Celesc apresenta prejuízo de R$135,5 milhões

15.11.2012

 

Camila Latrova

ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC

Florianópolis-  “Um prejuízo esperado”. A avaliação é do diretor de Relação com Investidores, Controle de Participações e Novos Negócios da Celesc, André Luiz de Rezende, ao apresentar o balanço dos resultados da companhia no terceiro trimestre de 2012, ontem, na sede da empresa. Neste terceiro trimestre (julho, agosto e setembro), a companhia energética registrou prejuízo de R$135,5 milhões, considerando os ajustes relativos a ativos/passivos regulatórios e efeitos não recorrentes, como por exemplo, o Plano de Demissão Voluntária (PDV).

Aprovado pelo Conselho de Administração da empresa em maio, o PDV vai gerar um desembolso de R$ 245 milhões e desligar 734 empregados, ou seja, cerca de 20% do quadro atual. “Todo o efeito do PDV, que se estende pelos próximos cinco anos, foram contabilizados neste trimestre”, alega o diretor. Em contrapartida, até 2018 o plano representará uma economia de R$ 579 milhões para a Celesc.

 

Estiagem

 

Para Rezende, outro efeito não esperado foi a necessidade de compra de energia extra de usinas termelétricas para equilibrar a baixa produção das hidrelétricas, afetadas no período de estiagem. “Foi necessário comprar energia extra para equilibrar o fornecimento e essa energia geralmente é mais cara”, afirma Rezende.

Apesar dos prejuízos, a Receita Operacional Líquida (ROL) Consolidada registrou R$ 1,05 bilhão no terceiro trimestre deste ano, valor 0,3% superior ao terceiro trimestre de 2011. Sem os efeitos da Receita de Construção, a ROL Consolidada avançou 2,8% no trimestre (somando R$ 976,8 milhões) e 4% nos nove primeiros meses de 2012 (R$ 2,99 bilhões).

No entanto, os investimentos foram da ordem da R$ 97,3 milhões no trimestre, redução de 26,2% em relação ao período anterior. No acumulado dos nove meses do ano, os investimentos consolidados somaram a quantia de R$ 276,9 milhões, 4,5% abaixo do mesmo período de 2011.

 

Concessões

 

A reação à mudança no setor energético originadas pela Medida Provisória 579/12, que trata da renovação das concessões, pagamento de indenizações e que prevê redução nos custos da energia para consumidores, ainda não foi tomada pela companhia. “Os novos investimentos serão avaliados com este novo cenário. O Brasil inteiro está sofrendo com a renovação das concessões, e o próprio governo federal está tendo dificuldade em conciliar os interesses das estatais com os interesses da sociedade.”

Segundo Rezende, nas próximas semanas, as sete usinas enquadradas na revisão de concessão terão uma avaliação técnica, que será analisada pela diretoria e pelo Conselho da Celesc para definir a posição tomada frente ao mercado e aos investidores. “É uma decisão que será tomada por todos, como pede a boa governança corporativa”, observou o diretor.

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