Pelo Estado Entrevista: Guilherme Zigelli

08.10.2012

“Todas as regiões apresentam boas oportunidades para empreender”

Pelo Estado Entrevista: Guilherme Zigelli

Graduado emDireito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), trabalhou na extinta Telesc, onde foi chefe do Departamento Jurídico, diretor Administrativo e diretor Econômico-Financeiro, respondendo interinamente pela presidência entre 1996 e 1998. Tambémfoi diretor financeiro na Brasil Telecom, emBrasília. Desde novembro de 2000 diretor-superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio àsMicro e PequenasEmpresasemSanta Catarina (Sebrae-SC), Zigelli conversou coma reportagemda Associação dosDiáriosdo Interior (ADI-SC), Central de Diáriose Central de NotíciasRegionais(CNR-SC) sobre a atuação e osplanosda entidade.

Quais as metas e investimentos previstos pelo Sebrae-SC para 2012?

Em 2012, devemos executar um orçamento aproximado de R$ 130,9 milhões. Deste valor, cerca de 68% será destinado diretamente a projetos de atendimento setorial  e individual.

O atendimento setorial será realizado nos 47 polos setoriais definidos, enquanto que o atendimento individual a empresários e empreendedores será realizado por todos os nossos canais de atendimento - agências, telefone gratuito, programa Negócio a Negócio e ensino à distância.

E as principais atividades desenvolvidas?

As prioridades em 2012 são Orientação e Capacitação empresarial (com 35,2% dos investimentos), Promoção da Inovação nas MPE (com 25,8% dos aportes) e Conquista e Ampliação de Mercados (14,6% dos investimentos).

Em 2012 o Sebrae-SC deve atender mais de 70 mil empresas, prestar 200 mil horas de consultoria, desenvolver 400 cursos e promover mais de 1.150 palestras, oficinas, seminários e minicursos.

Muitas das ações do SEBRAE Nacional começaram aqui no Estado. Fale mais sobre a atuação pioneira do Serviço no estado. SC é referência no empreendedorismo no Brasil?   

O Sebrae-SC tem colaborado ao longo dos anos com inúmeras soluções para o Sistema Sebrae, como a Feira do Empreendedor, a Oficina Sebrae, o Programa Empreender, o Programa Negócio Certo e tantos outros. Essas metodologias só foram possíveis de serem desenvolvidas por que temos em Santa Catarina uma equipe interna preparada, entidades associativas maduras e principalmente um nível de empresários absolutamente diferenciado, o que torna o estado fértil para propostas inovadoras.

Soma-se a isso o modelo econômico catarinense, onde encontramos polos bem estruturados e independentes presentes em todas as regiões, viabilizando dessa forma que as ações do Sebrae-SC possam ser bem difundidas. O intenso trabalho do Sebrae-SC reflete na economia do estado. Uma pesquisa do IBGE apontou que as empresas catarinenses têm a maior longevidade do país.

O Sebrae-SC tem várias unidades pelo Estado, além de Centros de Educação Empresarial.  Há planos de ampliação? Quantos são hoje e qual a meta? Para quais regiões? 

O Sebrae-SC conta com dois Centros de Educação Empresarial, um em Florianópolis e outro em Joinville. São 9 coordenadorias regionais, 15 agências de atendimento e 4 Centros de Atendimento Sebrae ao Empreendedor  (CASE). No momento, não há previsão para aumento da estrutura própria de atendimento, mas há interesse de alguns municípios para instalação de mais CASE, pois este é um modelo que surge da parceria entre o poder público municipal, entidades empresariais e Sebrae.

Além disso, temos um projeto para investimento na melhoria de nossas unidades próprias de atendimento já existentes. Também promovemos ações especiais, como eventos de atendimento itinerantes, e temos uma unidade móvel do Sebrae-SC que atende os municípios onde não há estrutura de atendimento.

Fale mais sobre a importância desses centros para o desenvolvimento econômico de cada região de Santa Catarina:

As unidades de atendimento do Sebrae no estado são importantes para o desenvolvimento econômico de Santa Catarina, pois promovem e realizam diversas ações de capacitação e consultoria para empreendedores individuais, micro e pequenas empresas, contribuindo para o aumento de sua competitividade.

São ações nas áreas de acesso à inovação e tecnologia, acesso a mercado, acesso a serviços financeiros, informação e orientação técnica para abertura e gestão de negócios, capacitação empresarial, entre outras. Atuamos articulados com a governança local de cada região convergindo e integrando ações de desenvolvimento.

Que regiões apresentam um bom potencial de crescimento e que ainda são pouco exploradas? 

Temos um estado privilegiado em termos de potencialidades. Praticamente todas as regiões habitadas apresentam boas oportunidades para empreender. Abstraindo-se as regiões mais urbanizadas, temos atuado em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável em territórios onde o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) está abaixo da média do estado.

Regiões do Planalto Norte, Serra Catarinense, Extremo Sul e Extremo Oeste. Quem iria afirmar alguns anos atrás que a Serra Catarinense poderia produzir vinhos de excelente qualidade comparáveis aos melhores da América do Sul? Esse é um exemplo do potencial transformado em realidade. Outros territórios podem fazer o mesmo. É preciso descobrir a vocação territorial e promover o movimento da sociedade na sua viabilidade.

No Extremo Sul, temos o ecoturismo surgindo. O Extremo Oeste vem buscando atuar com produtos de valor mais agregado, como queijos finos, carne bovina e ovinocultura de leite, entre outros, pois o modelo agrícola está se alterando em função da logística cara que envolve o milho e que está tornando difícil a avicultura e suinocultura na região. No Planalto Norte, a fruticultura de clima temperado apresenta-se promissora.

Cabe-nos o papel de articulação e de informação para que empreendedores percebam as oportunidades dessas e de outras regiões. Basta um olhar mais atento e um mínimo de infraestrutura para atrair bons investimentos nas regiões ainda pouco exploradas. Para o poder público, é necessário planejar melhor; para a sociedade, engajar; e para os empreendedores, perceber e realizar.

Atualmente, com mais acesso a crédito e novas ações para a formalização de negócios, ficou mais fácil empreender no Brasil. Qual a orientação do Sebrae-SC para quem está começando?

Toda a estrutura presencial de atendimento do Sebrae-SC, além do nosso site, aplicativo de atendimento para celular e central de relacionamento 0800, está preparada para atender àquelas pessoas que buscam orientações para abertura de novos negócios.

Além disso, disponibilizamos uma solução de autoatendimento para o cliente, o Negócio Certo Sebrae, que trata de cinco áreas que são fundamentais para quem está começando: a primeira, gerando ideias de negócio – por meio da qual o cliente faz um pequeno teste do seu perfil empreendedor e descobre seus pontos fortes e quais as oportunidades de melhoria para fortalecer e desenvolver ainda mais seu perfil, e conta com um banco de ideias de negócio para orientar a escolha da melhor ideia de acordo com esse perfil.

Depois, verificando a viabilidade do negócio – aqui o cliente recebe orientações de como fazer seu plano de negócios e verificar a viabilidade de sua empresa, em seguida, formalizando o negócio, dando dicas de como enfrentar a burocracia e encontrar os caminhos certos para formalizar a empresa.

Logo após , orientamos sobre a organização e administração do negócio, sugerindo modelos de controle que ajudarão nesta etapa inicial da administração da empresa. Por último, apresentamos os principais passos para ajudar no entendimento das necessidades do mercado e incrementar a venda de produtos e serviços.

O índice de mortalidade das empresas é muito alto no Brasil. Apesar disso, o índice de SC é o menor entre os estados. Que diferencial SC oferece? O que o SEBRAE-SC faz para evitar a falência das empresas?  

O estado de Santa Catarina é um estado empreendedor, que apresenta índices de escolaridade elevados, e isto reflete na maturidade e consciência dos empreendedores quanto à necessidade de investir no preparo antes de abrir seu próprio negócio e durante a gestão, principalmente nos dois primeiros anos de vida da empresa, que é o período mais crítico.

Todo o trabalho do Sebrae-SC é realizado no sentido de combater a mortalidade precoce das empresas e torná-las mais competitivas, para que ultrapassem o período inicial e sigam fortes rumo ao desenvolvimento e crescimento.

Para tanto, temos um leque de produtos e serviços que atendem desde aquele que tem potencial para vir a ser empreendedor, com ações junto aos universitários, por exemplo, passando pelo potencial empresário, que é aquele que já tem planos mais concretos para iniciar seu negócio, até o empreendedor individual, a micro e por fim às pequenas empresas, que contam com o Programa Sebrae Mais, um conjunto de soluções para empresas avançadas, que buscam diferenciais em gestão para sustentar seu crescimento.

Por outro lado, SC é um dos estados que mais formalizam negócios, principalmente os microempreendedores individuais (MEIs).  Quais os números de formalizados até o momento? Que resultados positivos podem ser contados deste processo? 

Em setembro, Santa Catarina contabilizava 97.500 microempreendedores individuais formalizados. Entre as vantagens da formalização estão os benefícios previdenciários, como aposentadoria, auxílio doença e salário maternidade, e nota fiscal própria, que facilita ao empreendedor fechar novos negócios.

Outro grande benefício é o acesso ao crédito pelo programa Juro Zero, que concede empréstimos para empreendedores no valor de até R$ 3 mil sem juros, desde que as parcelas sejam pagas em dia.

Esta parceria com o Badesc para o Programa Juro Zero, em dez meses, efetuou mais de 6 mil operações que resultaram R$ 16,8 milhões em empréstimos? Qual a contribuição do Serviço para o sucesso do Programa? 

A parceria com o Governo do Estado, Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (Badesc) busca atender de forma diferenciada os empreendedores individuais, impulsionando toda a economia do estado.

Aliou-se o financiamento com juros zero à orientação empresarial ao tomador do crédito, esse atendimento feito pelo Sebrae-SC é reconhecido como uma excelente ferramenta de fomento à economia produtiva. Em pesquisa realizada recentemente identificamos que 86% desses empreendedores individuais querem crescer e ascender à categoria de microempresa nos próximos anos.

Nessa intenção empreendedora, o Sebrae-SC pode apoiar investindo na capacitação do empreendedor, minimizando o tempo de aprendizado e contribuindo com o direcionamento da sustentabilidade desses negócios. É esse nosso papel no programa Juro Zero, fazer o atendimento pós-crédito e orientar o empreendedor no seu desejo de crescimento. 

Recentemente foi implantada a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que efetiva, entre outras coisas, um tratamento especial aos empreendimentos de pequeno porte nas compras governamentais. Quais as expectativas para o impacto da Lei na expansão de negócios?

Hoje as micro e pequenas empresas e o microempreendedor individual têm pouco incentivo para vender para órgãos públicos. Com a implementação da Lei Geral da MPE espera-se que novas oportunidades de mercado surjam com as licitações públicas e que as MPEs cresçam e se fortaleçam. Há também outros benefícios, como desburocratização, desoneração, entre outros.

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