[Pelo Estado] Entrevista Presidente da Fepese, Mauro Fiuza

13.11.2017

Fepese 40 anos: “Contornamos e vencemos as dificuldades”

 


"A Fundação mantém um relacionamento de mercado como qualquer outra organização"

Há 40 anos, professores dos cursos de Ciências Econômicas, Ciências Contábeis e Ciências da Administração, do Centro Socioeconômico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), se uniram com o propósito de criar uma entidade para atuar no campo econômico e social por meio do Ensino, da Pesquisa e da Extensão. O desejo de ajudar na construção de uma sociedade mais justa embalou a criação da Fundação de Estudos e Pesquisas Sócioeconômicos (Fepese). Com um quadro fixo de 30 funcionários, é uma organização de direito privado, sem fins lucrativos e de utilidade pública, que atua em três áreas principais: estágios, projetos e concursos. O presidente Mauro dos Santos Fiuza atendeu a reportagem da Coluna Pelo Estado para uma rápida entrevista durante a solenidade de comemoração dos 40 anos da Fepese. Economista, jornalista e professor universitário, nascido em Minas Gerais e morador de Florianópolis desde a adolescência, ele está na sua segunda gestão à frente da entidade, função que concilia com  a presidência do Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies). Fiuza resumiu a trajetória da Fepese, falou dos desafios e projetou um futuro positivo: “Há espaço para a Fepese crescer um pouco mais no mercado nacional e também no internacional”.


[PeloEstado] - Como o senhor avalia o momento da Fepese?
Mauro Fiuza -
A Fepese, hoje, tem atuação em três áreas. Uma é a área de Estágios, para a qual mantemos uma agência de oportunidades; outra é de projetos, que podem ser públicos ou privados; e por último a área de concursos, onde a Fepese é uma grife, em Santa Catarina e também em outros estados. Somos contratados para realizar concursos para prefeituras, governos estaduais, estatais, organizações privadas. A nossa estrutura de concurso não deve nada a nenhuma outra do país.

[PE] - O senhor citou primeiro a Agência de Estágios. Houve retração provocada pelo momento econômico do país?
Mauro Fiuza -
Não sentimos essa retração. Temos clientes de estágios muito bons e que passam meio que ao largo das crises. Um deles é a Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que tem um programa de estágios muito bom. Na verdade, temos expectativa de crescimento na área de estágios, tanto na privada quanto na pública. De uma maneira geral, as prefeituras, principalmente aquelas que já nos contratam para a realização de concursos, têm uma demanda muito grande por estagiários e muitas vezes não têm estrutura suficiente para uma seleção isenta e eficaz. Muitas vezes firmamos contratos para a realização de concursos e de seleção de estagiários de uma vez só.


[PE] - Santa Catarina é o mercado mais importante da Fundação?
Mauro Fiuza -
Estamos abertos para firmar parcerias em qualquer lugar do Brasil e até em outros países, como já ocorre, mas Santa Catarina é, sim, nosso mercado maior. Como somos uma estrutura de apoio à Universidade, muitas vezes atuamos em conjunto. Estou lembrando agora do projeto do Porto de Roterdã, na Holanda, o maior porto marítimo da Europa. É um exemplo. Alguns dos projetos são elaborados por nós, em outros somos chamados a participar, em outros ainda a Fepese executa e administra o contrato.

[PE] - De onde vem a sustentação financeira da entidade?
Mauro Fiuza -
Exclusivamente dos trabalhos que realizamos nos segmentos em que atuamos. A Fepese mantém um relacionamento de mercado como qualquer outra organização. Oferecemos orçamento, concorremos com outros prestadores de serviços e o contratante faz sua escolha. O que nos diferencia é que somos uma entidade privada, sem fins lucrativos e de utilidade pública. Os dirigentes não são remunerados. Apesar de a nossa sede estar instalada na UFSC, realizamos um trabalho totalmente independente da Universidade. Há uma relação de apoio mútuo, apenas. Inclusive pagamos aluguel e tudo (risos)! Vale dizer que, quando necessário, contratamos escritórios fora do estado. Temos contrato com um escritório de projetos de Brasília. Se necessário, teremos um em São Paulo, ou em Minas Gerais, ou no Rio Grande do Sul. Concluído o projeto, encerra-se o contrato e o custo gerado por ele. A expectativa positiva se repete na realização de concursos. Percebemos uma procura maior em 2017. Fizemos concursos em Balneário Camboriú, São José, Palhoça, para citar alguns, e fechamos recentemente com Chapecó e Fraiburgo, para citar apenas alguns municípios. É forte a nossa atuação no interior.

[PE] - Há recursos humanos suficientes para atuar em tantas áreas e tão diferentes entre si?
Mauro Fiuza -
Nossa equipe de profissionais abrange praticamente todas as áreas. A Universidade em si é um leque de opções para contratação de profissionais. Por exemplo, temos muitos projetos na área de transportes, de mobilidade urbana, em Santa Catarina e outros estados, como o projeto de uma ferrovia no Mato Grosso. O Laboratório de Transportes e Logística (LabTrans) existe justamente para dar atendimento a esse tipo demanda. É um laboratório da UFSC ao qual recorremos com certa frequência. Faz-se um plano de trabalho, o LabTrans nomeia um coordenador para o projeto e a Fepese gerencia. Cada projeto, independentemente da área, tem a sua equipe própria. Nossa equipe fixa é enxuta, de apenas 30 pessoas. Quando entra projeto chegamos a 150, 180 pessoas. As contratações são feitas de acordo com a demanda, o que mantém nossos custos sob controle. Agora, por exemplo, estamos trabalhando para realizar o concurso público da Polícia Civil de Santa Catarina. Vai ser o maior concurso da atual gestão do governo catarinense. É um projeto grande, que começa a ser concretizado já em dezembro, e que terá a nossa marca de competência.

[PE] - Como a Fepese se prepara para esse momento de transição para a nova economia, fortemente baseada em tecnologia?
Mauro Fiuza -
A Fundação existe há 40 anos. Conseguimos passar por todas as mudanças dessas quatro décadas, por todas as crises, sem dever nada em qualidade de serviços e em uma situação tranquila. Contornamos e vencemos as dificuldades. Soubemos perceber as mudanças e nos adequamos a elas, qualificando, aprimorando os serviços oferecidos. E vai continuar sendo assim. Com um detalhe: por ser uma Fundação de apoio, a Fepese é acompanhada pelo Ministério Público. Temos sobre nós olhos bem aguçados, mas que ajudam muito por garantir transparência total a todos os nossos atos, algo muito importante para o mercado. E todas as nossas contas sempre foram aprovadas pelo Ministério Público. Acredito que chegamos aos 40 anos em uma excelente condição e que vamos continuar crescendo. Aliás, como diz o slogan que marca a data – 40 anos conectando pessoas ao conhecimento. Queremos, no mínimo, mais 40 anos cumprindo a mesma tarefa com excelência.

[PE] - O que planeja para preparar esse caminho?
Mauro Fiuza -
Fui um dos primeiros presidentes da Fepese e ainda tenho um ano de trabalho pela frente no atual mandato. Tenho como meta aprimorar ainda mais o atendimento nas três áreas de atuação e ampliar o nosso mercado. Há espaço para a Fepese crescer um pouco mais no mercado nacional e também no internacional.

[PE] - Estamos na solenidade de comemoração dos 40 anos da Fepese. Como o senhor traduz esse momento?
Mauro Fiuza -
Tudo é marcante. Uma noite de muitas memórias, de muita emoção, de reconhecimento, de agradecimentos e de homenagens. E aqui destaco a homenagem ao reitor da UFSC, o professor Luis Carlos Cancellier de Olivo. Um reconhecimento pela trajetória profissional, pela dedicação em prol do Ensino, da Pesquisa e da Extensão, por sua colaboração no período em que esteve como assessor jurídico da Fepese e pelo trabalho executado como reitor. Um homem que se tornou amigo de muitos dos que estão aqui e que vai fazer muita falta.  
 

Por Andréa Leonora
redacao@peloestado.com.br

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