[Pelo Estado] Entrevista Senadores de Santa Catarina - 26/12/2016

26.12.2016

O que pensam os senadores catarinenses?

O que esperam os senadores catarinenses para o ano de 2017?  Que as suntos vão pautar os debates no Senado? Como avaliam o cenário político e econômico? A reportagem da CNR-SC/ADI-SC/Central de Diários foi atrás das respostas.

Dalirio Beber - PSDB: “Debater essa grave crise e alternativas para superá-la é o que nós, parlamentares responsáveis com o futuro do Brasil, estamos fazendo.”

[PeloEstado] - O ano foi intenso e tenso no Senado. Como avalia sua atuação?
Dalirio Beber -
Tivemos um ano bastante tenso e de intenso trabalho, e no qual o Congresso Nacional afastou a presidente Dilma Rousseff, em um processo legítimo e democrático de impeachment. Diante do preocupante cenário político e econômico, estamos atuando fortemente no Senado para manter o equilíbrio e a independência das instituições, a fim de que possamos retomar o crescimento sustentável do Brasil, devolvendo aos mais de 13 milhões de desempregados a sua vaga no mercado de trabalho, repartindo de forma mais igualitário o bolo tributário e tirando do papel o Pacto Federativo. Como coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, e com a forte união da bancada, trabalhei a favor dos interesses de Santa Catarina, apresentando a esse novo governo nossas principais demandas, como na infraestrutura, na saúde, na educação, no agronegócio e na segurança pública. Nesse sentido, apresentamos também, através de emendas impositivas da bancada, R$ 190 milhões para o custeio da saúde e R$ 39 milhões para a educação.

[PE] - O que esperar de 2017?
Beber -
Estamos diante do rombo na Petrobras, das pedaladas e do uso de dinheiro do lucro cambial do Banco Central para bancar despesas correntes do governo, através da “contabilidade criativa” dos 13 anos de governo, ou desgoverno do PT, que  saqueou e quebrou o Brasil. As contas públicas recebidas pelo presidente Michel Temer congregam uma dívida bruta que, entre 2006 e 2016, saltou de 55% do PIB para 70%, combinada com um déficit nominal na casa de R$ 600 bilhões, ou 10% do PIB. O custo da dívida está hoje perto de 25% ao ano. Debater essa grave crise e alternativas para superá-la é o que nós, parlamentares responsáveis com o futuro do Brasil, estamos fazendo. A frase de fundação do PSDB, deve estar presente desde o primeiro dia de 2017: “Longe das benesses do poder, mas perto do pulsar das ruas”.

[PE] - Das proposições que apresentou ou assuntos que acompanhou, quais merecem maior destaque?
Beber -
Desde que assumi o mandato, em maio de 2015, venho unindo esforços a favor da causa municipalista e da efetivação do Pacto Federativo, que se tornou ainda mais urgente diante da grave crise econômica que o Brasil enfrenta. Os administradores estão vivendo o pior momento das gestões municipais, com o menor índice de arrecadação. Nós desejemos que o Brasil melhore, ofereça empregos, aumente a arrecadação, para podermos ter uma partilha justa entre os estados e municípios. Hoje, a participação desse bolo tributário é quase insignificante, uma profunda defasagem em relação à União. E isso precisa ser corrigido. A causa municipalista também tem total apoio do Fórum Parlamentar Catarinense, que coordeno desde março. Através da PEC 143, iniciamos a discussão, no Senado Federal, ao oferecer  a municípios e estados o mesmo mecanismo de desvinculação de receitas permitido há 20 anos ao governo federal por meio da Desvinculação de Receitas da União (DRU).

 

Dário Berger - PMDB: “Precisamos acabar com a excessiva burocracia, responsável po insegurança jurídica e que prejudica a produtividade do país.”

[PeloEstado] - O ano foi intenso e tenso no Senado. Como avalia sua atuação?
Dário Berger -
Este ano de 2016 foi marcado por muitas mudanças. Tanto no cenário político quanto administrativo, passamos por percalços e momentos em que todo o país teve que se unir em favor do bem maior que é a nossa democracia. Na Comissão Especial do Impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, fui o único representante catarinense. Um processo desgastante, mas necessário para que o país pudesse retomar a confiança e o caminho do desenvolvimento. Além disso, em meus pronunciamentos no Plenário, sempre fui muito crítico em relação à situação econômica em que se encontrava o nosso país e a necessidade de mudanças urgente. Não por acaso meu segundo ano de mandato no Senado Federal, caracterizado pelo trabalho efetivo em favor das causas catarinenses, foi também dedicado às causas nacionais. Mantive atuação firme em diferentes questões, principalmente contra as altas taxas de juros de mercado, atualmente com média de 14%, que contribuem para o agravamento da crise econômica.

[PE] - O que esperar de 2017?
Berger -
O Brasil precisa ser reformado. Por isso, para 2017 acredito que a responsabilidade da classe política continuará grande. Teremos matérias importantes para serem colocadas em votação, como a Reforma da Previdência, além da reforma política e partidária, que não podem ser esquecidas. Considero necessário o fim das coligações proporcionais e a adoção da cláusula de barreira. Não há como administrar esse país com 30 e tantos partidos. Há ainda a reforma administrativa, que precisa acabar com a excessiva burocracia, responsável pela insegurança jurídica e que prejudica a produtividade do país. Também precisamos focar nos ajustes econômicos, essenciais para buscar saídas para a crise. O que desejamos é o fortalecimento das instituições públicas em favor da nossa sociedade.

[PE] - Das proposições que apresentou ou assuntos que acompanhou, quais merecem maior destaque?
Berger -
A principal foi trazer mais recursos para Santa Catarina. Conseguimos mais de R$ 15 milhões em emendas para 107 municípios entre 2015 e 2016. Relatamos a primeira lei do governo Temer que estabelece regras para o sistema de integração entre produtores rurais e indústria. Apresentamos também proposta de criação da Política Nacional de Defesa Agropecuária e projeto que cria uma fonte de recursos para o pronto atendimento às vítimas de calamidade pública. A Caixa Econômica Federal fica obrigada a realizar um concurso de loteria especial para arrecadação de fundos a serem repassados às cidades atingidas. Demos importante apoio à suinocultura e à pesca. Por exemplo, solicitei junto à Comissão de Agricultura a realização de audiência pública para tratar da suinocultura em Santa Catarina, que sofre com o alto custo de produção. E apresentamos Projeto de Lei que obriga que maternidades de referência possuam banco de leite humano em suas instalações.

Paulo Bauer - PSDB: “A população exige, com total direito, mudanças significativas. A classe política precisa ter coragem para atender esse clamor.”

[PeloEstado] - O ano foi intenso e tenso no Senado. Como avalia sua atuação?
Paulo Bauer -
Foi realmente um ano atípico. Mas procurei manter minha atuação com foco nos interesses de Santa Catarina e do Brasil. Além da apresentação de novos projetos de lei, do atendimento a prefeitos e vereadores, na intermediação junto a ministérios das demandas de todas as regiões catarinenses, da postura permanente de cobrança por investimentos federais no estado e da defesa da redução da máquina governamental e da absurda carga tributária, participei do processo de impeachment para terminar uma gestão equivocada, que prejudicou duramente o país. No segundo semestre ainda tive a honra de liderar o PSDB no Senado.

[PE] - O que esperar de 2017?
Bauer -
Será uma nova etapa que vai exigir empenho e paciência de todos. Os desafios para recuperar os estragos causados durante quatro mandatos consecutivos do PT, que trouxe de volta o desemprego, a falta de confiança de investidores externos e uma economia fragilizada, serão muito grandes. As reformas que Lula e Dilma, irresponsavelmente, não quiseram fazer precisam ser colocadas em prática. Além da questão previdenciária, mantenho a certeza de que são urgentes também as reformas política e tributária. Micros, pequenos e grandes empresários não podem mais pagar o preço de uma máquina estatal tão grande. Somente com a redução e simplificação de impostos e tributos, aqueles que realmente levam o país adiante, gerando emprego e renda, terão a tranquilidade para continuar investindo. No setor político, não podemos mais viver à mercê dessa quantidade absurda de partidos. Passou da hora, por exemplo, de acabarmos com as legendas de aluguel. Creio que o instituto da reeleição também é algo que não pode mais existir. A população exige, com total direito, mudanças significativas. A classe política precisa ter coragem para atender esse clamor.  

[PE] - Das proposições que apresentou ou assuntos que acompanhou, quais merecem maior destaque?
Bauer -
Sem dúvida, a Lei da Lactose, que foi fruto da participação popular no mandato que ocupo. Pedro Michels Neto, morador de Braço do Norte, entrou em contato comigo e me sugeriu que as embalagens de produtos alimentícios trouxessem a informação sobre a presença de lactose. Informei-me sobre o assunto e descobri que mais de 40% da população sofre com a intolerância à lactose, sendo que boa parte desse total sequer sabe disso. A iniciativa ganhou um impulso muito forte com a mobilização feita por meio da Internet por outra catarinense, a jovem Jéssica Duarte, de Rio do Sul. O empenho dela em cada etapa da tramitação, com um abaixo-assinado de mais de 40 mil pessoas, foi decisivo para a aprovação da matéria. A cada nova fase da tramitação, esse verdadeiro exército fez pressão sobre senadores e deputados. Como prova de que a população pode, sim, influenciar os políticos, a lei foi sancionada no último mês de junho e entra em vigor a partir do dia 4 de janeiro de 2017.

 

Por Andréa Leonora

Com colaboração dos assessores de imprensa dos senadores

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