Pelo Estado Entrevista: Paulo da César Costa

03.12.2012

“Meu papel é atrair empresas para Santa Catarina”

 

 
Entrevista com o Presidente SCParcerias e secretário estadual de Assuntos Estratégicos, Paulo César da Costa

Natural de Lages, é formado pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), tem aperfeiçoamento em Finanças Empresarial, com diversos cursos em Mercado Internacional, como o Strategic Finance (Universidade de Berkeley/EUA) e o Globalizing the Brasilian Corporation in the 21 st Century – IMD International (Lausanne/Suíça). É empresário do setor florestal e consultor de vendas e de desenvolvimento de novos produtos para o Mercado Externo. Na condição de Presidente SCParcerias e secretário estadual de Assuntos Estratégicos, é um dos mais importantes articuladores para a vinda de novas empresas para Santa Catarina. Esse é o principal assunto da entrevista exclusiva que Costinha, como é costumeiramente tratado, concedeu à reportagem da ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC. 

[PeloEstado] - O senhor é secretário executivo de Assuntos Estratégicos e presidente da SCPar. Como é conciliar duas funções tão importantes para o Estado?

Paulo Cesar da Costa - A Secretaria Executiva de Assuntos Estratégicos (SAE) é responsável pela atração das empresas e investimentos para o Estado, além de opinar sobre algumas ações importantes de infraestrutura para Santa Catarina. A SCPar, como empresa de participações e parcerias do Estado, é a responsável pelas políticas de parcerias público-privadas (PPP) e participação em capital de empresas consideradas estratégicas.

 

[PE] - Atuar nas duas ajuda no encaminhamento de projetos e soluções?

Costinha - Ambas possuem certa sinergia, o que facilita nosso trabalho. Reconheço que administrar as duas é muito trabalhoso, mas com a provável alteração da estrutura de governo, com certeza o governador Raimundo Colombo irá pensar nessa modificação, já que, de fato, a minha atuação nesses dois órgãos foi uma decisão provisória.

 

[PE] - Recentemente o senhor esteve em missão externa. Quais os resultados?

Costinha - Estivemos na China, com o governador Raimundo Colombo. Faziam parte da delegação a Federação das Indústrias (Fiesc), a Santos Brasil (arrendatária de um terminal do Porto de Imbituba), membros do governo estadual e representantes da Assembleia Legislativa, além da empresa TSL do Brasil, responsável pela aproximação da chinesa Geely (terceira maior montadora chinesa e controladora da Volvo) com o governo do Estado e a Santos Brasil. Ela serviu de assessoramento e a Fiesc de apoio para que a Geely se estabeleça aqui. Foram três dias de visita. Os dois primeiros, com reuniões técnicas junto com a SAE e a Secretaria da Fazenda. No terceiro dia, com a presença do governador e toda a delegação, visitamos as instalações de uma das fábricas da Geely. O que nos impressionou foi o nível de tecnologia, a qualidade de seus produtos e a visão de mercado focada na expansão internacional. O nosso foco foi a visita na empresa Geely, mas também tivemos contatos com outras empresas, inclusive a TSL do Brasil, que mantém um diretor na China e que faz diversas prospecções para investimentos no Brasil, além de promover exportação de produtos brasileiros e importação de produtos chineses.

 

[PE] - Santa Catarina está num intenso processo de atração de empresas. Qual o seu papel nesse esforço?

Costinha - O papel é ser parceiro dessa atração de empresas. Buscamos, fomentamos, apoiamos esses investimentos e, quando é interessante que tenham uma participação do governo do Estado, a SCPar estuda esta parceria. Tanto é que já tivemos investimentos. Podemos exemplificar a fábrica de aviões Novaer Craft, considerada um investimento estratégico, por ser do setor aeronáutico, alta tecnologia e futuro promissor. É uma nova fronteira, um setor praticamente inexistente em Santa Catarina e por isso a SCPar se associou, tornando-se uma investidora e parceira para a empresa se estabelecer no Estado.

 

[PE] - Desde o início do atual governo, quantas empresas já manifestaram interesse em se transferir para cá?

Costinha - Muitas empresas já se manifestaram em fazer investimentos no Estado, ou ampliá-los. Eu poderia citar alguns, como Sinotruk, Novaer, LSMtron, Âncora, Mater LNG, Rondon, Votorantim, ampliação da JBS/Friboi, a Brunswick, Whirlpool, BR Foods, Rigesa, Klabin, BMW, entre outras.

 

[PE] - Quais dessas negociações se consolidaram?

Costinha - Todas. E é importante destacar a diversificação. A Âncora Sistemas de Fixação é do setor de construção; a LS Mtron, que vai investir R$ 30 milhões e gerar 100 empregos, é fabricante de tratores; a Sinotruk, montadora de caminhões, vai aplicar R$ 300 milhões e gerar 1.100 postos de trabalho, começando a operar já na primeira quinzena de 2014; a Novaer Craft, do setor aeronáutico, vai investir R$ 70 milhões e abrir 400 vagas, começando a operar também em 2014; a Mater LNG, refinadora de biodiesel, investirá R$ 3,27 bilhões e gerará 2,5 mil empregos; a Votorantim, cimenteira, está investindo R$ 440 milhões em duas novas plantas no estado; a Brunswick, da área náutica, somará investimentos de R$ 25 milhões, com abertura de 80 vagas; e, é claro, a BMW, que vai produzir automóveis de luxo em uma unidade que exigirá R$ 500 milhões de investimentos e criará mil empregos. Isso sem falar na Rondon, na JBS/Friboi, Whirlpool, na BRFoods, na Rigesa e na Klabin, que também já anunciaram ampliações e novos investimentos.

 

[PE] - O que pesou mais nas decisões: a renúncia fiscal do Estado ou as características de Santa Catarina? Ou a soma de ambas?

Costinha - Tudo pesa. Os incentivos fiscais são importantes, mas considero outros fatores tão importantes quanto esse, como, por exemplo, a situação estratégica do Estado, em termos de posição logística. A nossa infraestrutura com cinco portos, acho fundamental. A qualidade da nossa mão de obra e, poderia dizer também, o próprio parque industrial catarinense, parque de suprimentos de qualidade e de diversidade que facilitam a atração de empresas, possibilitando parceiros para a sua cadeia de fornecedores. E também a qualidade de vida do catarinense. Somos o segundo estado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, perdendo só para o Distrito Federal. Temos o menor índice de analfabetismo e também contamos com um modelo de desenvolvimento descentralizado, onde regiões, com vocações econômicas específicas, propiciam vantagens competitivas para novos investimentos.

 

[PE] - Quais as suas expectativas quanto à atração de mais negócios o estado?

Costinha - A expectativa é otimista, com o crescimento na economia estadual de forma firme e consolidada. O grande esforço que o governo do Estado está fazendo na melhoria de sua infraestrutura, através de programas arrojados na área de pavimentação, educação, social, saúde e tecnologia, fará com que sejamos mais competitivos e atraentes para o investimento privado. O resultado será a melhoria das condições de vida da população.

 

[PE] - Mudando de assunto, a experiência de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para a quarta ligação ilha-continente, na Capital, pode ser aplicada em outras regiões?

Costinha - Eu iria mais longe e diria que a PMI para essa ligação ilha-continente é um processo de busca pela melhoria da mobilidade urbana entre o continente, precisamente desde a BR-101, até a ilha. Esse processo todo tem sido bastante trabalhoso e estamos otimistas em trazer bons resultados para que, o mais brevemente possível, possamos melhorar esta mobilidade urbana na Grande Florianópolis. Evidentemente, esta experiência de PMI é um processo novo em todo o país, principalmente em Santa Catarina, mas não tenho dúvida de que embasará o Estado para que em outros interesses possamos utilizar essa solução. Eu vejo inúmeras obras de infraestrutura que poderão ser utilizadas desse procedimento.

 

[PE] - Por exemplo...

Costinha - Um exemplo, que possivelmente se transformará numa PMI, é o complexo de entretenimento que queremos fazer em Balneário Camboriú. A princípio, a âncora será o Centro de Eventos, mas a intenção é ter uma obra que seja realmente um grande centro de entretenimento, com eventos, esporte e lazer.

 

[PE] - Por que o modelo PMI é vantajoso?

Costinha - Porque atrai a iniciativa privada e, juntamente com recursos públicos, se consegue realizar mais rapidamente os investimentos necessários. Haja vista a pequena disponibilidade de recursos no Estado. Esse modelo também facilita e melhora a gestão dos investimentos. Na verdade é que quando se busca, além do investimento, a melhoria da gestão, é importante um parceiro privado que tenha experiência e seja especialista na área.

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