[Pelo Estado] Entrevista Senador Dario Berger (PMDB-SC) 09/05/2016

09.05.2016

“Temos que voltar ao caminho do crescimento”

"Acredito que estou realizando um trabalho sério e de lealdade aos interesses do povo de Santa Catarina."

 

Na sexta-feira (6), por 15 votos contra cinco, os senadores da Comissão Especial que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff aprovaram o parecer do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG), que pede a abertura do processo. O senador Dário Berger foi um dos votos favoráveis. Ele é o único catarinense na comissão e a cada etapa informa seus eleitores com postagens em suas redes sociais. Pouco depois das 10 da manhã de sexta ele escreveu: “Amigos, já estou desde cedo na sala onde se reúne a Comissão do Impeachment. Hoje teremos mais um capítulo importante a ser escrito na história do país. Daqui a pouco inicia a votação do relatório que recomenda a admissibilidade do processo. A tendência é que o parecer seja aprovado e aí segue a plenário na semana que vem. Vamos à luta!” Em entrevista exclusiva à Coluna Pelo Estado, Berger falou de suas preocupações com o país, das expectativas para o dia da votação, previsto para quarta-feira (11), e de sua atuação na Comissão Especial do Impeachment. “ Como único representante de Santa Catarina na comissão eu tenho feito de tudo para bem representar aos anseios do povo catarinense.”

 

[PeloEstado] - Como foi a semana na Comissão Es­pecial do Impeachment do Senado?

Dário Berger - Essa sema­na foi decisiva para a Co­missão, pois observamos, na quarta-feira (4), a lei­tura do parecer do relator que optou pela aceitação do processo nesta Casa Le­gislativa. A análise do rela­tor, senador Antônio Anas­tasia (PSDB-MG), que se posicionou de forma favo­rável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, mostrou claramente que há indícios do cometimento do crime de responsabilida­de e recomendou a admis­sibilidade da ação proposta sustentada na edição de créditos suplementares e o uso de créditos fiscais de bancos federais, as chama­das “pedaladas”.

[PE] - Qual tem sido sua participação?

Dário Berger - Tenho par­ticipado de forma atuante. Não só acompanhando os depoimentos e observando os fatos jurídicos a serem julgados. Em vários mo­mentos, pude questionar os depoentes sobre pontos importantes da questão que está sendo julgada que é a má gestão administrati­va por parte da presidente Dilma Roussef. Por mais de uma vez, inclusive, subs­tituí o presidente da Co­missão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB). Como único representante de San­ta Catarina na comissão eu tenho feito de tudo para bem representar aos anseios do povo catarinense.

[PE] - O senhor tem con­versado com os outros se­nadores catarinenses, Pau­lo Bauer e Dalirio Beber (PSDB), para alinhar a po­sição de Santa Catarina?

Dário Berger - Sempre esti­ve aberto para conversar e ouvir as demandas dos meus pares catarinenses. Faço parte do Fórum Parlamen­tar Catarinense e como tal sempre estivemos abertos para ouvir e conversar. Polí­tica é a arte da conversa.

[PE] - Na comissão da Câ­mara apenas um catarinen­se, deputado Mauro Maria­ni, do PMDB. No senado, só um catarinense, o senhor, também do PMDB. O PM­DB-SC mantém o papel pro­tagonista nesse processo?

Dário Berger - O PMDB é um partido que sempre este­ve presente na vida política do Brasil. Em Santa Cata­rina ele completou recente­mente 50 anos de atuação. Isso mostra que o PMDB é um partido comprometido com o futuro do nosso país. Claro que entendo que você questiona a participação do PMDB por causa da possi­bilidade do vice-presiden­te Michel Temer assumir a presidência da República. Isso mostra justamente esse comprometimento do par­tido, de se colocar contra aquilo que não está correto.

[PE] - Já é possível projetar um placar para a votação do Impeachment no Senado? Seu voto já está consolidado?

Dário Berger - Muito difícil definir esse placar. Quan­to ao meu voto, seguirei a minha coerência. Acredito que o Brasil não pode mais continuar nessa crise eco­nômica e institucional. Te­mos que voltar ao caminho do crescimento. As pessoas devem deixar de ter medo. O índice de desemprego não pode continuar subin­do e aterrorizando a vida dos brasileiros. A indústria não pode continuar estag­nada. As portas do comér­cio não podem continuar fechando. Temos que ter novamente uma adminis­tração que traga o reco­nhecimento das institui­ções financeiras nacionais e internacionais. Apostei no diálogo, mas o país foi per­dendo a governabilidade.

[PE] - O que aconteceu?

Dário Berger - O governo da presidente Dilma perdeu o apoio da sociedade, o apoio da base parlamentar, perdeu a confiança dos agentes eco­nômicos, enfim, tornou-se inviável uma saída da crise com a atual administração. Além disso, observando não só os fatos já descritos, ocor­reu um erro administrativo e financeiro gravíssimo, que são as pedaladas fiscais, que por hora estamos analisan­do na Comissão Especial de Impeachment.

[PE] - Qual a sua expecta­tiva para o dia da votação e que orientações estão sendo transmitidas aos senadores para o momento do voto?

Dário Berger - Certamente esse momento requer uma postura de consciência e respeito que cada senador saberá ter. Devemos honrar o voto dado pelo povo bra­sileiro e respeitar as insti­tuições públicas e privadas do nosso país. Não há como definir de antemão esse pla­car. Da mesma forma que na Câmara, muitos votos mudaram em cima da hora. Mas, no Senado, o processo foi analisado e percorreu as vias legais até chegar no plenário.

Acredito que o país pre­cisa mudar. Precisa voltar a encontrar o caminho do crescimento econômico e da confiança social, desgastada com tantos fatos negativos.

Como único representante de Santa Catarina na co­missão especial de impea­chment acredito que estou realizando um trabalho sério e de lealdade aos in­teresses do povo de Santa Catarina.

[PE] - Confirmado o im­peachment, o que o senhor espera do governo Michel Temer? Já se fala da parti­cipação de Santa Catarina nesse eventual novo gover­no? Seu nome tem apareci­do em algumas notas, por exemplo.

Dário Berger - Não gosta­ria de comentar aquilo que ainda não aconteceu. Mas estou à disposição do meu partido, do meu Estado e do meu país. Torço pelo fu­turo do Brasil, que ele seja profícuo. Sempre estarei à disposição para ajudar o nosso povo a ter mais qua­lidade de vida.

[PE] - No caso de não haver o acolhimento do pedido de impeachment, o que o se­nhor prevê para o país?

Dário Berger - Caso isso ocorra, as instituições pú­blicas deverão estar abertas ao diálogo. Não há como hoje o país voltar ao cami­nho do crescimento sem uma ajuda de todos para esse processo.

 

Por Andréa Leonora

redacao@peloestado.com.br

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