[Pelo Estado] Entrevista Superintendente do SESI-SC Fabrizio Machado Pereira - 21/11/2016

21.11.2016

“Saúde é hoje um dos maiores custos que as empresas possuem”

Natural de Lages, é formado em Engenharia Mecânica com mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas na área de Gestão de Sistemas de Inteligências de Negócios (UFSC). Com cursos de Educação Executiva em Liderança e Planejamento de Negócios Globais (Insead, França) e em Gestão Estratégica Avançada (FGV, São Paulo), possui também curso de aperfeiçoamento em Planejamento e Marketing Educacional pela Universidade de São Paulo (USP). Foi diretor da Unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) Florianópolis no período de 2004 a 2006 e, em seguida, foi convidado a assumir o posto de gerente Executivo no Serviço Social da Indústria (SESI) Departamento Nacional e Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde permaneceu até 2013, quando retornou ao Sistema Federação das Indústrias (Fiesc) no cargo de Diretor de Comunicação e Marketing. Desde setembro de 2013 assumiu a posição de Superintendente do SESI-SC. Nessa entrevista exclusiva à Coluna Pelo Estado, ele fala do esforço do SESI-SC para promover a qualidade de vida do trabalhador da indústria, principalmente através da promoção da saúde e da educação. Como resultado, o setor ganha em produtividade e competitividade.

[PeloEstado] - O SESI-SC vai completar 65 anos em dezembro. Como avalia a importância do serviço para o estado?
Fabrizio Machado Pereira -
Nesses 65 anos a entidade evoluiu e se aprimorou, buscou novas tecnologias e métodos para proporcionar aos trabalhadores da indústria e suas famílias melhor qualidade em saúde e educação. Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do trabalhador catarinense, para o aumento da competitividade da indústria de forma sustentável e inovadora, o SESI cumpre sua missão, por meio de soluções nessas duas importantes áreas.

[PE] - Qual o tamanho do SESI-SC hoje?
Fabrizio -
Em Santa Catarina, o SESI foca sua atuação cada vez mais na saúde, realizando por ano mais de 1,5 milhão de atendimentos na área, considerando as vacinações, as clínicas, os serviços de odontologia e de segurança no trabalho. Possui 268 unidades fixas, 72 unidades móveis e atendeu em 2015 mais de 400 mil industriários em todo o estado, o que representa mais da metade dos trabalhadores da indústria em Santa Catarina.
Também estimula os industriários a adotarem um estilo de vida mais saudável com serviços como o da Ginástica na Empresa, que atende, por dia, 97 mil trabalhadores, e o SESI Esporte, que realiza mais de 64,1 mil inscrições dentre os vários torneios promovidos ao longo do ano. Na área da educação, contabiliza 146 mil matrículas de trabalhadores em cursos da Educação Continuada e mais de 35,2 mil matrículas na Educação de Jovens e Adultos. Presente em 259 municípios, a estrutura de atendimento inclui 11 clínicas médicas, um centro de promoção da saúde do trabalhador, 73 farmácias, 94 unidades de alimentação, 63 unidades escolares (sendo 14 móveis) e 58 unidades móveis na área da saúde.

[PE] - É uma grande estrutura. O que ainda está por vir?
Fabrizio -
Estamos intensificando os esforços para trazer a saúde do trabalhador para o centro da agenda dos empresários. Além de ser decisivo para a qualidade de vida, é um fator crítico para a competitividade da indústria e do país.

[PE] - O lançamento da Aliança Saúde Competitividade tem direta relação com isso. Explique o que é e o que pretende?
Fabrizio -
A questão da saúde tem provocado impactos financeiros, sociais e econômicos de toda a ordem. É necessário tomarmos medidas para podermos auxiliar as empresas na redução dos custos, principalmente com saúde, questões assistenciais e previdenciárias, que, de alguma forma, afetam a sociedade como um todo.  Isso está se tornando uma barreira para a competitividade, assim como foi a qualidade, o meio ambiente e a inovação. Trabalhamos conceitos importantes como estabelecer conhecimentos e informações para sensibilização e mobilização tanto dos empresários quanto dos trabalhadores e de todas as entidades que de alguma forma influenciam nas questões de saúde e segurança no trabalho. Além disso, a Aliança é um grande estímulo para renovar a nossa oferta de serviços do SESI e da nossa rede de parceiros. Como diz nosso presidente Glauco José Côrte, com a Aliança faremos pela saúde do trabalhador o mesmo que está sendo feito pela educação, por meio do Movimento Santa Catarina pela Educação.

[PE] - De onde vem a inspiração para esse movimento?
Fabrizio -
Nossos estudos e pesquisas indicam que um trabalhador saudável é também um trabalhador mais produtivo, que se sente melhor e está de bem com a vida. Precisamos, portanto, atuar preventivamente e transformar os nossos ambientes de trabalho em ambientes confortáveis que estimulem a produtividade. A saúde é hoje um dos maiores custos que as empresas possuem, não gerados somente por acidentes de trabalho ou por ocupações específicas, mas, sobretudo, por doenças crônicas que cada vez afastam um maior número de pessoas. Estima-se que a partir de 2020, mais de 50% dos trabalhadores em Santa Catarina terão mais de 40 anos e vão permanecer por muito mais tempo no trabalho. Portanto, temos que ter trabalhadores saudáveis. De outro lado, isso é bom para a empresa porque a torna mais competitiva e pode se expandir.

[PE] - É possível dimensionar a importância desse trabalho para além da produtividade?
Fabrizio -
Queremos chamar a atenção para o fato de que saúde e segurança são um desafio sistêmico. Não podemos apenas trabalhar uma agenda protocolar e burocrática, ligada somente às normas regulamentadoras, pois essas são leis e estão estabelecidas. Precisamos, sobretudo, transformá-las em ações efetivas para a melhoria da qualidade de vida, da saúde e da segurança dos trabalhadores e das condições dos ambientes de trabalho. É necessário sair de uma pauta meramente operacional para uma pauta mais estratégica.  

[PE] - É um exemplo a ser seguido pelo restante do país?
Fabrizio -
De fato, esta é uma discussão nova no Brasil. Por isso, em Santa Catarina estamos reunindo todos os setores, órgãos e entidades que de uma ou de outra forma têm relação com a saúde e segurança do trabalhador, tanto no âmbito do setor público quanto do setor privado, envolvendo, inclusive, as federações de trabalhadores. O propósito é alcançar toda Santa Catarina para promovermos uma aliança entre os empresários e os trabalhadores no campo da saúde e da competitividade.

[PE] - Nesse contexto, fale um pouco sobre o Instituto de Inovação do SESI.
Fabrizio -
Neste momento, o Departamento Nacional do SESI implanta oito institutos de inovação na área de saúde e qualidade de vida do trabalhador. Um deles, que desenvolve projetos em tecnologias para segurança e saúde no trabalho, está instalado em Santa Catarina. Os institutos são orientados para atender as demandas industriais, focados na redução do absenteísmo (falta ao trabalho) e dos acidentes dentro das indústrias brasileiras. Estamos trabalhando em projetos que apoiam o desenvolvimento integral da indústria e das pessoas, por meio da promoção de estratégias, modelos de negócio e soluções tecnológicas voltadas à mudança de comportamento e promoção da segurança e saúde. Recentemente, assinamos termo de cooperação com o INSS para o desenvolvimento de ações conjuntas para reabilitação de trabalhadores afastados. Temos um grande número de afastamentos do local de trabalho em razão de doenças relacionadas ao estilo de vida, como o estresse, obesidade, uso de drogas e consumo abusivo de álcool. De acordo com o INSS, por ano, no Brasil, cerca de 530 mil pessoas são declaradas afastadas por tempo indeterminado, mas somente 50 mil delas têm acesso à reabilitação profissional. Em Santa Catarina, mais de 20 mil pessoas também não tem acesso à reabilitação. Encontrar soluções, dentro de um trabalho em rede, como neste exemplo, será um desafio do Instituto SESI de Inovação.

[PE] - Que papel cumpre o SESI-SC dentro do esforço para ampliar o nível educacional do trabalhador da indústria do estado?
Fabrizio -
Profissionais com mais escolaridade são mais autônomos, críticos e inovadores e também geram ganhos de produtividade para as empresas, tanto por proporem soluções criativas para problemas do dia a dia do trabalho quanto por cuidarem melhor de sua própria saúde e bem-estar.  O SESI realiza parcerias com empresas para promover a Educação de Jovens e Adultos (EJA) dentro e fora das indústrias, inclusive na modalidade de educação a distância. Mesmo passando pela educação básica regular, trabalhadores necessitam reforçar conteúdos e aprender novas competências para se manter atualizados às demandas do mundo do trabalho. Para isso, o SESI também desenvolve programas de educação continuada com foco nas necessidades específicas de cada indústria ou segmento industrial. São cursos presenciais ou a distância sobre diversos assuntos, como saúde e segurança no trabalho, reforço escolar em matemática e ciências, informática e inclusão digital, negociação, liderança, resolução de conflitos e inclusão social e diversidade. Além disso, temos educação infantil e estamos inovando com a oferta de atividades e desafios que aproximam os jovens da robótica.

Por Andréa Leonora
redacao@peloestado.com.br

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