Pelo Estado Entrevista: Paulo Bornhausen

29.10.2012

“A vinda da BMW para SC é um fato histórico”

 

Entrevista: Paulo Bornahausen, Secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS)

 

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS), Paulo Bornhausen, estava em um aeroporto de São Paulo quando concedeu, por telefone, essa entrevista exclusiva à rede Central de Diários/ADI-SC/CNR-SC, na sexta-feira (26). Finalizava uma jornada de três dias na sede da BMW Brasil, durante a qual tratou dos últimos detalhes para a assinatura do termo de compromisso da multinacional com o governo do Estado. A instalação da BMW em Santa Catarina já é certa, mais especificamente na cidade de Araquari. De acordo com Bornhausen, um processo que se estendeu pelos últimos 16 meses. “Não estou cansado, não. Estou energizado!”

 


[PeloEstado] - Quando e como começaram as con­versas que culminaram com a vinda da BMW?

 

Paulo Bornhausen - Foram 20 anos tentando atrair uma empresa automobilística para o nosso estado, e sem sucesso. Há um ano e quatro meses, estive na BMW, na Alemanha, em nome do governador Rai­mundo Colombo e na compa­nhia do vice-governador Edu­ardo Moreira. Colocamos para eles que estávamos lá para co­municá-los que a BMW tinha sido escolhida para vir para Santa Catarina. Foi assim o início da conversa. Bastante propositiva, sabendo que o Estado estava maduro. A par­tir daí as negociações corre­ram de forma rápida. Mas, ao mesmo tempo, tivemos que vencer muitos percalços, espe­cialmente da parte do governo federal, que no meio do cami­nho alterou o regime automo­tivo. Finalmente, depois de muito trabalho, pudemos ter o anúncio oficial da instalação de uma unidade da BMW em Santa Catarina. As obras da fábrica começam em abril de 2013 e a produção começa no final de 2014.

 

[PE] - E agora?

 

PB - Agora é continuar. Tem muito trabalho ainda pela frente até a implantação da fábrica. Mas a conquista está feita. Temos que vencer eta­pas burocráticas para a assi­natura do termo no dia 14 de novembro. Mas todas as nego­ciações e entendimentos estão andando muito bem. Missões da Alemanha já estão che­gando e já estão anunciando a abertura de chamada para recrutamento de pessoal para trabalhar na fábrica. Agora, é muito trabalho, são muitos detalhes, e não poderia ser diferente em se tratando da BMW, uma empresa com grau de excelência.

 

[PE] - O que levou à mu­dança de data para assi­natura do termo de com­promisso?

 

PB - Restaram algumas ques­tões burocráticas. Há uma série de documentos que pre­cisam ser assinados entre a BMW e o Estado, que são de amplo espectro. E não adianta você querer fazer de forma aço­dada, sob pena de lá na frente ter que refazer tudo. Além dis­so, pesou para a mudança de data a questão de agenda dos alemães. Eles nos pediram, com base nesses dois motivos, que fosse marcada uma nova data, o governador consentiu e o ato de assinatura do termo de compromisso passou desta segunda-feira (29 de outubro) para 14 de novembro. Passei três dias em reuniões em São Paulo tratando dos detalhes finais. Que são milhares, para falar a verdade (risos).

 

[PE] - Euforia e cansaço misturados?

 

PB - Não estou cansado, não. Estou energizado! Estamos vivendo um momento históri­co e é uma oportunidade que não podemos perder. Em pou­cos momentos da histórica do nosso estado tivemos algo se­melhante. Na linha da história de Santa Catarina, a vinda da BMW só é comparável ao nas­cimento da indústria têxtil, no Vale do Itajaí, e da agroindús­tria, no Oeste. É a nova eco­nomia catarinense nascendo com a joia da coroa, de um setor importantíssimo para a economia mundial e que, com certeza absoluta, é um farol para outros investimentos que vão ser feitos aqui, de outros setores estratégicos que o Es­tado já definiu como impor­tantes, como área de energia, óleo, gás e fontes alternativas, por exemplo. Juntamente com a questão educacional, Santa Catarina vai se trans­formar numa potência líder no Brasil e com padrão inter­nacional. Esse é o projeto de um governo que está olhando para frente.

 

[PE] - Qual o impacto da decisão da BMW sobre o conjunto de planos e pro­jetos da SDS?

 

PB - É um antes e um depois. Primeiro, porque nós estamos conquistando um verdadeiro ISO 9000, um incontestável selo de qualidade que o estado até então não tinha. Segun­do impacto é que nós vamos avançar em empregos de mais qualidade e seremos, no Bra­sil, um estado que vai ter a condição de, a partir da BMW, fazer uma grande revolução no perfil da mão de obra na­cional, com treinamento em padrões alemães. Eu diria que será um salto muito grande. Santa Catarina de fato está ru­mando para ser o estado má­ximo da inovação. E é isso o que nós queremos.

 

[PE] - Mas a BMW não foi a única a tomar a decisão de vir para o estado.

 

PB - Correto. Entretanto, no nível de importância da BMW, nenhuma outra empre­sa chegou a Santa Catarina ou ao Brasil nos últimos anos. A BMW é um ícone. É uma em­presa da fronteira do conhe­cimento que promove uma grande e positiva modificação aonde chega, tanto no mer­cado automobilístico quanto nas áreas de pesquisa, desen­volvimento e inovação. É um upgrade muito grande no padrão. Santa Catarina está na vanguarda para, a partir desse fato, liderar inclusive na atração de empresas estraté­gicas e de setores igualmente estratégicos. Estou falando da área da saúde, de fármacos, de equipamentos médico-hospitalares, na indústria da defesa, tanto software quanto hardware. Ou seja, temos um amplo horizonte que vai trans­formar o estado, nos próximos dez anos, numa potência eco­nômica, numa potência da era do conhecimento, que é o que mais nos interessa.

 

[PE] - Por isso tanto empe­nho em trazer a BMW?

 

PB - Sem dúvida. Para se ter uma ideia, quando nós elabo­ramos o Plano Estratégico de Logística de Santa Catarina, os consultores franceses que es­tavam trabalhando junto com o nosso pessoal colocaram, de forma muito clara, que todas as perguntas que os possíveis investidores pudessem fazer so­bre Santa Catarina, cairiam para 20% quando a BMW anuncias­se a sua planta aqui. Restariam apenas perguntas específicas e não mais questões como sus­tentabilidade, mão de obra, se­gurança jurídica do Estado. Por isso a decisão da BMW é muito maior do que apenas a vinda de uma indústria de automóveis.

 

[PE] - Que outras ações da SDS merecem desta­que neste momento?

 

PB - O mais importante de tudo o que estamos fazendo, e que também tem um im­pacto gigantesco pela soma dos números, está nas ações voltadas à microeconomia. A BMW tem outra dimensão. Mundial. Mas a microeco­nomia, que atua localmen­te, precisa ser bem tratada porque é nesse espaço que as pessoas estão empreen­dendo ou estão empregadas. Hoje, a maioria dos empre­gos está nas micro e peque­nas empresas.

 

[PE] - O que está sendo feito?

 

PB - O Estado tem um gran­de programa, o Nova Econo­mia@SC, que tem na micro­economia um de seus focos. Iniciamos com incentivo aos microempreendedores indivi­duais, os MEIs, para os quais criamos o Juro Zero. Um ver­dadeiro sucesso! São R$ 20 milhões emprestados em mais de 6 mil operações, e já con­seguimos trazer mais de 70 mil MEIs para a formalidade. Para micro e pequenos em­presários, temos o programa Polos Industriais, que abran­ge 12 setores de 40 regiões e que trabalha desde o planeja­mento da fábrica até a comer­cialização do produto. O Polos Industriais está em andamen­to e hoje atende um conjunto de 2.400 empresas. É uma ação muito potente, de grande repercussão. E vamos iniciar, no ano que vem, o programa Juro Zero 2, voltado para esse segmento, de micro e peque­nas empresas.

 

Andréa Leonora

Florianópolis, 29 de outubro de 2012

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