[Pelo Estado] Entrevista Secretário Estadual de Desenvolvimento Sustentável, Carlos Chiodini

25.09.2017

“Somos o estado que mais cresce em energias limpas”

"Estamos construindo uma ponte entre poder público e setores acadêmico e produtivo."

Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS) desde o início de 2015, Carlos Chiodini, filiado ao PMDB, é deputado licenciado da Assembleia Legislativa, onde está em seu terceiro mandato - um como suplente e dois eleitos com a maioria de votos na região Norte. Empresário de Jaraguá do Sul, antenado nos anseios da classe produtiva, é considerado uma revelação no colegiado de Raimundo Colombo, não só por ser um dos secretários mais atuantes, mas por coordenar projetos importantes que movimentam a economia do Estado, simplificando abertura de empresas, apostando na inovação e no desenvolvimento sustentável. Desburocratizar e dinamizar processos são palavras que dão o ritmo ao trabalho de Chiodini, que concedeu essa entrevista exclusiva para a reportagem da Coluna Pelo Estado. “O Brasil vai voltar a crescer, mesmo que a passos lentos. Os últimos anos foram de retrocesso e, para a economia se estabilizar novamente, teremos um longo caminho pela frente”, projeta ao declarar seu otimismo.

 

[PeloEstado] - Seguimos para o último trimestre do ano. Qual o balanço dos primeiros oito meses e a expectativa para os finais?
Carlos Chiodini -
Estamos fazendo o dever de casa, trabalhando muito. Prova disso são os números apresentados recentemente. Dois levantamentos divulgados em setembro mostram que Santa Catarina está na contramão das adversidades. No estudo realizado pela Macroplan, o Estado aparece líder em Desenvolvimento Econômico, por ter a menor taxa de desemprego, melhor distribuição de renda, menor porcentagem de pessoas abaixo da linha da pobreza e maior número de empregos formais. No ranking geral, Santa Catarina desponta em segundo lugar, atrás apenas de São Paulo. Já no Ranking de Competitividade dos Estados, relatório elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), Santa Catarina aparece como o segundo Estado mais competitivo no país, novamente atrás de São Paulo. Merece destaque a evolução na pontuação catarinense, passando dos 74,3 em 2016 para 77,2 em 2017, enquanto a média nacional caiu de 50,2 para 47,9. Além disso, fomos agraciados com o Prêmio Excelência em Competitividade na categoria Destaque Internacional, valorizando o trabalho que vem sendo realizado para elevar o nome do Estado no mercado externo.

[PE] - Como projeta o ano de 2018 para Santa Catarina no contexto nacional?
Chiodini -
O Brasil vai voltar a crescer, mesmo que a passos lentos. Os últimos anos foram de retrocesso e, para a economia se estabilizar novamente, teremos um longo caminho pela frente. A projeção é de que o PIB do país cresça 0,5%, enquanto em Santa Catarina nossas estimativas são mais otimistas, de até 2%, segundo estudo divulgado no jornal Valor Econômico na última semana. Se os números se confirmarem, saltaremos da sexta para quinta posição como maior PIB do Brasil. O mesmo estudo aponta que nosso estado terá o maior crescimento do PIB industrial do país em 2017. Lembrando que nem tudo são apenas projeções - no primeiro semestre tivemos crescimento na abertura de empresas de 6,5%. Não apenas no setor industrial estamos com números animadores, no setor agrícola também temos resultados expressivos, safra recorde de soja com 2,4 milhões de toneladas, 19,5% a mais do que no ano passado, com recorde na produção de mel, de cebola, entre outros.

[PE] - Há novas empresas anunciando investimentos no estado?
Chiodini -
A chegada da Embraer em Florianópolis, terceira maior fabricante de aviões do mundo e eleita a empresa mais inovadora do país pelo Anuário Brasil Inovação do Valor, foi uma grande notícia. Eles escolheram Santa Catarina para montar um centro de Engenharia e Tecnologia. Nós ainda temos uma demanda represada de investimentos, pois durante este período ruim, o empreendedor acaba não investindo por medo do futuro. O que vemos hoje é que a economia descola da política, o que é ótimo. Apesar da turbulência política, os números estão sendo recuperados. A retomada vai ser mais visível em 2018, 2019. A Investe SC, agência de investimento criada pela nossa Secretaria em parceria com a Federação das Indústrias (Fiesc)  tem o cadastro com mais de 200 investidores interessados em se instalar e fazer negócios aqui.

[PE] - Há ações previstas para incentivar pequenos empreendedores via crédito?
Chiodini -
Estivemos na última semana na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, para buscar uma parceria e conseguir lançar, ainda este ano, o Mais Crédito Microempresa. Esse é um projeto para alavancar a economia catarinense, um programa de crédito acessível para pequenos negócios, com empréstimos de R$ 3 mil até R$ 15 mil com juros de 1% na ponta. Os diretores do BNDES adoraram a ideia e querem usar Santa Catarina como um modelo, para depois lançar um programa nacionalmente. Não iremos descansar enquanto o projeto não estiver funcionando. Vale lembrar que continuamos com o Juro Zero, para microempreendedores individuais, ação já consolidada em todo estado, com concessão de créditos de R$ 3 mil. No total, já foram concedidos R$ 193 milhões em mais de 68 mil operações de crédito.

[PE] - Como está a implantação do Bem Mais Simples?
Chiodini -
O programa é um sucesso em Santa Catarina. A adesão de aproximadamente cem prefeituras demonstra que, nestes momentos de dificuldades, precisamos simplificar a vida de quem vai empreender e gerar emprego. Nossa meta é fazer com que os 295 municípios estejam cadastrados no programa até fevereiro. O grande objetivo é simplificar processos administrativos para os empreendedores, incluindo a abertura de empresas, reduzindo tempo e custos. O empreendedor vai acessar ao portal, que está pronto e já funcionando, preencher as informações e, se a classificação da atividade econômica indicar que a empresa é de baixa complexidade, poderá ser aberta de forma agilizada. Investimos pouco e mudamos a forma de registro e, mais uma vez viramos uma referência nacional, fazendo com que se consiga abrir empresas em até cinco dias.

[PE] - Passados dois anos, quais os avanços do SC+Energia ? E quais os próximos passos?
Chiodini -
Depois que o programa foi criado, muitas empresas que trabalham na cadeia produtiva da geração de energias renováveis começam a enxergar Santa Catarina como um celeiro de novos negócios. Mesmo sem rios de grande porte, o estado possui uma excelente qualidade hídrica, fundamental para as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Em dois anos de programa, foram emitidas mais de 150 licenças ambientais, com 99 projetos cadastrados dentro do programa, o que representa 3,1 gigawatts (GW). Ou seja, isso é o triplo do que havíamos projetado em 2015. Só no último leilão de reserva da Aneel, realizado no fim de 2016, nove projetos catarinenses foram vencedores. Desses, oito são cadastrados no SC+Energia, estamos falando de mais de R$ 164 milhões em investimentos. Hoje somos o estado que mais cresce no mercado de energias limpas e com chance de crescer ainda mais.

[PE] - Há uma grande expectativa em torno dos Centros de Inovação que estão sendo construídos nas regiões. Onde eles irão beneficiar os catarinenses?
Chiodini -
É um programa inédito de política pública no Brasil. Mais que um imóvel de qualidade e moderno, é carregado de um sentimento sobre a importância da inovação, consolidando a cultura do conhecimento e fortalecendo o ecossistema de inovação. Estamos construindo uma ponte entre poder público e setores acadêmico e produtivo. Já entregamos o de Lages, estamos com o de Jaraguá em fase final, com previsão de entrega para março do ano que vem, assim como Chapecó e outros municípios. Eu costumo dizer que quem inova sofre menos na crise. Com o ambiente de inovação fortalecido, vamos ampliar e qualificar a matriz econômica do estado.

[PE] - O senhor é deputado estadual licenciado. Quais seus planos políticos?
Chiodini -
Devo ficar até março na SDS, quando acaba o prazo para descompatibilização. Retomarei com foco nos trabalhos legislativos e da metade do mês agosto até a primeira semana de outubro tem o período eleitoral. É um momento importante na minha carreira política.udo leva a crer que disputaremos uma vaga na Câmara Federal, um caminho sem volta, consolidado. Tenho encontrado, no âmbito partidário, grande apoio. É um desafio gigante, são necessários no mínimo 110 mil votos, e eu acredito que seja possível construir com muito trabalho e apoio. Precisamos buscar novos espaços e continuarei com as mesmas bandeiras, lutando por mais desenvolvimento econômico, para incentivar o empreendedorismo e, consequentemente, mais qualidade de vida para os catarinenses.

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