[Pelo Estado] Entrevista Presidente da Acats Paulo Cesar Lopes - 12/09/2016

12.09.2016

Crescimento de 6% nas vendas anima setor de supermercados

"Em doze meses a ACATS capacitou mais de 12 mil profissionais em todas as regiões do estado."

Natural de Blumenau, é formado em Administração Empresarial (FURB) e tem MBA Gestão Empresarial (FGV). Atua desde o início de sua vida profissional no Supermercado Central Ltda, onde é diretor desde 1984.  Foi fundador, diretor e presidiu a Associação de Supermercados do Vale do Itajaí (Assuvali), presidiu o Conselho de Desenvolvimento Itoupava Central, foi diretor e presidente por duas gestões da CDL de Blumenau e presidente do Sindicato dos Supermercados e do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Blumenau e Região (Singavale). Atua na Associação Catarinense de Supermercados (ACATS) desde a década de 1990. Foi vice-presidente Regional Vale do Itajaí (1992-1996) e vice-presidente Executivo (2014-2016). Tomou posse como presidente da entidade no final de junho. Integra os comitês de Centrais de Compras, Meios de Pagamentos e de Prevenção de Perdas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Nesta entrevista exclusiva à Coluna Pelo Estado, ele fala do comportamento do setor, da importância da tecnologia e  dos planos para a entidade. “Queremos ser referência no que fazemos.”

 

[PeloEstado] - Qual tem sido o comportamento dos supermercados catarinenses neste momento de instabilidade econômica?
Paulo Cesar Lopes - Neste último mês de julho o resultado da pesquisa mensal da ACATS indicou uma reação de mais de 6% nas vendas. No acumulado do ano estamos praticamente iguais a 2015, uma boa notícia, se for feita uma comparação com outros segmentos da economia. O fato é que os consumidores estão sendo afetados por este novo momento da economia e isto é uma realidade. Cabe às empresas desenvolverem estratégias comerciais e promocionais que minimizem esta situação do bolso mais retraído. O que se nota é que a indústria também promove um grande esforço para readequar os produtos a este novo momento. Neste caso, a preferência está recaindo para produtos com embalagens mais econômicas e a procura por marcas mais populares também cresceu. Os consumidores estão aproveitando as promoções e também, no caso das categorias assalariadas, prevalecem as compras abastecedoras no começo do mês, ficando as compras de reposição para os demais períodos.

[PE] - Houve fechamento de unidades? O setor está demitindo? Lopes - A ACATS não tem registro de fechamento de lojas de supermercados em Santa Catarina. Também não existe um indicativo de demissões. O que muitas empresas estão adotando é a política de não repor o contingente de vagas de pessoas que deixaram a empresa, com reorganização interna de funções para equacionamento de custos.

[PE] - Até que ponto a tecnologia contribui para o equilíbrio e o crescimento do setor?
Lopes - As inovações tecnológicas estão cada vez mais presentes nos diversos setores das empresas supermercadistas.  Sua aplicação atende os objetivos de modernização das empresas para qualificar o atendimento aos consumidores, evitar situações de falta de produtos, conhecida como ruptura, e aumentar resultados em produtividade, logística, armazenagem e conservação de produtos, bem como nos controles dos prazos de validade dos mesmos.

[PE] - Qualificação e capacitação dos recursos humanos também contribuem? Qual o foco?
Lopes - A qualificação e requalificação dos profissionais que atuam em todos os setores de lojas é um processo que vem ganhando muita força,  graças ao empenho da própria ACATS em ampliar a oferta de cursos, workshops e treinamentos, gerais ou específicos, para empresas. Em doze meses a ACATS capacitou mais de 12 mil profissionais em todas as regiões do estado, nas áreas de gestão e operação, inclusive um MBA (pós graduação específica para o setor.) A grade de cursos que a entidade promove acumula mais de 100 temas para o desenvolvimento das pessoas e das empresas.

[PE] - Qual a posição dos supermercados catarinenses em relação ao restante do país?
Lopes - Apesar de Santa Catarina ter uma distribuição geográfica sem a ocorrência de grandes metrópoles, o Estado tem sido protagonista no cenário nacional através do desenvolvimento de programas inovadores e inéditos como o Supermercado Lixo Zero e o Programa Alimento Sustentável, de rastreabilidade dos produtos in natura, desde a sua produção até a gôndola. Além disso, temos duas redes – Angeloni e Giassi – entre as 25 maiores do país. O consumo catarinense responde por uma fatia de cerca de 7% do mercado nacional do setor.

[PE] - Os supermercados catarinenses estão preparados e seguem a tendência dos produtos diferenciados, como para restrição alimentar, por exemplo?
Lopes - Cada vez mais a indústria se esforça para ampliar o leque de opções e cresce a demanda por produtos indicados para quem tem restrições alimentares. A busca por orgânicos também é crescente e reflete uma outra realidade, a de que aumenta o contingente de consumidores que melhorou seu nível de informação e aplica esta nova realidade na hora de fazer as compras e suas escolhas daquilo que quer consumir. O setor precisa estar atento a estas mudanças e ir se adaptando a esta nova realidade para não perder sua competitividade. A postura inovadora das empresas será fundamental neste processo.

[PE] - Com a alta do dólar, os produtos importados perderam espaço? Ou o público está consolidado e assimilou o encarecimento?
Lopes - Os produtos importados representam menos de 5% do mix de supermercados. Esta é uma média nacional que se aplica a Santa Catarina também. Por estarem em faixas mais concentradas e que atendem a um público cujo tíquete médio é bem mais alto em relação à média dos consumidores em geral, a variação não chega a ser significativa. Além disso, representa um volume baixo de demanda na comparação com as categorias de largo consumo, como alimentos, higiene e produtos de limpeza, âncoras do segmento supermercadista.

[PE] - A ACATS se prepara para lançar a Exposuper 2017. Como será o lançamento e quais as expectativas para o evento?
Lopes - A Exposuper vai completar 30 anos ininterruptos em 2017. É um evento consolidado pelo mercado e que tem uma “engrenagem” permanente: acaba uma feira e já começam os preparativos para a edição seguinte. Esse processo nunca cessa. A entidade tem estrutura preparada para realizar no ano que vem a melhor de todas as edições. Nosso objetivo é alcançar recordes de participação, público, avaliação e negócios. O evento de apresentação vai recepcionar os parceiros, empresas que possuem potencial para estarem no evento, como expositores e convidados especiais.

[PE] - Como a sua gestão vai lidar com os supermercadistas do interior do estado? Que ações pretende desenvolver neste sentido?
Lopes - A ACATS possui um planejamento estratégico que tem como prioridade o atendimento de empresas associadas de todas as regiões, em especial as de pequeno porte, que têm maiores necessidades em atendimento. A entidade possui estrutura diretiva que compreende a atuação de dez vice-presidências regionais, que integram a Diretoria Executiva, e todas permanecem conectadas em ações nas regiões ou conjuntas para que o associado sinta a presença da entidade no atendimento de suas expectativas. Para movimentar o setor, a ACATS executa um intenso e amplo calendário, com ações que oportunizam a participação de todos os supermercados, independentemente do porte.

[PE] - De uma maneira geral, o que destaca em seus planos como presidente?
Lopes - Nossa atuação é pelo trabalho em equipe e segue o planejamento estratégico previamente definido e aprovado pelas instâncias deliberativas da entidade. Nosso objetivo é trabalhar pelo crescimento do setor, estimular posturas e projetos inovadores, como tem sido feito até aqui. Vamos estar sempre próximos de nossos associados e defender os interesses do segmento, bem como fazer a representação institucional junto aos poderes públicos de todos os níveis. No âmbito de atuação como entidade associativista, a ACATS tem como objetivo não ser a maior ou melhor do Brasil, mas ser reconhecida como referência naquilo que faz.

 

Por Andréa Leonora
redacao@peloestado.com.br

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