“Há muito a comemorar, mas não podemos baixar a guarda”

16.10.2017

Entrevista com Secretário de Estado da Comunicação, João Debiasi

 

Secretário de Estado da Comunicação (Secom) há pouco mais de um ano e meio, já respondeu pelas diretorias de Divulgação e de Novas Mídias & Inovação na atual gestão. Antes disso, também atuou na Assessoria de Planejamento e Relações com o Mercado da SC Parcerias. Debiasi declara lealdade ao governador, de quem é próximo desde quando Raimundo Colombo foi eleito senador. Acumula grau Master em Administração Pública (Fundación Internacional y para Iberoamérica de Administración y Políticas Públicas – Fiiapp, Espanha), em Comunicação Política (Universidade Complutense de Madrid – UCM, Espanha) e em Comunicação, Jornalismo (Instituto Internacional de Ciências Sociais – IICS, Brasil). Responsável por toda a comunicação oficial do Executivo catarinense, ele recebeu a reportagem da Coluna Pelo Estado em seu gabinete para falar sobre a estratégia que desenvolve nessa área e também do bom momento vivido por Santa Catarina, que ainda comemora a segunda colocação no Ranking de Competitividade dos Estados e o Destaque Internacional, prêmio recebido pelo governador no dia 20 de setembro, em São Paulo. “Comprovamos o nosso mantra: Santa Catarina foi o último estado a entrar na crise e está sendo o primeiro a sair da crise.”

 

[PeloEstado] - Santa Catarina vive um bom momento e a segunda colocação no Ranking de Competitividade dos Estados confirma isso. A crise não chegou aqui?
João Evaristo Debiasi -
Três entidades dão sustentação e garantem credibilidade ao ranking - a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Centro de Liderança Política (CLP) e a revista inglesa The Economist. A metodologia que desenvolveram, a partir de 2011, considera dez pilares para avaliar os governos. Cada um desses pilares tem indicadores de desempenho, em números diferentes, num total de 66 indicadores.  E esses pilares têm pesos diferentes no cálculo. Segurança Pública, Sustentabilidade Social,  Infraestrutura, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Inovação, Potencial de Mercado e Sustentabilidade Ambiental. Lá em 2011 Santa Catarina estava em sétimo lugar, o que, entre 27 estados, não era mau, mas dava para melhorar. E melhoramos! Em 2012 e 2013 ficamos em sexto lugar, em 2014 passamos para a quinta posição, e em 2015 e 2016 ocupamos a terceira colocação. Agora, em 2017, chegamos ao segundo lugar, atrás apenas de São Paulo. A crise chegou aqui, sim. Infelizmente. Entretanto, gosto de chamar atenção para o fato de a curva ascendente de Santa Catarina ser mais acentuada no momento mais agudo da crise. É razoável afirmar que teríamos um resultado ainda melhor se o país não estivesse atravessando essa crise política e econômica.

[PE] - O que explica isso?
Debiasi -
Um conjunto de ações. Esse resultado é a confirmação científica do acerto de uma série de políticas adotadas pela gestão do governador Raimundo Colombo. Isso envolve não aumentar impostos, manter os salários em dia e também os investimentos públicos. Comprovamos o nosso mantra: fomos o último estado a entrar na crise e está sendo o primeiro a sair da crise.

[PE] - Quais foram os principais destaques de 2016 para 2017?
Debiasi -
Na Segurança Pública passamos da quarta para a primeira posição. Foi um tema muito cobrado pela sociedade e demos respostas. Mas, por mais que se faça, a lógica da indústria da droga, que está relacionada com 90% dos crimes, é a mesma de qualquer indústria. Quanto mais consumo, mais oferta. Se a sociedade não entender que esse é um problema de todos, nada vai adiantar. Outro destaque foi a Infraestrutura, um componente fundamental para a competitividade dos estados e importantíssimo para a iniciativa privada. Passamos de quarto para terceiro lugar nesse parâmetro. Em Capital Humano, evoluímos de sexto para terceiro lugar. Além disso, mantivemos o primeiro lugar em Sustentabilidade Social e o terceiro em Educação.

[PE] - Como ficou Santa Catarina frente à média nacional?
Debiasi -
Muito bem! Em Sustentabilidade Social que, segundo os analistas, é a melhor definição de um estado competitivo, pelo bem estar que oferece à população, nós tivemos a nota máxima, 100, enquanto a média do país ficou em apenas 51 pontos. Em Segurança Pública também obtivemos 100 e a média nacional foi de 46,2. Na Educação, que garante competitividade de longo prazo,  nossa nota foi 83,1 e a do Brasil, 45,3. Da mesma maneira em Infraestrutura ficamos bem à frente da média nacional, com 65,9 pontos contra 45,4. Aqui é fácil perceber que se Santa Catarina recebesse mais investimentos federais o nosso resultado seria ainda melhor. A pontuação em Capital Humano mostrou que somos competitivos na formação acadêmica, técnica e profissional, o que é bom para quem quer empreender. Obtivemos nota 70,4 e a média do país foi de 43,1. Inovação é outro indicativo de competitividade sustentável e aqui recebemos 62,2 pontos, enquanto a média nacional ficou em apenas 27.   

[PE] - Santa Catarina também ganhou o Destaque Internacional, conquistando o Prêmio Excelência em Competitividade. O que representa esse prêmio?
Debiasi -
Que somos o Estado com o maior número de indicadores internacionais acima da média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Vou dar alguns exemplos: em Inserção Econômica tivemos nota 100, acima do Chile, a vedete da América Latina, que ficou com 96,7. Em Segurança Patrimonial tivemos 69,9 e Portugal, por exemplo, não chegou aos 38 pontos. E aqui vem uma nota emblemática para nós, para essa gestão, para esse governo, que é Transparência. Alcançamos a nota de 83,2 e ficamos acima da Nova Zelândia, que ficou com 71,8. É preciso dizer que a Nova Zelândia é um dos países mais transparentes e menos corrupto do mundo. Para se ter uma ideia da importância desse parâmetro, o Brasil está em 79º lugar entre os 176 países analisados pela Transparência Internacional. Ou seja, se Santa Catarina fosse um país estaria na ponta de cima do ranking em aplicação imediata de políticas públicas de transparência. Esse diferencial traz segurança jurídica para novos investidores e para os empreendedores que já estão consolidados aqui. Além da moralidade pública, hoje é o grande debate nacional. Trata-se de uma evolução intangível, resultado de decretos, leis, medidas, práticas de governança.

[PE] - A evolução de sétimo para primeiro lugar nos sete anos do Ranking da Competitividade está relacionada com o Pacto por SC?
Debiasi -
Também, mas está relacionada sobretudo com as decisões políticas e administrativas que o governador Colombo tomou. O Estado é um agente indutor do desenvolvimento econômico e inegavelmente estamos cumprindo esse papel. O governador sempre falou, tanto nas manifestações públicas quanto nas reuniões internas, que a principal política pública para o desenvolvimento econômico e social é brigar para manter e ampliar empregos. Alguns dias depois da divulgação do Ranking da Competitividade, em São Paulo, recebemos outro prêmio: Santa Catarina ficou em segundo lugar em números absolutos e, proporcionalmente, em primeiro lugar no saldo de empregos. Estamos estáveis nessas posições já há algum tempo e a tendência é melhorar, porque a economia está reagindo e os últimos três meses do ano são sempre melhores. Há muito a comemorar, mas não podemos baixar a guarda.

[PE] - Como a Comunicação do Estado trabalha todos esses elementos positivos?
Debiasi -
Temos campanhas institucionais, divulgando os nossos bons resultados para manter a autoestima da população elevada e não deixar que se instale aqui o clima ruim que tomou o país. Isso fortalece a marca Santa Catarina e por isso mesmo estamos considerando fazer algum tipo de veiculação na mídia nacional. O outro viés da nossa comunicação é a prestação de serviço, com informações úteis para a população. No ano passado fizemos algo entre 30 e 35 campanhas institucionais e de prestação de serviços.   

[PE] - A mídia digital  é importante na estratégia da Secom?
Debiasi -
As redes sociais e os sites complementam as informações dos meios tradicionais de comunicação. A partir disso, criamos uma base de inteligência, observando os comentários, por exemplo. O que nos permite reagir de acordo com o que identificamos ali.  
 
[PE] - A Comunicação das secretarias setoriais e regionais também passam pela Secom?
Debiasi -
Tudo o que está relacionado com Publicidade está concentrado na nossa Secretaria. Os secretários e suas equipes apresentam ideias e demandas, mas cabe à Secom efetivar. Quanto à área de Imprensa, cada secretaria tem sua Assessoria de Comunicação, com viés de Assessoria de Imprensa. Apesar de terem mais autonomia, por conta da agilidade exigida pela função, a política central também é definida pela Secom.

 


 

Por Andréa Leonora
redacao@peloestado.com.br

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