Igualdade entre homens e mulheres cresce no Brasil

31.10.2012

 

Por Petra Sabino, do Jornal Sul Brasil

Após anos de dedicação e subserviência à família, aos poucos as mulheres vêm ganhando espaço no cenário mundial e também nacional. Mudanças, apesar de sensíveis, são significativas se relembrarmos de fatos que marcaram negativamente a história da revolução feminina no mundo. Como no caso de Dagenham, na Inglaterra de 1968, quando milhares de funcionárias da Ford realizaram uma verdadeira revolução numa tentativa vã de conseguir receber o mesmo salário da classe masculina.

Quarenta e quatro anos depois a história mudou, porém, a questão salarial ainda está longe de ser equiparada, pois, neste caso, a diferença entre homens e mulheres está 13,75%. Contudo, o governo Federal divulgou uma pesquisa recente com dados animadores: o Brasil subiu 20 posições no ranking de igualdade do gênero.

O ranking é elaborado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial, WEF, com base em um estudo que apontou também que o país obteve melhorias em educação primária e crescimento na porcentagem de mulheres em posições ministeriais. Mas a maior responsável por tais dados é a ampliação do acesso das mulheres à educação.

Exemplo

A dona de casa Salete Riedel confirma a pesquisa, e aos 47 anos decidiu retomar os estudos para concluir o Ensino Médio, “terminei o Ensino Fundamental há cerca de dez nãos e não continuei, pois precisei me mudar de bairro”, explica Salete.

A dona de casa conta que preferiu esperar que os filhos crescessem para novamente se matricular em uma instituição de ensino. Salete está estudando no Centro de Educação de Jovens e Adultos, (Ceja), há quatro meses e termina a última etapa no final de 2013.

Segundo o gestor do Centro, Giovani Gheller, o Ceja possui 1.100 estudantes matriculados, destes, aproximadamente 60% são mulheres. “Há vários fatores que explicam estes números. Por exemplo, as mulheres passaram muito tempo preocupadas com a família e hoje, com os filhos crescidos, elas conseguem retomar os estudos de onde pararam, além disso, o divórcio também pode ser motivo forte para levar as mulheres de volta à escola”, acredita Giovani.

Para ele, a maioria das mulheres está em busca de realização profissional, “elas procuram melhor colocação no mercado de trabalho e, por isso, precisam estudar”, comenta.

Não é o caso de Salete que, em princípio, busca apenas realização pessoal, “sou dona de casa e pretendo continuar nesta condição, porém, se surgir oportunidades nada impede que eu tente novos caminhos”, conta ela, que já trabalha informalmente com vendas e acredita que os estudos devem melhorar as negociações.

Para Salete, a procura dos homens pelos estudos é pequena, pois tal gênero está habituado a se preocupar com o trabalho, pura e simplesmente, excluindo o fato de que novos conhecimentos também são vetores de aperfeiçoamento profissional. “Só sei que não podia ficar parada, precisava me envolver em algo e estudar foi a melhor escolha”, garante a estudante.

O Ranking

A lista é liderada pela Islândia, pelo quarto ano consecutivo, seguida pela Finlândia, Noruega, Suécia e Irlanda. No lado oposto do ranking, o Iêmen é considerado o país com a pior desigualdade de gênero do mundo. Paquistão, Chade, Síria e Arábia Saudita completam a lista dos cinco mais mal colocados.

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