[Pelo Estado] Entrevista Presidente eleito da Facisc, Jonny Zulauf

21.08.2017

“Liberdade de mercado e livre iniciativa”

Na sexta-feira (18), em Rio do Sul, a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) elegeu sua nova diretoria para o próximo biênio. Nome de consenso, o advogado, administrador de empresas e professor de Direito Empresarial Jonny Zulauf tomará posse oficialmente no dia 29 de setembro, passando a responder por uma entidade que representa 148 associações empresariais espalhadas em todas as regiões, e mais de 35 mil empresas, entre as quais 90% são micro e pequenas. A meta do empresário dos ramos imobiliário e da construção civil de São Bento do Sul é ampliar essa capilaridade. “Somos 35 mil empresas das mais de 250 mil instaladas no estado. Dependendo da região, representamos apenas de 8% a 15% das empresas estabelecidas. Já somos a entidade mais expressiva do estado, mas ainda temos muito a crescer”, anuncia. Nessa entrevista exclusiva à Coluna Pelo Estado, Zulauf fala da necessidade de capacitação, de mercado e de política. “Queremos um Estado menor, mais barato, eficiente e ágil. Os programas de governo de candidaturas para 2018 que se alinhem com esse nosso posicionamento terão, sim, nosso apoio explícito.”

[PeloEstado] - Seu nome foi confirmado em uma chapa de consenso para a presidência da Facisc. Qual será sua prioridade à frente da Federação?
Jonny Zulauf -
Nossas metas desdobram-se em três linhas de ação. A primeira é a ampliação da visão de treinamento e de capacitação dos empresários e seus colaboradores. Isso garante a sustentabilidade da Facisc, uma vez que nós vendemos esses serviços, importantes para o fortalecimento empresarial. Vamos usar o sistema de ensino a distância, para facilitar e democratizar a capacitação. A segunda é a visibilidade da própria entidade em termos de espaço físico, com a conclusão de um grande monumento, que é a sede própria. Essa sede, que está sendo construída na área continental de Florianópolis e deve ficar pronta em 2018, é a real expressão da maior entidade de representação empresarial no Estado de Santa Catarina. Portanto, todo o empresariado vai ter a sua casa, seu ponto de referência na Capital. A terceira linha tem a ver com meu perfil pessoal que quero levar para a Facisc: mais presença na representação institucional perante os parlamentares estaduais e federais, o governo do Estado e suas secretarias, além dos ministérios em Brasília. É um resumo dos nossos planos para a Facisc. Bastante arrojado? Sim, mas necessário.

[PE] - A capacitação já acontece. Vai ser ampliada? Como?
Zulauf -
Nós temos os programas de capacitação no estado inteiro. Mas são presenciais, aplicados por nossos consultores, que percorrem os municípios. Além de onerosos, esses cursos não têm um grande alcance. Na estrutura da Federação nós temos a Fundação Empreender, que nasceu com o Programa de Gestão e Vivência Empresarial (PGVE). A forma de atuação é promover a convivência entre os empresários, funcionando quase como uma pós-graduação. Temos grupos em várias regiões do estado e, para podermos ampliar esse trabalho, temos algumas opções. Parceria com universidades é uma delas. O que queremos é incrementar a educação dos nossos associados e com excelência na qualidade.

[PE] - O senhor tem o propósito de interiorizar ainda mais as ações da Facisc?
Zulauf -
A primeira sinalização concreta nesse sentido está na própria composição da chapa, com representantes de todos os pontos do estado, equilibradamente. Depois teremos todas as nossas vice-presidências, indicadas. Nossos 24 “ministros” são setoriais e também obedecem essa proporcionalidade regional. Além disso, tenho uma condição pessoal muito boa para me deslocar. O atual presidente, Ernesto João Reck, de quem sou vice, fez isso e eu também farei: vou estar presente, prestigiando as associações, levando a diretoria. Nossas reuniões estão programadas para ocorrerem intercaladamente entre Florianópolis e outros municípios. Temos um plano de ação chamado Voz Única. Ali estão os interesses de cada região pelos quais nós, enquanto Federação, devemos trabalhar.

[PE] - No seu plano de campanha, “Juntos por Mais”, o senhor fala da necessidade de uma maior participação de jovens e mulheres na entidade. Como pretende atuar para isso?
Zulauf -
São segmentos que devemos estimular em qualquer organização. Trazem uma força e uma energia fantástica, que devemos aproveitar. O presidente do Conselho Estadual do Jovem Empreendedor, Ricardo Fontes Schramm Jr., de Tubarão, vai deixar essa função para compor a nossa diretoria, entre outros jovens que estão conosco. Quanto à mulher empresária, nós damos um exemplo em nível nacional de valorização. Nosso Conselho Estadual da Mulher Empresária é muito ativo, reconhecido nacionalmente. Tanto é que o Conselho Nacional é presidido por uma empresária aqui de Santa Catarina, Janelise Royer dos Santos, de Lages. Esses são só dois dos nomes que já definimos. Outros virão.

[PE] - Esse é um movimento semelhante ao que já ocorre no cooperativismo e no próprio Sebrae, por exemplo. O senhor prevê parcerias para cumprir essa meta?
Zulauf -
Com certeza! Algo que é extremamente positivo, evoluído, moderno, e que vamos incrementar de uma forma muito contundente, é a criação de cooperativas de crédito em todo estado. Com algo novo, a sociedade garantidora de crédito, que apoia as cooperativas na concessão de financiamentos para os micro e pequenos empresários. É um modelo alemão e italiano que a Facisc vai desenvolver aqui. Sobre o Sebrae-SC, afirmo que é o nosso grande parceiro e vai continuar sendo. Temos participação institucional no Conselho do Sebrae, o nosso veterano Alaor Tissot.

[PE] - A exemplo do que ocorre com o Estado e outras organizações, a Facisc sofre queda de receita em função da crise?
Zulauf -
Não atingimos os objetivos em termos de incremento de receita e arrecadação, mas também não houve recuo. Nossa sustentação financeira não vem de mensalidades, que estamos diminuindo com o objetivo de aumentar as receitas com base em qualidade de serviço e em soluções empresariais. A perspectiva de continuar crescendo é muito boa. A Facisc foi premiada com o reconhecimento da União Europeia, de um programa internacional para as Américas, como uma entidade referência em consolidar e perpetuar os negócios, principalmente os de menor porte. Já temos um credenciamento e estamos entregando os primeiros projetos em Santa Catarina, dentro do Projeto Empreender, para serem replicados no Brasil inteiro. A União Europeia está preocupada em não deixar que a pobreza crie mais migrações, um problema sério para eles, e quer fazer com que a gente se consolide, cresça e se estabilize. A Facisc tem o aval e o apoio da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) como sendo o grande modelo do Brasil. Vamos encarar as dificuldades e manter posição contra o primeiro grande adversário, que não é o mercado ou a falta de capacitação, mas o Estado brasileiro, que maltrata o empreendedor.

[PE] - Qual a sua expectativa em relação ao cenário econômico para o seu período de dois anos de mandato?
Zulauf -
Primeiro é importante eu dizer que, neste momento, a minha disposição é cumprir mesmo apenas dois anos de mandato, sem buscar a reeleição. O Reck precisou de quatro anos porque tinha uma missão muito grande, com a organização interna da Federação e o desafio de construir a sede própria. O desejo, no entanto, é de renovação. A minha avaliação crítica do Estado brasileiro é de que o governo está na linha certa. Não estou falando de Temer, mas da equipe que ele montou. Estamos conseguindo voltar a um racionalismo em termos de controle de gastos e já controlamos a inflação. Mas ainda há muito a ser feito.

[PE] - Por exemplo?
Zulauf -
Temos um ponto gravíssimo que são os juros. Há quem comemore porque baixou um ponto percentual, mas ainda está em um nível imoral, injustificável. As taxas de juros aplicadas no Brasil são criminosas. Vamos ter um posicionamento sempre crítico em relação a isso. Há uma cooptação do Estado brasileiro em relação ao sistema financeiro e precisamos combater isso para alcançar taxas como se tem no resto do mundo civilizado.

[PE] - E em termos políticos, como se posiciona?
Zulauf -
Meu posicionamento é absolutamente seguro e concreto. Pregamos a democracia, defendemos as questões republicanas e trabalhamos pela liberdade de mercado e pela livre iniciativa. Esse posicionamento não condiz com alguns partidos. Queremos um Estado menor, mais barato, eficiente e ágil. Os programas de governo de candidaturas para 2018 que se alinhem com esse nosso posicionamento terão, sim, nosso apoio explícito.

 

Por Andréa Leonora
redacao@peloestado.com.br

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