[Pelo Estado] Entrevista Presidente da Abeoc-SC, Lucas Schweitzer- 11/07/2016

11.07.2016

“Somos um estado querido por todos os visitantes”

"O desafio está atrelado à infraestrura que depende dos governos. No que diz respeito à iniciativa privada estamos bem servidos."

 

Nesta entrevista exclusiva à Coluna Pelo Estado, o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc-SC), Lucas Schweitzer, fala sobre a posição de destaque que Santa Catarina vem obtendo na organização e recepção de eventos nacionais e internacionais, colocando-se em pé de igualdade com São Paulo e Rio de Janeiro. Em junho, a Abeoc-SC organizou em Florianópolis o 1º Encontro Sul Brasileiro de Empresas e Profissionais de Eventos, ocasião em que foram discutidas formas de atrair um maior número de eventos para a região e como as empresas devem atuar junto aos órgãos públicos para melhorar a capacidade de atendimento e a qualidade dos serviços oferecidos aos turistas. Empresário, com especialização em Direção Comercial e Marketing pela Universidade Complutense de Madri, Schweitzer é o diretor-proprietário da Lusch Agência de Eventos, empresa focada em eventos corporativos, com área de atuação em Santa Catarina e São Paulo. Para ele, o principal desafio do setor está atrelado à questão da infraestrutura, que depende da ação do governo em todas as esferas da administração pública.

[PeloEstado] - Como caracterizar o setor de eventos em Santa Catarina? Como está posicionado em relação a outros Estados?
Lucas Schweitzer -
Temos empresas muito capacitadas. Santa Catarina atende no mesmo nível que São Paulo, que é uma referência nacional e até internacional na prestação de serviços no segmento. Estamos bem posicionados tanto como destino quanto em equipamentos, fornecedores e prestadores de serviço para atender os eventos. Concorremos de igual para igual, com certeza, com empresas de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo uma grande referência para o segmento no Brasil. Nosso objetivo com o encontro realizado em junho foi fortalecer e qualificar cada vez mais esses profissionais para realizarmos ainda mais eventos no Estado.

[PE] - O que permite essa comparação nas mesmas condições de São Paulo e Rio de Janeiro?
Schweitzer -
Nós já sediamos alguns eventos internacionais e de grande porte que foram realizados no Brasil, e uma prática de mercado, por grandes empresas, é fazer concorrência com seleção de três a cinco fornecedores para determinado produto. Temos vistos muitas empresas de Santa Catarina ganhando grandes concorrências nacionais e internacionais e se destacando no cenário nacional. Também estamos realizando cada vez mais eventos de grande porte no estado. São indicativos da boa qualidade dos serviços que oferecemos. Eventos importantes como o Ironman na Capital, a Oktoberfest de Blumenau, Festival de Dança de Joinville, shows internacionais, feiras náuticas, Brasil Tennis Cup - WTA também em Florianópolis, o Mercoagro, em Chapecó, a Festa do Pinhão, em Lages, Revezamento Volta à Ilha e o Congresso Técnico voltado à Copa do Mundo, também dois eventos  que movimentaram a Capital e o BNT Mercosul em Balneário Camboriú e Itajaí, que também volta a receber uma etapa da Volvo Ocean Race

[PE] - Quais são os principais desafios e gargalos? E o que Santa Catarina precisa melhorar nesse setor?
Schweitzer -
Os desafios estão muito ligados ao poder público. Precisamos de mais investimentos em estrutura, de um aeroporto na Capital que possa receber turistas em grande quantidade para eventos maiores e internacionais. O desafio está atrelado à infraestrutura que depende dos governos. No que diz respeito à iniciativa privada, estamos muito bem servidos de hotéis, restaurantes e o bom uso dos atrativos naturais nas cidades. Mas precisamos, de fato, de investimento público em transporte aéreo, rodoviário, náutico, frota de táxi ou regulamentação de outros serviços similares. Quando Florianópolis realiza eventos de grande porte, por exemplo, muitas vezes a pessoa não consegue chegar na cidade porque ou os vôos são muito caros ou as opções se esgotam.

[PE] - Que características de Santa Catarina levam o setor de eventos a ser destaque nacional?
Schweitzer -
Santa Catarina é um estado muito democrático, com turismo de sol e mar, turismo rural, o frio na Serra e outras diversidades. Conseguimos ser um estado apto ao segmento de eventos o ano inteiro, em diversas regiões. E somos um estado muito querido por todos os visitantes. Nosso principal diferencial é ter, num raio de duas horas de distância, grandes serras, paisagens lindas de cânions, a Capital com 42 praias, o Litoral Norte com suas características, o Planalto Norte com suas tradições. Enfim, temos uma diversidade de roteiros. Essas condições permitem que se promova o turismo de negócios em encontros em diferentes cidades. É um nicho que vem sendo trabalhado há pouco tempo, mas sabemos que o apelo turístico da cidade ajuda na decisão de se participar de um evento. Sobretudo porque, cada vez mais, as pessoas procuram vivenciar experiências. Um empresário pode vir a um encontro de negócios em um empreendimento do Norte da Ilha,  em Florianópolis, por exemplo, e almoçar assistindo à pesca da tainha no inverno. Alguns eventos corporativos são realizados na quinta e sexta justamente para oportunizar o turismo no fim de semana.

[PE] - Que nicho mais se destaca hoje no setor de eventos?
Schweitzer -
A Abeoc está realizando um trabalho para mapear esses dados. Mas já sabemos, por exemplo, que Florianópolis é considerada um Destination Wedding, é uma cidade que as pessoas escolhem para casar e que sedia muitos eventos sociais. Congressos empresariais e eventos corporativos são muito importantes, pois o número de participantes aumenta quando esses encontros são realizados em destinos turísticos. Eu diria que eventos sociais, de entretenimento, congressos, corporativos e eventos esportivos são os principais realizados em Santa Catarina.

[PE] - Há alguma região do estado com maior destaque? Qual o diferencial?
Schweitzer -
Florianópolis ainda tem o maior destaque no mercado de eventos, principalmente pelos atrativos turísticos e pela maior capacidade da malha aérea. Além disso, a região da Capital catarinense está muito bem servida no que diz respeito à iniciativa privada, com bons hotéis e restaurantes, para melhor atender ao turista.

[PE] - Onde há potencial não explorado? E de que forma isso poderia mudar?
Schweitzer -
Cada vez mais as pessoas estão em busca de novas experiências. E, com isso, o nosso turismo de Serra aparece como um destino que pode ser melhor explorado, além de qualificar o turista de sol e mar, trazendo pessoas com maior poder aquisitivo. Para mudar essa situação, seria fundamental estabelecer uma relação de cooperação entre o setor público e privado, em que as ações fossem pensadas e realizadas de forma integrada.

[PE] - Os estados do Sul, que têm imagem diferenciada em relação ao restante do país, podem trabalhar juntos para atrair eventos?
Schweitzer -
É possível, sim. Seria incrível termos “Rotas do Sul” e sermos tão unidos quanto é o Nordeste, por exemplo. Mas sabemos que é necessário articulação e interesse político para fazermos acontecer.

[PE] - O turismo de eventos tem o devido suporte no turismo tradicional, como roteiros, mão de obra qualificada e infraestrutura, ou há carências?
Schweitzer -
Ainda temos muito a melhorar. Tanto em infraestrutura das cidades turísticas, quanto na mão de obra qualificada. Para isso, é necessário a união do governo de Santa Catarina com o empresariado e a sociedade civil organizada. Só dessa maneira conseguiremos, de forma conjunta, aumentar a competitividade do estado no turismo durante o ano inteiro.

[PE] - Qual é o tamanho e o potencial do mercado de eventos no Brasil?
Schweitzer -
O mercado de eventos vem crescendo em média 14% ao ano e sua relevância econômica é cada vez mais expressiva na geração de negócios, emprego, renda e impostos. De acordo com a pesquisa que a Abeoc realizou em 2013, em  parceria com o Sebrae, o segmento já representa 4,3% do PIB do país e movimenta mais de R$ 209,2 bilhões por ano, gerando R$ 48,7 bilhões em impostos e 7,4 milhões de empregos. O estudo foi o mais completo realizado sobre o setor e revelou que 56,3% das empresas prestadoras de serviço estão enquadradas no Simples, mostrando a importância dos micro e pequenos negócios para o segmento. Por isso, também em parceria com o Sebrae, nós criamos o Selo de Qualidade Abeoc Brasil, dentro de um programa de qualidade voltado às micro e pequenas empresas, preparando-as tanto para o mercado nacional quanto para o internacional.

Editado por Dorva Rezende
redacao@peloestado.com.br

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