[Pelo Estado] Entrevista Presidente da FCDL-SC Ivan Tauffer - 09/01/2017

09.01.2017

Desempenho do varejo em 2017 dependerá das reformas

Enquanto o país acompanha o desenrolar da crise política e institucional em Brasília, com reflexos sobre os estados, o setor varejista sofre as consequências, que aparecem na forma de queda do índice de confiança do consumidor e de recuo de vendas. A baixa na atividade econômica prejudicou os comerciantes catarinenses em 2016 e é esse um dos temas da entrevista que o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina (FCDL-SC), Ivan Tauffer, tratou durante entrevista exclusiva concedida à reportagem da Coluna Pelo Estado. Para ele, o ano passado foi turbulento e 2017 será igual - ou pior - se o governo não conseguir efetivar reformas como a Trabalhista e a da Previdência. Mas, longe de esmorecer frente a dificuldades, o empresário de São Miguel do Oeste e que há 30 anos se dedica ao movimento lojista faz planos. Por exemplo, o mais importante evento da entidade, o Seminário Estadual do SPC-SC, que é anual, terá duas edições em 2017. Além disso, a FCDL-SC começa, já em fevereiro e pelo Oeste catarinense, um total de 11 grandes encontros nas regiões metropolitanas do estado para identificar problemas e buscar soluções. 

 

[PeloEstado] - O ano de 2016 foi o pior entre os mais recentes?
Ivan Tauffer -
Não foi totalmente ruim. Foi um ano turbulento! Tivemos altos e baixos no varejo de Santa Catarina, as datas comemorativas também sinalizaram uma pequena queda, mas tivemos alguns meses com números positivos. O lojista esperava um pouquinho mais do ano que passou, mas não tinha como ser diferente devido à conjuntura econômica e política do país.

[PE] - É possível que 2017 traga alguma recuperação?
Tauffer -
Minha percepção, com base no que ocorreu no final de 2016, é de que teremos um ano semelhante ao período passado. A economia do país não vai se recuperar tão imediatamente, mas tem uma luz nesse cenário, que são as reformas do governo federal. Se o governo conseguir cumprir o que vem anunciando, reformas Trabalhista e Previdenciária, principalmente, nós devemos ter um bom segundo semestre de 2017. O primeiro semestre, mesmo com as reformas, não sinaliza uma estabilidade. Por outro lado, se as reformas não acontecerem, ficamos receosos de que 2017 será também um ano turbulento e talvez até um pouco mais tenso do que 2016.

[PE] - As reformas, da maneira como estão sendo apresentadas, não podem reduzir o poder de consumo da população?
Tauffer -
Não. As reformas vêm favorecer e muito. A Trabalhista, por exemplo, dá elasticidade tanto para o empresário quanto para o colaborador. E hoje isso nos faz falta. É muito distante negociar com seu próprio funcionário via sindicato e via leis que já estão ultrapassadas e nos amarram. Ajustando essa reforma, o empresário pode voltar a empregar novamente. Hoje, precisamos admitir, mas, como as leis são complexas, acabamos não contratando. O que também nos anima é a mudança na forma do Cadastro Positivo.

[PE] - Em que sentido?
Tauffer -
Hoje, nós estamos ao contrário. Sou eu, lojista, que tenho que pedir para o consumidor para colocar o nome dele no cadastro de bons clientes. Agora é o consumidor que vai ter que dizer para nós que ele é bom. Com o cadastro positivo nesse novo formato, vamos conceder mais descontos, vamos ampliar o crediário e valorizar os bons consumidores, vamos reduzir taxas. Da forma atual, muitas vezes eu valorizo consumidor que não me paga e ele gera a inadimplência que eu tenho que botar na conta do mês e que vai se refletir no encarecimento do produto. Hoje, trato diferentes como iguais e isso nunca é bom. Os lojistas estão esperando essa mudanças, porque projetam ganhos reais.

[PE] - Como foram as vendas de Natal de 2016 comparando com as de 2015?
Tauffer -
Os dados coletados pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) mostraram uma retração de 3,14%. Mas o SPC só mede as vendas no crediário e com cheques pré-datados. O índice de confiança do consumidor ainda está muito abaixo do necessário para que volte a comprar como em anos anteriores. A preocupação com a manutenção dos empregos e o impacto da diminuição de renda ainda é muito presente. Na pesquisa feita antes do período, de intenção de compras e nas principais cidades do estado, o valor médio de gastos com o Natal teve um aumento de 6,5%, passando de R$ 419,18 para R$ 446,43. E aqui vale explicar que esse valor é para tudo o que se refere com as festas de final de ano, ou seja, as refeições especiais, o corte de cabelo, os presentes... é o gasto total! Portanto, é um valor muito baixo e, se considerarmos a inflação, os valores entre um ano e outro se igualam. É mais um reflexo da economia do país.

[PE] - O governo federal anunciou, no final do ano, uma série de medidas econômicas. Qual o impacto para o setor varejista?
Tauffer - São medidas positivas e que vão ajudar muito, numa época difícil, de números estagnados. O governo vai colocar dinheiro na mão do consumidor, que aí vai para o mercado realizar um sonho de consumo ou recuperar seu crédito. No que diz respeito ao uso do cartão de crédito, o principal impacto será no direito dos lojistas em praticarem preços distintos nas vendas à vista e no cartão de crédito. O comerciante precisa aguardar até 30 dias para receber das administradoras de cartões e ainda paga taxas que variam entre 2,5% e 7% sobre o valor das vendas. É lógico que vender à vista, recebendo em dinheiro, é mais vantajoso e o lojista pode repassar essas vantagens para os consumidores, ganhando em volume e fidelizando seus clientes. Até o cheque pré-datado ganha fôlego neste novo cenário, pois o consumidor pode parcelar e o comerciante tem ferramentas de crédito que oferecem segurança cadastral, sem pagar as mesmas taxas das administradoras de cartões. Esperamos também uma baixa significativa nos juros.

[PE] - O senhor ainda tem um ano na presidência da FCDL. O que foi feito em 2016 que merece destaque?
Tauffer -
Passamos o ano muito bem. Atingimos todas as metas e realizamos tudo o que foi programado. Nada ficou pendente apesar de, como eu disse no início, ter sido um ano turbulento. E o melhor de tudo: não estouramos o orçamento. Uma inovação que tivemos foi o lançamento das campanhas em datas comemorativas por meio das redes sociais e em um trabalho conjunto com as 207 CDLs catarinenses. E chamo a atenção para uma data que estava adormecida, que é o Dia dos Avós. Tratamos de tirar essa data do fundo do baú e já temos lojas trabalhando fortemente esse dia (26 de julho), o que nos ajudou a diminuir o impacto da queda de vendas em outras datas. Também destaco a aproximação com a Assembleia Legislativa e um entrosamento maior com os deputados para que entendam melhor o nosso setor e evitem aprovar leis prejudiciais ao varejo. Foi um grande passo dado em 2016 e que não se limitou à Assembleia. Também nos aproximamos mais da bancada federal catarinense, como no caso da modernização da lei do Simples Nacional. Do ponto de vista institucional, temos o Programa Excelência da Gestão, para melhorar os serviços prestados pelas CDLs do estado. Treinamos as equipes ao longo do ano inteiro, para que tenham conhecimento dos novos produtos, para que possam explicar aos lojistas o uso de ferramentas que disponibilizamos, para buscar novos associados. Para fechar a lista só dos destaques falo do Programa Recicla CDL na Escola, nossa ação socioambiental que teve a adesão de 145 CDLs e a participação de 800 escolas municipais e 14 mil alunos que concorreram com desenhos e redações. É um programa que nos traz muito orgulho porque trabalha com as futuras gerações.

[PE] - Tudo isso será mantido em 2017?
Tauffer -
Sim. Além de manter todas as nossas ações, nosso orçamento para 2017, que já está aprovado, permitirá, por exemplo, realizarmos não só uma, mas duas edições do Seminário do SPC-SC, nosso evento maior. Outra mudança considerável é que vamos realizar reuniões metropolitanas, num total de 11 ao longo do ano, começando em fevereiro pela região Oeste. Vamos chamar todos os presidentes das CDLs, todos os diretores distritais, deputados estaduais e federais de cada região, prefeitos das cidades. Vamos colocar em debate as necessidades e elencar as soluções possíveis para então tratar de exigir. Temos assuntos críticos, como infraestrutura, logística e segurança, que são comuns a praticamente todas as regiões. Acredito que será uma ação muito importante para o interior do estado.

Por Andréa Leonora
redacao@peloestado.com.br     

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