Três meses de greve nas federais com recorde de adesão

17.07.2012

 

 
Chapecó – Ainda não há um posicionamento oficial, mas tanto o comando de greve da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), quanto o comando de greve do Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC), não se mostram contentes com a sinalização do governo federal, anunciada na noite de sexta-feira.
 
A proposta é de reajustes que variam entre 24,4% e 45,1% para doutores. Atualmente, os professores universitários que atingem o topo da carreira recebem R$ 11,7 mil. Com a nova proposta, a remuneração chegaria a R$ 17,1 mil. Entre os mestres, os aumentos vão variar entre 25% e 27%. Esse aumento se daria em três anos: 40% do aumento neste ano, outros 30% em 2013 e outros 30% em 2014.

Fragmentação da classe
 
Segundo a membro da coordenação estadual do Sinasefe – que representa os professores e técnicos dos institutos técnicos federais -, professora da IF-SC, Jaqueline Ruffcvik, o comando de greve ainda espera pelo posicionamento nacional, que deve acontecer ainda esta semana. Mas a princípio, a proposta apresenta números ilusórios porque promove uma fragmentação da carreira ao negar a unificação.
 
Além disso, para o caso dos institutos federais não foi apresentada nenhuma proposta aos técnicos administrativos. “Nós estamos unidos e o governo federal quer nos fazer dividir. Enquanto não houver propostas para os dois, dificilmente entraremos em acordo”, comenta Jaqueline.
 
O membro do comando de greve da UFFS, Danilo Enrico Martusceli, concorda com os apontamentos. Para ele, além de não haver nenhuma proposta oficial além de uma tabela mal explicativa apresentada, as propostas não atendem toda a classe de professores. “Hoje não existem 10% dos professores titulares, os considerados em topo de carreira, que teriam esse reajuste”, explica. Ele explica também que o reajuste não acontece para os outros níveis de carreira. “Haveria uma regressão salarial”, sinaliza.
 
Inflação
 
Além disso, Martusceli pondera que nestes três anos em que o salário seria reajustado, ele estaria congelado. “Esse aumento salarial de 45% é enganador, porque não calcula os índices inflacionários acumulados nestes três anos”, informa. Fora a luta por melhores condições salariais, garante o professor, a luta é também por melhores condições de trabalho.
 
Assembleias
 
Os dois professores garantiram que não há nenhum posicionamento oficial ainda. “Esta semana deve haver a plenária nacional e depois a estadual. Só depois indicaremos se continuamos ou não em greve”, afirma Jaqueline. O professor Martusceli também espera pela assembleia. “Existem critérios não muito bem definidos pelo governo federal. Para isso, teremos que realizar uma análise minuciosa”, afirma.
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