Suínos: Municípios entram em situação de emergência

28.06.2012

 

Camila Latrova
ADI-SC/Central de Diários/CNR-SC
 
 
Florianópolis - “Chegamos ao limite.” O desabafo é do presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, ao falar sobre a situação crítica da suinocultura brasileira e, em especial, catarinense. A avaliação ocorreu ontem, durante seminário promovido pela Faesc com o tema “Perspectivas do Agronegócio” e realizado em São José, na Grande Florianópolis.
 
A crise que afeta os criadores nos últimos meses, principalmente os produtores independentes (não associados à agroindústria), é preocupante. Estimativas da Faesc indicam que apenas nos seis primeiros meses do ano o prejuízo acumulado chega a R$ 50 milhões. “Os produtores estão abandonando a atividade, abatendo as matrizes para evitar maiores perdas”, alega Enori Barbieri, vice-presidente da entidade.
 
Produção
 
A elevação das commodities, principalmente farelo de milho, principal insumo alimentar para os animais, encareceu a produção e contribuiu para ampliar o endividamento dos criadores. “Se nada for feito, o produtor que não está integrado às empresas e cooperativas não vai se sustentar. Eles estão com os dias contados”, afirma Barbieri. 
 
Ele cita o caso do município de Braço do Norte, que decretou situação de emergência para que os produtores do município possam ter acesso a políticas públicas que amenizem a situação. “Mais de 50% da movimentação econômica depende da cadeia produtiva da suinocultura. Para piorar, Braço do Norte é a cidade catarinense que concentra o maior número de suinocultores independentes. Por isso lá a crise é ainda mais profunda”, finaliza.
 
De acordo com o secretário de Estado de Agricultura e Pesca (SEAP), João Rodrigues, os municípios de Seara e Xavantina também devem decretar estado de emergência nos próximos dias, tendo como motivo a crise no segmento.
 
Solução
 
Desde o último dia 11 de junho, a SEAP decidiu isentar por 30 dias o ICMS interestadual para leitões até 30 quilos. Segundo Pedrozo, é muito pouco para ajudar os produtores. “Se o governo não estender a mão, não criar políticas públicas, eles não têm como sobreviver.” Para o presidente da Federação, a solução está no mercado interno. “É preciso criar demandas como, por exemplo, usar a produção na merenda escolar, nos quartéis da PM. A população deve ser incentivada a consumir mais carne suína”, conclui.
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