incluindo MEIs, representam cerca de 99% da nossa economia.  Desde que o MEI foi criado como uma figura jurídica, em 2009, milhares de catarinenses saíram da informalidade e se tornaram empreendedores. Além dos benefícios legais da formalização, como direitos previdenciários e licenças de saúde, por exemplo, a formalização permite que o empresário emita nota fiscal, ampliando o acesso ao mercado. O Sebrae-SC oferece uma série de orientações e capacitações específicas para esse público, visando a excelência na prestação de serviços, incentivando a inovação e o consequente desenvolvimento socioeconômico de Santa Catarina.  

[PE] - Como está a evolução no número dos MEIs?
Cardoso -
Em abril, o número de MEIs no Brasil ultrapassou a marca de 6 milhões. Santa Catarina conta atualmente com mais de 210 mil microempreendedores individuais formalizados e as projeções do Sebrae é que até 2020 o número de MEIs ultrapasse o número de MPEs (Micro e Pequenos Empreendedores). Pesquisas divulgadas antes da criação do MEI demonstravam que 50% dos negócios eram informais no Brasil. A expectativa é que nos próximos anos os microempreendedores individuais atinjam 50% dos negócios formalizados no país. Santa Catarina já atingiu essa marca. Isso significa que estamos prestes a formalizar todos os negócios que eram informais no Brasil. Sem contar todos os negócios que já vão começar formalizados. Antes, era praticamente inviável uma manicure que atende o seu próprio bairro nos finais de semana abrir uma empresa, por exemplo. Hoje, esse público pode ser empresário.

[PE] - Percebe-se uma evolução de patamar, ou seja, MEIs que passaram a outro status empresarial?
Cardoso -
É importante ressaltar que o Sebrae-SC trabalha com a ideia de que o empresário deve começar pequeno, mas pensar grande. Isso implica em compreender a importância da profissionalização do seu negócio, buscar capacitação, inovar e fazer análise de mercado. Se com esses elementos o negócio crescer, é sinal de que o empresário soube conduzir a empresa de uma maneira sustentável.

[PE] - Quais as políticas públicas já consolidadas para os MEIs e quais ainda são esperadas ou necessárias?
Cardoso -
O Simples Nacional foi criado e desde então foi possível compreender como eram importantes os conceitos de desburocratização e facilitação do ambiente de negócios. Afinal, uma empresa que abre com menos burocracia se mantém menos tempo na informalidade, tem mais arrecadação, consegue investir, se desenvolve, etc...
Foi então que, depois de um ano de aprovada, em 2009, surgiu a figura do MEI. O conceito de simplificação foi testado em grande escala, não apenas com a junção dos impostos em uma única guia, mas também com uma simplificação nos processos de abertura, alteração e baixa. Por meio do Portal do Empreendedor, o próprio empresário, em casa ou até mesmo pelo celular, consegue acessar e alterar todos os dados de sua empresa.
Agora, é preciso que os valores sejam corrigidos para acompanhar a inflação, além de expandir os conceitos de simplificação e desburocratização para as demais modalidades de empresas. A burocracia fragiliza a economia e a deixa lenta. Em momentos difíceis, como esse em que o país passa, é importante apoiarmos políticas públicas que tornem os processos mais dinâmicos e ágeis.
 

[PE] - Como o senhor disse, o país passa por um momento difícil. Esses empresários são mais vulneráveis ou, ao contrário, ser MEI é opção para quem perdeu o  emprego?
Cardoso -
Nesse caso, o empreendedorismo tem se apresentado como uma opção, mas precisamos lembrar que empreender exige planejamento e cuidado. O empreendedorismo deve ser encarado com profissionalismo. Só assim evita-se perda de recursos e resultados indesejados. O empresário deve se planejar, buscar capacitação e cercar-se de profissionais capacitados e capazes de prestar auxilio. O Sebrae-SC oferece todas essas soluções gratuitamente nas agências de atendimento, na internet ou pelo 0800 570 0800.

Por Andréa Leonora

redacao@peloestado.com.br
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