Estudo indica queda da participação da indústria na economia em SC

20.07.2012

 

Algumas evidências do processo de desindustrialização sofrido por Santa Catarina foram apresentadas em painel promovido pelo Sistema FIESC nesta quinta-feira (19), durante a Jornada Inovação e Competitividade.
 
A prévia de um estudo conduzido pelo departamento de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a pedido da FIESC, aponta quedas na participação da indústria no Produto Interno Bruto do Estado (PIB) e em relação ao emprego. No entanto, o fenômeno tem intensidade diferente, dependendo do setor. E há diversos casos de empresas que continuam se destacando.
 
Entre 1996 e 2009, a indústria de transformação passou de 26,1 para 22,3% sua participação no PIB de Santa Catarina. Efeito semelhante aconteceu em relação ao percentual de trabalhadores da indústria, em relação ao total de pessoas empregadas no Estado (de 33% para 29%).
 
Apesar da desindustrialização também ser uma realidade nos países desenvolvidos, que passam a concentrar mais seu PIB no setor de serviço, o problema do Brasil é sofrer a chamada "desindustrialização precoce". "Aqui, a indústria ainda não chegou a cumprir seu papel no desenvolvimento do país", alertou o professor da UFSC Silvio Cario, que conduz a pesquisa.

Setores
 
Segundo o estudo, a desindustrialização ocorre de maneira absoluta em setores como setor madeireiro e de móveis; e de maneira relativa em setores como alimentos, têxteis, máquinas e equipamentos , calçados e cerâmicos. Em todos os demais setores não foram encontrados indícios relativos a queda na participação do valor da transformação industrial no PIB catarinense, percentual de trabalhadores e adensamento industrial.
 
Apesar desse quadro, a apresentação de outros palestrantes mostrou alternativas para aumentar a competitividade das indústrias do Estado. Um dos exemplos foi apresentado pelo presidente da Fundição Tupy, Luiz Tarquínio Ferro.
 
Apesar da concorrência com os produtos chineses - que, segundo ele, chegam a vender produtos no Brasil mais baratos até que o valor pago pelo ferro-velho - a empresa continua exportando 50% de sua produção. "A Tupy se diferencia por sua capacidade tecnológica. Há coisas que só nós conseguimos produzir", explicou, lembrando que isso é possível em função dos investimentos realizados pela empresa em pesquisa.
 
Para as empresas que desejam investir em pesquisa e desenvolvimento, o secretário nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Álvaro Prata, ressaltou as oportunidades oferecidas pelo governo - opções que ainda possuem pouca adesão por parte do setor industrial. "Incentivos fiscais como a Lei do bem, que permite o abatimento de impostos para quem investem em P & D, são utilizadas por apenas 637 empresas no país", disse o catarinense.

Inovação
 
A inovação nos processos de gestão também foi a estratégica apontada pelo sócio-diretor da Tecnoblu, Sérgio Pires. "No Estado, temos empresas que caminham para o fim e outras que conseguiram analisar e se ajustar ao mercado e que estão crescendo", ponderou. "Alguns empresários sofrem de miopia industrial: têm tanto amor por um produto que não percebem que ele não tem futuro. É como olhar uma estrela que ainda parece emitir luz, mas que na verdade já morreu", enfatizou. 
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