Evento comemorativo aos 20 anos da ADI-SC reúne lideranças do Grande Oeste

17.09.2015

Por Marcos Bedin

Especial CNR-SC/ADI-SC/Central de Diários

 

Chapecó- Palestras e abordagens e respeito das potencialidades e deficiências regionais e os desafios ao desenvolvimento do Grande Oeste barriga-verde nortearam a Jornada de Debates ADI-SC 20 Anos – Catarinense de Valor promovida nessa quinta-feira em Chapecó, em comemoração aos 20 anos de fundação da Associação dos Diários do Interior de Santa Catarina (ADI-SC). O objetivo foi discutir temas relacionados ao desenvolvimento e à valorização do catarinense, a identificação e solução de problemas regionais, tendências e políticas de incentivo.

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Gelson Merisio, palestrou sobre o contexto da campanha “Gente que faz a diferença”, do Legislativo. Expôs que, nesse cenário de crise econômica e política que assola o Brasil, Santa Catarina encontra-se em posição privilegiada. No setor público, as contas do governo estão em dia (pagamento de salários, aposentadorias e fornecedores), enquanto estão em curso 5 bilhões de reais em investimentos. Advertiu, entretanto, que há forte preocupação com o crescente custo da Previdência, representada, atualmente, por 60 mil aposentados e pensionistas. “Se não fizermos o dever de casa, em dez anos Santa Catarina será o Rio Grande do Sul de hoje”, disse, referindo-se
à caótica situação daquele estado.

Merisio antecipou que apresentará projeto na Assembleia Legislativa para a aprovação de uma lei de responsabilidade fiscal específica para o governo catarinense. Será a “lei da eficiência do Estado”, para otimizar recursos, reduzir despesas e prestar melhores serviços aos catarinenses.

Em relação ao setor privado, o presidente da Assembleia destacou a capacidade de trabalho e de produção do empresariado e reconheceu a necessidade de melhorar a infraestrutura regional com a duplicação da rodovia federal BR-282. Disse que a região “precisa reivindicar mais que apenas estradas” e lutar para transformar-se em polo de excelência em muitas áreas.

Observou que o agronegócio não pode ser a única locomotiva do desenvolvimento regional e que os investimentos devem se deslocar também para a área do conhecimento, como a tecnologia da informação. Nesse aspecto, falou da importância de a pesquisa universitária andar em sintonia com as expectativas das empresas. Gelson Merisio chamou a atenção para a necessidade de grandes investimentos públicos e privados para evitar o empobrecimento do Oeste e disse que a região necessita eleger um governador para assegurar uma fase de grandes investimentos.

Na sequência, o presidente da Coopercentral Aurora Alimentos e vice-presidente para assuntos estratégicos do agronegócio da Federação das Indústrias (Fiesc), Mário Lanznaster, fez ampla exposição sobre a condição da Aurora como o terceiro grupo agroindustrial brasileiro do setor de carnes e uma das maiores cooperativas centrais do país. Com 26 mil empregados diretos, 6,7 bilhões de reais de faturamento e 13 cooperativas filiadas que reúnem mais de 70 mil famílias de produtores, a Aurora tornou-se paradigma internacional de sucesso empresarial e cooperativista.

O dirigente expôs que as péssimas condições das rodovias, a ausência das ferrovias e a distância dos maiores centros produtores de grãos (MS, MT e GO) constituem graves desafios para as agroindústrias do Oeste catarinense. Para ele, se a Ferrovia Norte-Sul não for construída nos próximos anos, as agroindústrias se transferirão para o Brasil central. Lanznaster sublinhou que é necessária uma representação política forte do grande Oeste catarinense para garantir as principais obras de infraestrutura para a região e lançou o deputado Merisio como candidato da região ao governo do Estado.

O presidente do Fórum de Desenvolvimento Regional do Oeste e vice-reitor da Unoesc Chapecó, professor Ricardo Antonio De Marco, disse que a crise instalada no Brasil é consequência direta da incapacidade de gestão do governo, “que parece viver em outro país”. Lembrou que o governo gastou demais, “o que não podia nem estava autorizado a gastar”. Além disso, segundo ele, tornou-se um governo nada proativo e muito reativo. O vice-reitor defende que o governo deve parar de intervir na economia, reduzir o tamanho da máquina administrativa e buscar parcerias comerciais com grandes parceiros, como Estados Unidos, China e Índia. E ainda deve propor um pacto nacional para a reforma do Estado brasileiro.

De Marco elogiou o cooperativismo como modelo de desenvolvimento regional e propôs que o Executivo estadual use as universidades comunitárias catarinenses como parceiras em planos e projetos de desenvolvimento, pois elas constituem referência internacionalmente reconhecida.

Evento

A programação iniciou com apresentação institucional da ADI-SC e boas-vindas do presidente institucional da entidade, Dércio Rosa. Após as três palestras, de Merisio, Lanznaster e De Marco, uma rodada de debates envolveu representantes dos setores cultural, econômico, industrial, comercial e de serviços presentes ao evento.

A Jornada de Debates ADI-SC 20 Anos tem apoio da Fiesc, da Assembleia Legislativa, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e da Associação Catarinense de Imprensa (ACI). A primeira etapa da jornada aconteceu em Criciúma. A próxima, e última, marcada para o início de dezembro, acontecerá em Florianópolis.

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